Empresa investe 16% da renda em segurança

por Blog do Caminhoneiro

roubo de cargasÀ medida que crescem os roubos de carga e a sofisticação das operações criminosas, mais exigentes tornam-se as seguradoras. Para oferecer uma logística de transporte segura, uma empresa da região de Santos-SP investe 16% do faturamento bruto em novas tecnologias.

“As seguradoras cada vez exigem mais segurança no transporte de mercadoria. Essa mercadoria tem que seguir destino com rastreador, um segundo rastreador, ou com isca de carga colocada junto à mercadoria. Já tivemos um caso, que eles (seguradoras) exigiram um rastreador de veículo, isca de carga e escolta armada”, afirmou o diretor do departamento de Tecnologia da Informação da ACL Cargo, Marco Antonio de Carvalho.

As medidas de combate e prevenção ao roubo de carga consistem em uso de rastreadores e gerenciamento de risco e custam caro. “Só a escolta armada representa 50% do valor do frete”, disse Carvalho.

“Com os valores investidos, seria possível comprar dois caminhões por ano e gerar pelo menos mais duas vagas no mercado de trabalho”, comparou Carvalho ao explicar o investimento anual de sua empresa em segurança.

O custo da logística segura é alto, mas Carvalho afirmou que não é possível repassar esse custo para o frete. “Hoje a concorrência é muito desleal. Tem empresa que cobra frete mais barato e, às vezes, a mercadoria não está nem coberta”.

“Estamos sempre buscando inovações e medidas que combatam o crime organizado, que também avança em tecnologia. Eles têm quem prospecta a mercadoria, eles sabem o número do contêiner, hora, terminal que vai sair, placa do veículo. Há uma equipe trabalhando com essa informação privilegiada, outra cuidando do operacional, outra que vende a mercadoria, eles têm logística de venda. O crime trabalha como uma empresa muito organizada”, afirmou.

O diretor de TI disse que a empresa realiza em torno de 200 viagens por mês para as regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste. “Temos 30 veículos próprios, todos rastreados, com tecnologias de última geração”.

Carvalho afirmou que entorno de terminais alfandegados nas zonas portuárias são os locais de maior risco de roubo de cargas.

Segundo o empresário e caminhoneiros ouvidos pela reportagem os produtos eletrônicos são os mais visados pelos assaltantes. Por isso, segundo Carvalho, essa mercadoria chega às lojas 1,5% mais cara para o consumidor final, pois no preço está incluído o custo de investimento em segurança no transporte.

De acordo com as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo, os roubos de cargas cresceram 14,81% no Estado, no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2013.

Na Baixada Santista, essas ocorrências subiram 7,35% nos primeiros seis meses do ano.

Mas, levantamento de janeiro a agosto da SSP, aponta o registro de 92 roubos de carga na região, sendo 18 só em agosto. Somando as ocorrências do Vale do Ribeira, o número sobe para 185.

Na Baixada, a maior incidência de roubos de carga ocorreu em Cubatão (30), seguido por Santos (19), Guarujá (15) e Praia Grande (12). No Vale do Ribeira, as ocorrências foram em Miracatu (41), Cajati (22) e Barra do Turvo (16).

Caminhoneiros se sentem inseguros com roubos

Apesar de toda tecnologia empregada nos caminhões contra roubo, caminhoneiros sentem-se inseguros quando pegam a estrada.

Carlos dos Santos é caminhoneiro autônomo há 28 anos. Na madrugada da última terça-feira, dia 18, ele foi assaltado no viaduto da Alemoa, permaneceu em poder dos assaltantes por cerca de quatro horas e teve seu caminhão roubado. A carga, peças automotivas que seriam transportadas para uma multinacional localizada em São Caetano do Sul, também foi roubada.

“Eu fiquei apavorado. Um carro parou na frente do meu caminhão, três homens armados saíram e entraram no caminhão e me levaram para a Cidade Náutica, com arma apontada para mim. Isso aconteceu por volta das 2h30. Dois homens me levaram para um matagal e ficaram comigo até as 6 horas, e aí me soltaram”, disse Carlos, que foi vítima de assalto e sequestro relâmpago pela primeira vez em quase três décadas de atividade.

O caminhão de Carlos não tinha seguro e ainda não foi localizado. O seu prejuízo foi de aproximadamente R$ 80 mil.

O caminhoneiro autônomo José Domingos Franco já foi vítima de dois assaltos. O primeiro ocorreu em dezembro de 2012, durante a madrugada, na saída de um terminal de contêineres na Margem Esquerda do Porto de Santos. O carregamento era de produtos eletrônicos. Segundo Franco, o caminhão era equipado com rastreador, isca de carga, além de outros recursos tecnológicos exigidos pelas seguradoras, e mesmo assim, o veículo foi interceptado.

“Carga de eletrônicos é mais visada, fácil de carregar e de vender. Eu fui rendido por dois homens armados que levaram a carga e o caminhão, depois acharam o caminhão”, contou o caminhoneiro.

O segundo assalto aconteceu oito meses depois, em agosto de 2013, na Rodovia dos Trabalhadores, região de Itaquaquecetuba. “Eu e meu pai fomos parados pelos assaltantes. Eu no meu caminhão e ele no dele. Mas os contêineres estavam vazios, então eles levaram celular e carteira. A ironia é que o assalto aconteceu a poucos metros do Batalhão da Polícia Militar”, disse Franco.

Franco é caminhoneiro há 20 anos. Ele contou que seis colegas foram mortos durante assaltos para roubo de carga. “Eu não paro em lugar nenhum durante as viagens para evitar assaltos”, concluiu.

“Seis em cada dez caminhoneiros viajam armados”. A afirmação é de um motorista autônomo que pediu sigilo sobre sua identidade.

“Nem a mais avançada tecnologia é páreo para o crime organizado”, disse. “Prevenção é pedir proteção a Deus. O caminhão tem rastreador, isca de carga, tudo que a seguradora exige. Quando um motorista é rendido por bandidos, o caminhão que tem um rastreador pode ser bloqueado, mas tem assaltante que usa um equipamento que desbloqueia e aí leva o caminhão”, comentou.

Fonte: Diário do Litoral

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