Estudo aponta morte de 470 milhões de animais por atropelamento nas rodovias

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Mais de 470 milhões de animais silvestres morrem atropelados por ano no Brasil. A estimativa é do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas, ligado à Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais. O número foi estimado a partir de uma pesquisa que reuniu artigos científicos publicados por diversos estudiosos ao longo dos últimos anos.

Estima-se que a maioria faça parte do grupo dos pequenos vertebrados, como sapos, aves e cobras, mas há também animais de médio porte (gambás e macacos, por exemplo) e de grande porte (como onças e lobos-guarás). Isso resulta em uma triste estatística: 15 animais morrem por segundo nas estradas brasileiras. Os dados estão no site “Atropelômetro“, lançado pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).

Especialistas afirmam que, entre os animais domésticos, um dos fatores responsáveis pelos acidentes é a estrada, muitas vezes, cortar perímetros urbanos e servir de travessia. Já no caso dos silvestres, as ocorrências estão ligadas aos trechos que passam pelos seus habitats naturais e disponibilidade de alimentos ao longo das rodovias.

O Sudeste lidera com folga o ranking das estradas mais perigosas do país, já que é onde é registrado o maior número de animais atropelados. Questionadas sobre o assunto, concessionárias que administram sistemas na região se defendem.

No último sábado (3/1), o diretor de redação de Globo Rural, Bruno Blecher, resgatou um filhote de cão atropelado em Cubatão (SP), em um trecho sob administração da Ecovias, concessionária responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes, que liga a capital paulista ao litoral do Estado.

“Eu recolhi a cachorrinha e não sabia o que fazer, não há nenhum serviço de socorro na Ecovias para casos como esse”, disse Bruno. Ele levou o animal ferido até um pet shop de Cubatão. A cachorrinha, no entanto, não resistiu e morreu.

Procurada pela reportagem, a Ecovias enviou uma nota dizendo que “todos os colaboradores contratados pela concessionária para atuar como operadores de tráfego nas pistas recebem treinamento especial para lidar com o socorro e o encaminhamento correto dos animais resgatados nas rodovias, sejam eles caninos, felinos, equinos ou bovinos”.

A empresa alegou que a identificação de um animal ferido na pista pode ser feita pelo usuário ou pelo operador de tráfego. E garantiu que, tão logo a ocorrência seja informada, um carro é enviado para o socorro. “Não há no site da concessionária nenhum serviço específico para ocorrências com animais”, diz Blecher.

Segundo a Ecovias, caso o animal seja encontrado com vida, ele é encaminhado ao Centro de Controle de Zoonoses mais próximo. Já os aniamais mortos são “resgatados, envelopados em sacos plásticos apropriados e encaminhados para incineração realizada por empresa contratada para esse tipo de serviço”.

Já a AutoBan – administradora do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, que leva ao interior paulista – informou ter uma parceria com a ONG MataCiliar para resgatar animais silvestres feridos e reintegrá-los à natureza quando possível. Em relação aos domésticos, a empresa entende que a responsabilidade é do dono.

“A nossa função é não deixar que esse animal chegue à estrada, ou seja, manter a manutenção correta. E na questão dos animais de pequeno porte (os que mais morrem nas estradas), trabalhamos para conscientizar a comunidade a fim de evitar que os bichinhos possam alcançar as vias e se machucar”.

Em 2014, na região da Anhanguera-Bandeirantes, o número de animais silvestres resgatados subiu para 45% em um ano, de acordo com a MataCiliar.

A tecnologia como aliada

Pensando em uma forma de mudar essa situação, estudantes da Universidade Federal de Lavras (Ufla) criaram um aplicativo chamado ‘Urubu’, disponível para aparelhos com sistema Android.  O objetivo é mapear as estradas do país com dados sobre acidentes envolvendo animais silvestres.

A ferramenta funciona de maneira colaborativa. Os usuários são responsáveis por tirar e enviar as fotos para o banco de dados. Basta clicar, marcar o local e a data e pronto.

A estudante de veterinária Alice Penido de Carvalho, uma das participantes do projeto, explica que não custa nada baixar o aplicativo. “Ele vai servir para ajudar no mapeamento das vítimas das nossas estradas”.

Fonte: Revista Globo Rural