Vozes da experiência

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De uma vez só, Neves, que é português de nascença e chegou ao Brasil com apenas um ano, realizou o sonho dele e da mãe. “Meu pais vieram para cá trabalhar como lavradores e minha mãe dizia que se fosse homem trocaria a enxada pela boleia. Naquela época, não se podia imaginar uma mulher dirigindo um caminhão, mas eu sei que indiretamente realizei o desejo dela quando fiz 18 anos, tirei a carteira de habilitação e caí na estrada.”

Por sua vez, Castro seguiu os passos do pai, que também foi motorista, mas diz que já nasceu apaixonado por caminhões. “O único período que eu fiquei longe da estrada foi na época do exército, mas mesmo assim lá me colocaram para trabalhar na oficina e como motorista”, recorda ele que, além de dirigir, adquiriu conhecimentos em mecânica e ao longo da vida pode ajudar muitos colegas na beira da estrada.

Lições da profissão

Mais do que a experiência profissional de uma vida inteira, os motoristas se orgulham da forma como vêm escrevendo suas histórias. Neves afirma nunca ter sofrido sequer um acidente e dá a sua receita: medo. “No meu início de carreira, ouvi de um motorista experiente que enquanto ele tivesse medo, teria a vida. Absorvi o conselho e desde então dirijo com medo de tudo: sol, chuva, polícia rodoviária, curva… Dessa forma me mantenho prudente e faço a minha parte para voltar para casa são e salvo”, deixa a dica.

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Marco Antonio Castro: 69 anos de vida, 48 oito de profissão e, segundo o próprio, ainda com muito asfalto para percorrer

Além de respeitar a própria vida, Castro ressalta a importância de se preocupar com a vida de quem vai na mesma direção ou no sentido contrário. “A pressa é a maior inimiga do motorista, mas infelizmente muitos não entendem isso e cometem absurdos ao volante. Uma coisa que eu prezo muito é o coleguismo entre a classe, que engloba esse cuidado que devemos ter uns com os outros e que passa pela boa conduta individual”.

Scanias pelo caminho

“Tem gente que nunca nem ouviu falar, mas eu dirijo Scania desde o Jacaré 76. Depois veio o 102, o 110, o 111, o 112, 114, 124. É Scania e número pra não acabar mais”, diverte-se o mineiro Castro, que hoje vive com a família no Paraná e transporta grãos do Estado para Mato Grosso e Goiás a bordo de um Scania 124 360 engatado com bitrem. “É um caminhão muito confortável, ótimo para dar manutenção, encontrar peça de reposição. Para trabalhar, não tem marca melhor.”

Antônio Neves reitera o colega: “meu primeiro Scania foi um Scania Vabis 59 e foram 36 anos na marca. Agora no final do ano, se tudo der certo, eu compro um P 360. Scania é primeiro lugar disparado no meu ranking”, conta ele, que transporta carga seca da Paraíba para os demais Estados da região Nordeste e procura acompanhar feiras e evento e ler bastante para se manter atualizado sobre as novas tecnologias aplicadas para o segmento de transporte.

MMCB: sempre é tempo de aprender

Na edição 2014 do Melhor Motorista de caminhão do Brasil, lá estavam os dois motoristas — Marco Castro na etapa da Casa Scania Movesa Trux, em Jaboatão dos Guararapes (PE), e Antônio Neves na Battistella de São José dos Pinhais (PR). “Já tinha participado em 2012 e enquanto Deus me permitir eu estarei sempre lá, pois é uma oportunidade a mais de aprendizado, sem falar no prazer de dirigir os melhores caminhões da Scania, como o R 620, uma grande emoção”, conta Neves que terminou a etapa do ano passado na 15ª colocação.

“Fui homenageado por ter a CNH mais antiga e fico feliz por saber que a Scania reconhece quem já contribuiu tanto. Somos responsáveis por transportar as riquezas do nosso país e precisamos nos orgulhar disso. Sinto que esse é um sentimento que falta nos motoristas mais jovens, mas o Melhor Motorista de Caminhão do Brasil resgata isso, incentivando a nossa capacitação e valorizando-nos”, elogia Castro, que não se imagina longe das estradas: “quando me aposentei, com uma semana dentro em casa comecei a adoecer, aí eu voltei e no que depender da minha vontade, ainda terei alguns anos de asfalto para percorrer”, finaliza.

Fonte: Scania