GREVE: Caminhoneiros acusam coação do governo federal

forca nacional - greve dos caminhoneiros




Em um dos dias mais intensos desde o início das manifestações há duas semanas, caminhoneiros desafiaram a Justiça e mesmo com liminares que estipulam multas de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hora em caso de bloqueio de rodovias, eles fecharam vários pontos de estradas em todo o Estado durante todo o dia. Em Cascavel, pela segunda vez, o Trevo Cataratas foi fechado e o dia foi tenso. Policiais da Força Nacional foram deslocados, ficaram de prontidão, mas não precisaram agir.

Os manifestantes fecharam a BR-277, nas proximidades do Trevo, ainda pela manhã. No início da tarde, policiais da Força Nacional chegaram ao local, houve um acordo e eles deixaram a rodovia. Menos de uma hora depois os caminhoneiros voltaram a interditar com a queima de pneus. A Força Nacional que havia se deslocado para desobstruir a BR-369, em Corbélia, retornou para Cascavel, ficou de prontidão porque os ânimos estavam exaltados, mas não houve necessidade de intervir. Os manifestantes despejaram parte de um carregamento de soja sobre a rodovia.

Os caminhoneiros dizem que não vão parar as manifestações. Um motorista de Cascavel que se identificou apenas como Claudemir disse que para dar proteção aos cidadãos o governo não tem polícia, mas na hora de inibir um protesto o policiamento está à disposição. “Porque ela [a presidente Dilma Rousseff] não manda a polícia cuidar de nós quando paramos para dormir em um posto?”, indaga o motorista.

Oseias Denck, caminhoneiro de Cascavel, classifica de “covardia” por parte do governo que endureceu com a categoria. “Isso é covardia de um governo ditador”, afirma. Ele ressaltou que não houve acordo com o sindicato dos motoristas autônomos na reunião de quarta-feira, mas sim com as empresas de transporte. Mesmo assim, diz ele, muitos donos de transportadoras também apoiam o movimento.

No final da tarde os motoristas fizeram uma “caminhonata” pela Avenida Brasil. Eles se concentraram nas proximidades do Trevo Cataratas de onde partiram pela Avenida Brasil até as proximidades do McDonalds. Durante o trajeto eles soltavam foguetes, recebiam aplausos e buzinavam muito. Alguns levavam faixas com frases de protesto. Grande parte dos motoristas de automóveis que passava pela Avenida Brasil decidiu demonstrar apoio aos caminhoneiros. Eles ligaram o alerta e acompanharam os caminhões fazendo um “buzinaço”.

A região Sudoeste do Paraná foi a que mais teve rodovias bloqueadas ontem. Logo nas primeiras horas do dia haviam 13 pontos de paralisação. Segundo o secretário-geral do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga) em Francisco Beltrão, Idair Parizotto, a proposta apresentada pelo governo é praticamente a mesma de 2012, quando também houve uma greve da categoria. “Não concordamos com esse pacotão do governo. Não queremos carência, queremos moratória dos financiamentos”, diz.

Apoio

O Sinditac informou que ontem e hoje o comércio de seis cidades da região – Pérola d’Oeste, Capanema, Planalto, Santo Antônio do Sudoeste, Pranchita e Barracão – abrirão parcialmente e os comerciantes irão às rodovias para apoiar os caminhoneiros.

A Amsop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná) reuniu na tarde de quarta-feira (25) mais de 30 prefeitos dos 42 que são ligados a entidade para discutir a questão. Eles decidiram que hoje e amanhã as prefeituras só terão expediente interno já que há falta de combustíveis em toda a região. Apenas creches e serviços emergenciais são mantidos. O prefeito de São João, Altair José Gasparetto (PSDB), que preside a Amsop, diz que a entidade entende e que é favorável as manifestações dos caminhoneiros.

Em alguns municípios da região, os caminhoneiros tiveram apoio de professores da rede estadual que estão em greve desde o dia 9 de fevereiro. A população também tem contribuído com água e alimentos para os manifestantes em diversos pontos de rodovias. Os caminhoneiros pretendem continuar com as manifestações pelos próximos dias enquanto não houver respostas para as reivindicações, a redução do preço do óleo diesel é a principal delas.

Fonte: CGN




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