Cegonheiros da Volkswagen entram em greve na segunda

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Motoristas de caminhão-cegonha que prestam serviço para a Volkswagen decidiram, em assembleia realizada na manhã de ontem, que farão paralisação em todo o Brasil a partir de segunda-feira. A greve será por tempo indeterminado e tem como objetivo protestar contra a possibilidade de a montadora descredenciar cerca de 20 mil trabalhadores (sendo 5.000 no Grande ABC) autônomos ou que atuam como terceirizados em pequenas e médias empresas que, por sua vez, atendem a pelo menos três grandes transportadoras conveniadas com a fábrica alemã.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, a Volkswagen teria sinalizado a intenção de romper os contratos com as companhias responsáveis pela distribuição dos veículos da marca no Brasil, como Tegma, Brazul e Transauto. Com isso, os cerca de 5.000 motoristas do Grande ABC que prestam serviços a essas empresas ficariam desempregados, agravando a situação do mercado de trabalho no Grande ABC. Nos últimos 12 meses, as empresas da região eliminaram 23.658 postos, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Para substituir a mão de obra desses cegonheiros, a montadora estaria planejando contratar apenas uma distribuidora. A empresa que seria colocada no lugar, segundo o vice-presidente do sindicato, Jaime Ferreira dos Santos, não é da região.

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Os motivos da substituição ainda não foram oficializados. “Tem uma pessoa lá dentro (da Volkswagen), que futuramente falaremos o nome, que resolveu trair a categoria, quebrando as nossas pernas e desempregando mais de 5.000 pais de famílias do Grande ABC simplesmente porque está levando alguma vantagem e resolveu fazer isso de forma desonesta”, acusa Santos.

O vice-presidente acrescenta que a modificação pode ter outro objetivo: o de enfraquecer o movimento sindical. “O que estamos entendendo é que querem desestruturar o sindicato, que é uma entidade nacional reconhecida.” A agremiação representa cerca de 3.500 micro e pequenas empresas, além dos trabalhadores autônomos, que prestam serviço para as distribuidoras contratadas pela montadora.

Santos espera que, com a paralisação na segunda-feira, a empresa chame o sindicato para negociar. “Esperamos que prestem os esclarecimentos necessários.” A categoria se reunirá às 7h em frente ao portão principal da fábrica para protestar. A Volkswagen foi procurada pela equipe do Diário para comentar a situação, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

Com a greve, cerca de 850 veículos por dia deixarão de ser enviados da fábrica de São Bernardo para as concessionárias do País. A paralisação também atingirá outras três plantas da montadora no Brasil: São Carlos, Taubaté e São José dos Pinhais, no Paraná.

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Nesse momento delicado de economia, a Volkswagen busca reduzir custos e entra em conflito com os cegonheiros, ao decidir descredenciar as companhias que hoje fazem o transporte dos veículos – por meio de 5.000 autônomos e profissionais que atuam terceirizados em pequenas empresas só na região e 20 mil em todo o País. Não é a primeira vez que uma montadora tenta rever contrato de atendimento logístico e a mudança resulta em tumulto.

Um exemplo marcante ocorreu com a General Motors e a Ford, no início de 1999 – quando o País também enfrentava crise. As duas empresas insistiam em realizar concorrências, mas equanto a GM, poucos dias depois, fechou acordo com os carreteiros, a Ford bateu o pé, definindo outra empresa para realizar a entrega dos carros às concessionárias.

Na época, a greve durou cerca de 30 dias e foi marcada pela violência. Por meio de mobilização, coordenada naquele período pelo Sindicato dos Cegonheiros Autônomos, os trabalhadores tentaram impedir que as carretas da companhia vencedora da concorrência saíssem para fazer a entrega em outros Estados. Durante os dias de paralisação, dois transportadores autônomos foram baleados enquanto o sindicato realizava assembleia em local próximo à Ford.

Fonte: Diário do Grande ABC




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