Brasil e México negociam inclusão de veículo pesado em acordo

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Brasil e México exploram a possibilidade de incluir, no acordo automotivo entre os dois países, o segmento de veículos pesados (caminhões e ônibus) a partir de 2017. Hoje, apenas automóveis são beneficiados pela isenção nas tarifas de importação. As negociações serão retomadas hoje, na Cidade do México, ainda sem solução clara para um impasse.

O México insiste no livre comércio para o setor automotivo. Em 2012, após rápido crescimento nos embarques de carros mexicanos ao Brasil, a presidente Dilma Rousseff determinou a introdução de cotas para reduzir o déficit no comércio bilateral.

No último dos três anos de vigência das cotas, que se encerra dia 18 de março, as montadoras mexicanas têm permissão para mandar ao mercado brasileiro até US$ 1,6 bilhão livres de alíquotas de importação. O que excede esse valor paga 35% de tarifa.

Uma das hipóteses cogitadas pelos dois lados é incluir os veículos pesados no acordo, a partir de 1º de janeiro de 2017, a fim de equilibrar mais o fluxo comercial. Em tese, devido ao parque instalado no país, isso tende a beneficiar o Brasil. Fontes brasileiras alegam que a crise na economia americana tem provocado uma “invasão” de caminhões usados dos EUA no mercado mexicano, a preços muito baixos, contra os quais não haveria condições de competir.

Por outro lado, há dúvidas no ganho real de uma eventual inclusão dos ônibus no acordo. A brasileira Marcopolo já tem uma unidade de produção no México e exportar ônibus “made in Brazil” sem tarifas para aquele mercado só acentuaria uma concorrência com ela mesma. “É uma questão que precisa ser muito bem avaliada”, diz uma fonte que acompanha de perto o assunto.

Diante de todas essas incertezas, a segunda rodada de reuniões pode terminar novamente sem acordo entre os dois países. A primeira reunião ocorreu em Brasília, na sexta-feira passada, mas servia basicamente para medir a temperatura e definir as posições de ambos os lados.

O governo brasileiro rejeita o livre comércio e quer estender a vigência das cotas por pelo menos dois ou três anos – idealmente, trabalhasse com o prazo de cinco anos, a fim de dar “previsibilidade” ao comércio. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, já havia defendido publicamente esse prazo. O governo não quer o aumento das cotas.

Fonte: Valor Econômico




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