Dívidas levam transportadoras à beira da falência

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O juiz Flávio Miraglia Fernandes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, autorizou a recuperação judicial da Transportadora Novo Futuro Ltda e da TNF Transportes e Logística Ltda., que atuam no ramo de transporte de grãos no Estado.

A decisão do magistrado é da última terça-feira (18).

As transportadoras, de propriedade dos empresários Ronaldo de Almeida Moura e Maurício Ramalho de Oliveira, declararam dívidas na ordem de R$ 8,6 milhões.

A Novo Futuro e a TNF, que atuam no mercado desde 2009 e 2013, respectivamente, culparam a crise do setor de transportes no país como o principal fator para a situação ruim do grupo.

A documentação apresentada pelas transportadoras no processo, segundo o juiz Flávio Miraglia, comprovour a “crise econômico-financeira” do grupo e o atendimento aos requisitos necessários para a autorização da recuperação judicial.

O magistrado designou o advogado Christiano César da Silva para atuar na condição de administrador judicial das empresas.

O profissional terá direito a receber 3% sobre o valor da dívida, o que resulta em pouco mais de R$ 250 mil.

Parte desse valor será abatida por meio de pagamentos mensais de honorários, arbitrados em R$ 6 mil.

Com a recuperação, os órgãos de proteção ao crédito, como o SPC e Serasa, devem retirar as restrições existentes contra as empresas, e não inserir novas negativações, pelo prazo de seis meses.

A crise

A Transportadora Novo Futuro Ltda e a TNF Transportes e Logística Ltda. relataram que prestavam serviços para empresas como as multinacionais ADM e Bunge, sendo que, com esta última, a Novo Futuro mantinha, até julho de 2014, contrato de transporte de grãos.

Porém, o contrato não foi renovado, em razão de aumento excessivo de caminhões no mercado.

Somado a isso, as empresas alegaram que o ramo de transportes está vivenciando “a maior crise do setor na história do Brasil”, pois não só elas, mas a maioria das empresas da área está com 30% da frota inoperante, em razão da perda de mercado e da derrubada nos preços de fretes pelas multinacionais e indústrias nacionais que os contratam.

As dificuldades levaram o grupo empresarial a buscar empréstimo junto aos bancos, “na esperança de que a crise fosse superada, o que não ocorreu até os dias atuais, restando agravada neste ano pela elevação do preço do combustível, pedágio e pneus, além da carga tributária, impossibilitando o cumprimento dos compromissos firmados anteriormente”.

As transportadoras argumentaram que chegaram a vender bens e reduzir gastos para superar a crise, mas foram vencidas por fatores como inadimplência, concorrência desleal, redução do lucro e elevados custos tributários e operacionais.

Outro agravante, segundo as empresas, foi o plano do governo federal para facilitar na aquisição de caminhões, a suspensão de produção de importantes empresas do ramo, como a Mercedes, Scania e Iveco e a crise instalada no país, especialmente no setor automobilístico, que possui previsão de paralisação de mais da meta das indústrias ainda este ano.

O fato de a própria banca de advogados que defendem as empresas já ter entrado com outros quatro pedidos de recuperação as últimas semanas também foi citado pelas transportadoras para justificar a “crise instaurada no setor em todas as regiões do país”.

Fonte: Midia News




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