Máquinas agrícolas em marcha à ré

trator massey ferguson




As vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias no atacado atingiram 4.007 unidades em julho, queda de 9,1% na comparação com junho e recuo de 37,5% ante o mesmo mês do ano passado, informou nesta quinta-feira, 6, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, as vendas do segmento acumulam retração de 27,5% nos primeiros sete meses de 2015.

As vendas internas de tratores alcançaram 3.237 unidades, queda de 13% em relação a junho e de 39,7% comparado a igual mês do ano passado. No acumulado do ano, a redução nas vendas internas de tratores chega a 25,4% em relação ao mesmo período de 2014. Já as vendas de colheitadeiras cresceram de junho para julho, chegando a 376 unidades, alta de 18,6%. No comparativo com julho de 2014, contudo, o recuo chega a 22%. De janeiro a julho, a queda nas vendas de colheitadeiras chega a 30,8% ante o mesmo período do ano passado.

A produção de máquinas agrícolas e rodoviárias somou 5.119 unidades em julho, alta de 41,6% na comparação com junho e retração de 41,8% ante o mesmo mês do ano passado. De janeiro a julho, a fabricação de máquinas agrícolas acumula recuo de 27,7% na comparação com igual período de 2014. A receita com as exportações de máquinas agrícolas totalizou US$ 746,9 milhões em julho, queda de 25,7% na comparação com junho e de 24,7% ante igual mês do ano passado. Com o resultado, as vendas externas de máquinas agrícolas apontam recuo de 10% neste ano até julho.

O total de máquinas agrícolas exportadas no mês passado foi de 843 unidades, queda de 23,4% na comparação com junho e recuo de 35,7% ante julho do ano passado. No acumulado do ano até julho, as vendas externas recuaram 21,3% ante igual período de 2014. Em julho, 609 tratores foram exportados, 23,4% menos que as 1.100 unidades vendidas em junho. A queda chega a 35,7% ante o mesmo mês do ano passado e a 21,3% de janeiro a julho, ante igual período de 2014. As vendas externas de colheitadeiras somaram apenas 6 máquinas em julho, ante 15 no mês passado. De janeiro a julho de 2015, o recuo nas exportações chega a 56,7% comparado ao mesmo período do ano passado.

Reação

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse que há expectativa de reverter o resultado negativo das exportações de maquinário para o agronegócio. “Esperamos recuperar as exportações de máquinas agrícolas em agosto”, afirmou.

De acordo com o executivo, as vendas em julho caíram especialmente em função de dois fatores. Um deles foram as férias coletivas concedidas por algumas empresas, em especial aquelas com perfil exportador. Diversas montadoras, como Massey Ferguson, New Holland e Case IH adotaram, entre junho e julho, férias coletivas e paradas de fábrica para funcionários. Já a John Deere reduziu turnos, antecipou férias e trabalhou com banco de horas.

Outro fator que contribuiu para o resultado negativo das vendas externas, segundo Moan, foi a dificuldade na aprovação do programa Mais Alimentos internacional (que, entre outros pontos, oferece condições diferenciadas para que pequenos e médios produtores adquiram máquinas agrícolas). De acordo com Moan, a Anfavea vem dialogando com o governo federal e uma definição sobre o assunto deve ocorrer em breve.

Pessimismo

O presidente da Anfavea disse ainda que é preciso reverter o baixo índice de confiança dos produtores rurais brasileiros, apontado como um dos fatores da retração nas vendas internas de máquinas. “Em minha opinião, na área agrícola, não há razão para esse clima de pessimismo”, afirmou.

Segundo Moan, tanto grandes produtores como pequenos estão retraídos para fazer novas compras. Apesar da queda nos preços internacionais das commodities, a última safra e as exportações de grãos bateram recorde e as cotações do dólar “mais do que compensam as cotações mais baixas das commodities” no mercado internacional, segundo o executivo.

Em relação ao próximo semestre, a Anfavea vem trabalhando com um previsão de redução nas vendas de máquinas agrícolas na faixa dos 25%. Contudo, uma revisão deste porcentual ainda pode ser feita, de acordo com a implementação do Plano Agrícola Agropecuário nos próximos meses.

A vice-presidente da entidade, Ana Helena de Andrade, comentou que houve problemas na liberação de crédito por meio de linhas públicas entre o fim de junho e começo de julho, na migração do Plano Safra 2014/15 para 2015/16, o que afetou no período. Contudo, os recursos do plano atual começaram a ser liberados a partir da metade do mês de julho, segundo a executiva. “A partir de então, quando o BNDES liberou as linhas (de crédito), esse problema foi superado”, afirmou Ana Helena.

Fonte: Estadão Conteúdo




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