Randon vai ampliar férias coletivas este ano

Fabrica Randon Implementos




Depois da forte queda do desempenho no terceiro trimestre, considerado o “ápice do cenário negativo” do setor automotivo no país, o grupo Randon estuda antecipar e ampliar as férias coletivas de fim de ano para a maior parte de seus funcionários. A parada pode iniciar uma semana antes, em 15 de dezembro, e durar três semanas em vez das duas de 2013, disse o diretor de relações com investidores da fabricante de implementos rodoviários, vagões e autopeças, Geraldo Santa Catharina.

Conforme o executivo, a medida está em estudo para a acompanhar o calendário das montadoras e deve excluir a controlada Fras-le, que produz lonas e pastilhas de freios principalmente para o mercado externo e de reposição. Antes, a Randon havia reduzido a jornada de dois terços dos seus funcionários para quatro dias por semana de agosto a outubro e desde o início do ano diminuiu o quadro em 800 pessoas, para 11,3 mil empregados mediante a não reposição do “turn over”, explicou o diretor.

Com a queda generalizada do mercado de caminhões, ônibus e reboques rodoviários, a Randon fechou o terceiro trimestre com queda de 58,4% no lucro líquido consolidado ante o mesmo período de 2013, para R$ 32,7 milhões. A receita líquida consolidada recuou 21,8%, para R$ 887 milhões. As exportações renderam R$ 114,3 milhões, baixa de 22%, prejudicadas pela redução da demanda na Argentina, Chile e Paraguai.

A menor escala de produção teve efeito negativo na margem bruta, que caiu 3,8 pontos percentuais na mesma base de comparação, para 23,1%. Também impactou o lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, em inglês), que diminuiu 45,6%, para R$ 96 milhões, influenciada ainda pelo gasto não recorrente de R$ 10,4 milhões devido à adesão do grupo ao programa de refinanciamento de débitos federais batizado de “Refis da Crise”.

Conforme o diretor, a carteira de pedidos de semirreboques rodoviários está em 60 dias, 30 a menos do que neste mesmo período de 2013. Em compensação, a Randon tem 340 vagões ferroviários a entregar no quarto trimestre, de uma encomenda total de 500 unidades para o segundo semestre. “O impacto será muito relevante, pois um vagão equivale a quatro semirreboques”, comentou o executivo.

No acumulado dos nove meses, a queda no desempenho do grupo não foi tão acentuada. A receita caiu 9,5%, para R$ 2,9 bilhões e o Ebitda recuou 13,4%, para R$ 387,1 milhões, enquanto o lucro diminuiu 13,3%, para 162,4 milhões. Diante do pessimismo reinante ao longo de 2014 e da forte base de comparação referente a 2013, o ano “não é um desastre”, avaliou Santa Catharina. Segundo ele, as projeções para o desempenho deste ano, revisadas para baixo em agosto, estão mantidas.

As previsões incluem receita líquida de R$ 4 bilhões (ante R$ 4,4 bilhões no início do exercício) e investimentos de R$ 150 milhões, cifra que não foi alterada na revisão do “guidance”. Até setembro, os aportes tiveram queda de 70,8%, para R$ 69,4 milhões, mas o diretor conta com os desembolsos para a construção da nova fábrica de vagões e semirreboques em Araraquara (SP) para atingir a meta do ano. A unidade deve iniciar as operações em janeiro de 2016.

Fonte: Valor Econômico