Montadoras vão parar para ajustes

Scania R 2014 (1)




As montadoras da região do ABC Paulista seguem fazendo ajustes para se adequar aos altos estoques e às vendas em ritmo menor que as do ano passado. A Ford e a Scania, por exemplo, programaram para este mês paradas de produção.

Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores) divulgados na segunda-feira, o comércio de veículos de janeiro a setembro está 9,1% menor em relação ao mesmo período em 2013, atingindo 2,53 milhões de veículos. Os estoques (tempo necessário para desovar a produção) atingiram 41 dias (404 mil unidades) – o período normal, segundo analistas, é de 25 dias.

A Ford fez uso de banco de horas para interromper atividades nas fábricas de carros e caminhões em São Bernardo nesta semana, até sexta-feira, e vai repetir a medida do dia 20 até 27. Por meio de nota, a companhia disse que o “objetivo é ajustar o ritmo de produção à demanda do mercado”. A empresa, que no início de setembro já havia parado por cinco dias, conta, nessa fábrica, com total (incluindo também pessoal da áreas administrativa e de logística) de 4.300 funcionários, mas não divulgou quantos deles pararam.

Por sua vez, a Scania, na mesma cidade, comunicou que terá dois dias de paradas, um deles na sexta-feira, que envolverão tanto a montagem de caminhões quanto a de ônibus e, outro, cuja data ainda não foi definida. Em setembro, a montadora já tinha deixado de produzir por dois dias. Também por meio de nota, informou que isso ocorre “em razão do desaquecimento do mercado brasileiro e argentino” e que continuará avaliando mês a mês as condições de mercado para definir os volumes. Trabalham na fábrica 3.200 funcionários, mas não foi divulgado quantos vão parar.

Licença

Outras fabricantes da região fazem uso de estratégias, como lay-off (suspensão temporária de contratos), para se ajustar à demanda fraca. A Volkswagen, por exemplo, colocou 780 trabalhadores da fábrica da Anchieta em casa, por essa sistemática – que tem prazo limite de cinco meses e, nesse período, a empresa paga parte do salário e o restante é complementado com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), desde que os funcionários façam cursos de qualificação –, e a Mercedes-Benz suspendeu outros 1.200 trabalhadores da unidade são-bernardense.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, na Volks, após esse lay-off, que vai até dia 19, a companhia deverá afastar da atividade produtiva outro grupo de trabalhadores. Por sua vez, na Mercedes-Benz, diz o sindicalista, o plano da empresa é renovar a suspensão até abril, mas pagando o salário integral dos afastados.

Demissão

O PDV (Programa de Demissão Voluntária) aberto pela General Motors na região no início do mês e que iria até segunda-feira recebeu apenas 33 adesões, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão. Ele disse que por causa do número de inscritos pediu a prorrogação do prazo até sexta-feira. A companhia também se ajusta à demanda menor.

Sindicato fecha acordos salariais com 109 empresas

Programada para hoje pela FEM-CUT (Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores) como parte da mobilização para que os empresários melhorem a proposta de reajuste salarial, a greve dos metalúrgicos deve se concentrar principalmente em empresas de máquinas e equipamentos na base da entidade na região.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, já houve acordos com indústrias de autopeças, fundição, forjaria, entre outros segmentos, para a concessão de 8% de aumento (inflação mais 1,55% de ganho real), como pleiteado pelos representantes da categoria. Até ontem à noite, 109 grandes indústrias (com mais de 100 trabalhadores) de quatro cidades do Grande ABC abrangidas pela entidade (São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) já concordaram em pagar esse índice.

Marques cita que esse número de companhias, somando com as montadoras, representa 70% da categoria. Faltariam apenas indústrias de grande porte do ramo de máquinas e outras pequenas. Ao todo, de acordo com o sindicato, há cerca de 1.300 estabelecimentos nessa base. A luta é pelo reajuste de 8%. “Não estamos pedindo nada que asfixie as empresas”, diz o sindicalista. Ele acrescenta que a greve será pequena, por causa dos acordos que seguem sendo fechados individualmente.

A entidade não divulga previamente os locais em que haverá paralisação, sob a justificativa de que isso poderia enfraquecer a mobilização. Ainda segundo o sindicalista, o ano foi difícil, mas o quadro já não é mais tão alarmante. “A inadimplência está caindo, o endividamento das famílias também e as vendas (de veículos) cresceram em setembro”, afirmou.

Faturamento

No entanto, pesquisa do Sindipeças (Sindicato Nacional das Indústrias de Componentes Automotores) mostra que o desempenho de faturamento das autopeças vem piorando nos últimos meses. Neste ano até agosto, o faturamento médio do setor registra queda de 13,5% em relação ao mesmo período de 2013, de acordo com o levantamento. De janeiro a julho, a retração era de 13% em relação aos oito meses iniciais do ano passado e, no primeiro semestre, o recuo era de 12,5%.

Fonte: Diário do Grande ABC




Um comentário em “Montadoras vão parar para ajustes

  • 09/10/2014 em 09:04
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    Faz mais ou menos duzentos anos que estamos patinando em tudo no meu querido País. Em média nossa velocidade para frente é cíclica, durando quase dois anos cada vez. Imagine vendas de caminhões em baixa num país que , como vários outros , depende do transporte rodoviário. Logo estarão dizendo que são os pedágios, os posto de combustível, as cartas-frete, blá,blá, blá. Acorda povo!

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