A febre da placa preta no Paraná

Reis não abre mão da originalidade do seu FNM 1971: em vez de triângulo, ele usa um lampião a querosene para sinalizar

Reis não abre mão da originalidade do seu FNM 1971: em vez de triângulo, ele usa um lampião a querosene para sinalizar

O fenômeno dos carros antigos não se reflete apenas na valorização de modelos clássicos e no crescimento dos clubes automotivos, mas também na explosão da emissão das placas pretas, que identificam os modelos de colecionadores. Segundo um levantamento do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), de janeiro a outubro deste ano a frota no estado cresceu em 16% comparado ao mesmo período de 2013, o que deixa o Paraná entre os estados com maior número de veículos com a certificação, juntamente com São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Ao todo, são 2.124 antigos que rodam pelas ruas com placas de coleção – 1.575 na capital e 549 no interior –, o que coloca os seus proprietários em um grupo seleto dos apaixonados por carros. “Os carros com placa preta encantam as pessoas. E a partir do momento em que são certificados, eles têm o seu valor e a originalidade reconhecidos”, afirma David Reis, de Curitiba. Proprietário de um DKV 1964, uma Kombi 1975 e um caminhão FNM 1971 certificados, ele percebe que as placas pretas se tornaram uma forma de destacar os modelos em meio à ‘multidão’ de antigos que andam pela cidade.

Valorização

Mas, a identificação dos carros de coleção tem uma outra consequência: a valorização no mercado. O presidente do Kombi Clube Curitiba (KCC), Marco Rebuli, estima que, em alguns casos, os veículos com as plaquetas podem saltar de preço em até 50% somente com o recebimento da certificação. Para ele, o motivo de a certificação impactar nos preços está no carinho que os proprietários têm no trato dos veículos.

“Quando os carros fazem parte de uma coleção, você sabe que eles são bem cuidados. É como se eles tivessem acabado de sair da concessionária, mas com todos os itens da época. Com isso, eles deixam de ser vistos apenas como carros velhos e descuidados”, ressalta Rebuli, que já foi proprietário de um Fusca certificado.

Reis é um exemplo de colecionador que leva a sério a originalidade dos veículos. Em vez do triângulo de sinalização para acidentes, o FNM possui um lampião a querosene, que ele faz questão de usar em caso de troca de pneu ou de algum imprevisto.

Exigência

Para obter a certificação é necessário atender a uma série de exigências do Detran. A primeira delas é que o modelo tenha mais de 30 anos de fabricação e possua pelo menos 80% de peças originais. A avaliação é feita por um despachante credenciado. Além disso, o dono deve participar de algum clube de automóveis antigos. A renovação é feita uma vez ao ano.

Na opinião do presidente do KCC, o crescente interesse pelas plaquetas se justifica pelo maior acesso dos colecionadores aos carros de época, principalmente devido às importações e às vendas de modelos que rodavam em cidades menores e que chegam aos grandes centros. “Há um elo perdido nas cidades do interior. Encontramos muitos carros bem cuidados de donos que estão se desfazendo deles para comprar veículos mais confortáveis”, revela Rebuli, para a sorte dos colecionadores.

R$ 1 mil é o custo médio para a certificação de originalidade (80% das peças e componentes) do veículo. Já para mudar a categoria no Detran, o preço é de R$ 135,65. A renovação deve ser feita anualmente pelo departamento.

Passo a passo

Entenda como conquistar a placa preta:

1. O carro precisa ter 30 anos de fabricação e possuir 80% das peças originais. Além disso, o proprietário deve ser associado a um clube de antigos.

2. Com todos os pré-requisitos em dia, o dono deve levar o automóvel para um despachante credenciado pelo Detran, que fará a avaliação e certificação do veículo.

3. Ao receber o aval de originalidade de peças e estofamento, por exemplo, o profissional emite um certificado ao veículo, que passa para uma nova categoria no Detran.

Fonte: Gazeta do Povo

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