Para as montadoras, recuperação será lenta

Iveco - Linha de montagem




A aceleração das demissões nos últimos meses sugere que as montadoras não acreditam numa recuperação expressiva da produção e das vendas no último trimestre, apesar dos resultados melhores de setembro. O desempenho da indústria automobilística em 2014 é fraco. A produção mensal média de veículos caiu 14,3% nos primeiros nove meses do ano, em relação a igual período do ano passado (de 318,4 mil para 264,8 mil unidades), segundo a Carta Mensal da associação das montadoras (Anfavea). O emprego no setor diminuiu 6,6%, ou 10.361 vagas, em 12 meses, mas mais de 10% das demissões ocorreram entre agosto e setembro.

No mês passado, a produção cresceu 13,7% em relação a agosto, de 264,6 mil para 300,8 mil unidades, mas caiu 6,7% em relação a setembro do ano passado. Entre os primeiros nove meses de 2013 e de 2014, o recuo foi de 16,8%, ou 490 mil unidades, de 2,87 milhões para 2,38 milhões. O comportamento das vendas foi semelhante: aumento mensal de 8,7% e quedas de 9,1%, em nove meses, e de 7,4%, em 12 meses.

O mercado externo, que já absorve uma fração menor da produção local (26,7 mil unidades em setembro), explica parte do mau desempenho do setor neste ano: as exportações de setembro caíram 35,3% ou mais de meio bilhão de dólares em relação a setembro de 2013 (de US$ 1,433 bilhão para US$ 927 milhões) e, nos primeiros nove meses, cederam 28,2%, ou US$ 3 bilhões.

Os fracos resultados externos se devem, em primeiro lugar, à deterioração do comércio com a Argentina. Bastaria repetir, neste ano, os números de 2013 do comércio de veículos com a Argentina para que a balança comercial brasileira tivesse saído do déficit para o superávit.

Mas isso não ocorrerá e, para compensar a queda das vendas para a Argentina, a Anfavea quer ampliar as exportações para Colômbia, México, Uruguai, Equador e países da África, o que, no entanto, depende das matrizes das montadoras.

Como foram fracos os números do setor no último trimestre de 2013, é possível que os últimos três meses deste ano apresentem crescimento na comparação com igual período de 2013. Em novembro do ano passado foram produzidas 293,2 mil unidades e, em dezembro, 268,3 mil.

Assim, basta que o setor mantenha o baixo ritmo neste trimestre para que os resultados do ano sejam melhores do que os de 2013. Não será nada animador para as empresas, pois há 400 mil veículos em estoque nas montadoras e revendedoras.

Fonte: O Estado de S. Paulo





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