Vendas de máquinas agrícolas caíram 17,4% em 2014

enfardadora




A venda de máquinas agrícolas no mercado interno teve queda expressiva em 2014. O volume foi 17,4% menor, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta quinta-feira (8/1).

O número caiu de 83 mil para 70 mil unidades em um ano. Colheitadeiras e retroescavadeiras tiveram os piores números, com quedas de 25,9% e 38,8%, respectivamente. “O desempenho [de 2014] foi muito ruim, com queda de 21,1% em dezembro em comparação a novembro desse ano e 28,2% em relação ao mesmo mês do ano passado”, disse o presidente da associação, Luiz Yabiku Junior. Ele atribui o resultado às restrições de financiamento nos dois primeiros meses do ano passado e também no último mês de 2014.

Outro fator que alterou os ânimos dos compradores foi a contenção de gastos devido ao pessimismo generalizado que tomou conta dos consumidores, especialmente no período das manifestações. Também foi um ano atípico, com Copa do Mundo e eleições.

Todas as empresas associadas à Anfavea registraram queda nas vendas. Os negócios da New Holland caíram 21%, a maior entre tratores de rodas. A empresa também teve os piores números entre as vendas de colheitadeiras, com queda de 31,4%.

“(As vendas de) colheitadeiras não tiveram bom desempenho no mês de dezembro. Via Moderfrota, estamos na expectativa de que possa ser suprido no mês de janeiro parte das vendas que não foram feitas em novembro e dezembro”, completou Yabiku.

Exportações

As vendas para o exterior também caíram em 12,2% de 2013 para 2014. Yabiku relaciona a queda das exportações à crise argentina. Apenas a venda de tratores de esteira teve alta de 18%, com 1869 unidades no ano passado. Em dezembro, esse tipo de máquina cresceu 21,4% diante do mês anterior, mas caiu 15,7% se comparado ao mesmo mês de 2013.

Previsões

Para 2015, o presidente da Anfavea afirma que a expectativa é manter os números de 2014 “na pior das hipóteses” mesmo com as estimativas do PIB já divulgadas. No setor de máquinas agrícolas, a produção e vendas não devem variar. Já nas exportações, a Anfavea estima alta de 1%, cálculo feito a partir das expectativas das empresas do setor. “Queremos no mínimo repetir os números do ano passado”, declarou Yabiku.

Câmbio

Mesmo com o dólar sendo esperado na casa dos R$ 2,80 ainda no primeiro semestre do ano, a Anfavea não joga com o câmbio nas previsões. “Na parte agrícola estamos mantendo em nossa previsão para 2015 uma estabilidade, que se de um lado o câmbio ajuda, o preço das commodities agrícolas caiu. Por isso nós estamos estimando uma estabilidade. Se o câmbio continuar a subir e, por algum motivo, qualquer que seja, o preço dos produtos aumentar, aí eu vou ficar muito feliz porque vamos vender mais”, finalizou o presidente da Anfavea.

Fonte: Globo Rural