Jessica Wicht – Tem 19 anos e muito amor pela estrada

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Jessica Wicht sobe a bordo de um Mercedes-Benz Actros, dá partida no motor e os 480 cavalos de potência começam a roncar. Em seguida ela solta os freios, olha nos espelhos e está pronta para sair. A novata, com apenas 19 anos e uma grande vontade de trabalhar como caminhoneira, está passando por um treinamento para jovens motoristas em Allermöhe, na Alemanha, algo muito comum na Europa.

“No começo eu achei que o que seria mais difícil era prever com rapidez as frenagens em semáforos, para parar a tempo”, diz a jovem. Mas esse é apenas um dos desafios de dirigir um caminhão de 40 toneladas pelas ruas e estradas. Curvas, manobras, rotatórias, subidas são alguns dos desafios diários de todo motorista. Mas ela tem mais um desafio: superar o preconceito que muitos motoristas homens tem com mulheres ao volante, principalmente uma tão jovem.

Jessica-Wicht-19-Anos-Caminhoneira (2)Como medida de treinamento, a empresa em que trabalha lhe deu um caminhão leve, que dirige acompanhada de um motorista experiente, em entregas para mercados e atacadistas próximos. E ela tem feito tudo certo, e se destacado no treinamento, frente a motoristas mais velhos e com certa experiência ao volante. Por ano cerca de 25 mil jovens se inscrevem em programas de treinamento na Alemanha, porém menos de 15 mil concluem o curso e ingressam na profissão. Muitos países da Europa sofrem com o déficit de mão-de-obra na área de transportes.

Mesmo com salários iniciais de cerca de 3 mil Euros, o que se vê na Europa são pátios de transportadoras cheios de caminhões, à espera de motoristas. “Em alguns ramos de transporte, todos os caminhões estão no pátio, não temos mais motoristas”, diz Hendrik Jansen, CEO da empresa de logística Dachser.

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Em casos emergenciais, como férias ou doença de algum motorista, o caso é ainda mais grave. Não há substitutos. E isso está se tornando um problema cada vez maior, já que as projeções dizem que em 2020 o número de cargas transportadas por rodovias será quatro vezes maior.

Jessica-Wicht-19-Anos-Caminhoneira (1)Para diminuir o problema, grandes empresas de transporte e logística tem reduzido as frotas próprias e contratado empresas terceirizadas, com caminhões e motoristas próprios. Estas empresas são pequenas e médias, e tem cerca de 12 caminhões cada.

Jessica é uma exceção quando se fala em jovens alemães. Ela diz que o trabalho em escritórios não é para ela. E foi vendo um vídeo no Youtube, sobre o treinamento que a empresa Dachser oferece, que ela teve a ideia de trabalhar com caminhões. Os seus pais não conseguiam acreditar na escolha da filha, ambos são técnicos em gestão e tecnologia de rádio. Hoje a jovem se sente cada vez mais feliz por trabalhar na estrada.

Todos os dias ela se desloca por cerca de 30 quilômetros, de casa até o centro de logística da Dachser, onde tem trabalhado, e começa cedo: As 6 horas da manhã é o início do turno dela. Ela encontra o motorista que vai com ela, organiza a papelada e o faz o roteiro das entregas, e encosta o caminhão em uma das docas para o carregamento.

Somente em uma noite, nesse centro logístico da Dachser, chegam em média 1000 toneladas de cargas para serem entregues no dia seguinte. Em toda a Europa a empresa opera 41 centros logísticos e tem mais de 6 mil caminhões nas estradas.

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Jessica atualmente trabalha em um Mercedes-Benz Atego 1227, de 270 cavalos de potência. No início do treinamento ela viajava ao lado de outros motoristas, mas apenas no banco do passageiro. Em poucas semanas ela passou para o posto de comandante. Somente no terceiro ano de estágio é que ela será enviada sozinha para a estrada.

Jessica faz muitas entregas durante o dia, para empresas e também de encomendas para clientes privados. Ela diz já ter entregue máquinas de lavar, TVs, e até uma mesa de bilhar. Durante o treinamento ela passará e será testada em todos os tipos de caminhões, além de ter de fazer um curso em uma escola profissional quatro vezes por ano, com duração de um mês.

Jessica leva uma vida normal fora da empresa, namora e faz tudo que um jovem faria, mas agora tem mais responsabilidade, por estar sendo testada continuamente. Iniciativas como a da Dachser e de outras empresas já são comuns na Europa, mas ainda precisam ser mais atraentes para conseguir trazer mais jovens como Jessica para os caminhões.

O que mais afasta os novos motoristas é as distâncias das viagens e o tempo fora de casa, pois muitas das viagens são para outros países. Jessica tem gostado muito da vida ao volante, e não se arrepende da escolha que fez. E vai seguir viajando e treinando, até ter seu próprio caminhão na empresa.

Fonte: DAE WELT – Tradução Blog do Caminhoneiro







Um comentário em “Jessica Wicht – Tem 19 anos e muito amor pela estrada

  • 04/05/2018 em 14:25
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    Hola. Eu me chamo Rodrigo e a 10 anos estou trabalhando na europa como camioneiro.
    Na estrada vemos algumas mulheres q trabalhao nesta profissao, especialmente na frança onde encontramos o maior numero.
    Outra coisa q quero deixar claro é q o salario inicial nao é de 3 mil euro como diz na materia.
    Eu ja trabalheir em varias empresas e nunca ganhei este valor e tampouco conheço pessoas q ganham isso. O salario do transporte na europa ronda os 2400,00€ (dois mil e quatrocentos euros) isso si voce tiver muitos anos de experiencia no transporte internacional.
    Só pra esclarecer isso certo.

    Saudaçoes.
    Rodrigo.

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