Mercedes demite mais 1,5 mil no ABC

por Blog do Caminhoneiro

linha de montagem mercedes-benzApós enviar cartas a funcionários comunicando o encerramento de seus contratos a partir da próxima terça-feira, a Mercedes-Benz revelou o tamanho do ajuste de efetivo em curso na fábrica de caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. No total, a montadora está demitindo 1,5 mil trabalhadores, o que corresponde a cerca de 15% dos aproximadamente 10 mil empregados ocupados no local.

Como antes do agravamento da crise setorial a empresa empregava por volta de 12 mil pessoas no ABC, o novo corte eleva para algo próximo de 3,5 mil trabalhadores o total que deixou a fábrica desde o início do ano passado. Entre demissões voluntárias ou realizadas de forma arbitrária pela companhia, isso equivale a uma redução do quadro que beira os 30%.

Ontem, na volta do pessoal da licença remunerada que paralisou a produção da Mercedes nas últimas duas semanas, o sindicato dos metalúrgicos do ABC deflagrou uma greve por tempo indeterminado para pressionar a montadora a desistir das demissões. Os funcionários começaram a receber na sexta-feira os telegramas com o aviso da dispensa, mas a rescisão dos contratos só será efetivada daqui uma semana. O desejo deles é que o caso tenha desfecho parecido com o que aconteceu na fábrica da General Motors (GM) em São José dos Campos (SP), onde uma greve conseguiu suspender as demissões de quase 800 operários.

Em comunicado encaminhado à imprensa, a Mercedes cobrou, no entanto, “sacrifícios mútuos” para preservar os postos de trabalho, numa referência à recusa do sindicato de recolocar à votação a proposta rejeitada no início de julho que, em troca da manutenção dos empregos, cobrava a redução dos salários em 10%, o corte pela metade do reajuste salarial programado para o ano que vem e o congelamento das promoções salariais.

grafico vendasHá uma semana, o sindicato e a Mercedes voltaram a negociar alternativas a demissões, mas as negociações foram interrompidas porque a montadora insistiu na manutenção dessa proposta, ao passo que a entidade que representa os trabalhadores descartou reapresentar aos empregados termos que já tinham sido recusados em votação secreta por 74% dos funcionários da fábrica. As negociações foram, então, interrompidas, sem uma reunião agendada para os próximos dias.

A situação da Mercedes, maior montadora de veículos comerciais pesados do país, retrata o ocaso de uma indústria que, do recorde de vendas em 2011, tem agora sua produção reduzida ao patamar de doze anos atrás. Há quatro anos, a montadora de origem alemã chegou a contratar 950 pessoas para trabalhar na fábrica de São Bernardo, abrindo, na época, um inédito terceiro turno para a produção de caminhões. Em paralelo, com o objetivo de desafogar o parque paulista, investiu R$ 450 milhões na adaptação, para a produção de caminhões, da fábrica de Juiz de Fora (MG) que montava carros.

A marca se preparava a um mercado que prometia vendas crescentes, no embalo da expansão do agronegócio, das obras de infraestrutura e da maior demanda por transporte de mercadorias decorrente do avanço do consumo. Ao tombo de 2012, quando a produção de caminhões no Brasil caiu mais de 40%, seguiu-se uma recuperação puxada por compras do governo e generosas taxas de juros nos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A retomada, porém, não se sustentou diante da deterioração das condições econômicas.

Os juros baratos e o crédito fácil deram lugar ao aperto na política fiscal, enquanto a promessa de grandes obras esbarrou na paralisia de projetos pós-operação Lava-Jato. E o pior de tudo, segundo dizem executivos de montadoras, falta confiança para as empresas transportadoras investirem na renovação de suas frotas.

Neste ano, as vendas de caminhões da Mercedes caem 43% em relação a 2014 e não chegam a metade do que eram quatro anos atrás. A fábrica no ABC vem usando apenas metade da capacidade, forçando a montadora a adotar diversas medidas para gerenciar um excesso de mão de obra estimado em 2 mil pessoas. Entre elas, chegou a manter 500 operários afastados da produção por onze meses, até demiti-los em maio. Caso as novas demissões sejam confirmadas, a empresa ainda ficaria com cerca de 500 empregados além do necessário.

A Mercedes afirma que medidas do tipo provocaram custos que não podem mais ser suportados, dado o agravamento da crise. Diz também não ter expectativa de reação desse mercado em 2016.

Fonte: Portal Valor Econômico Texto de Eduardo Laguna

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