MAN adere ao PPE sem reduzir salário de seus operários

por Blog do Caminhoneiro

linha de montagem man latin america (2)A MAN, que produz caminhões e ônibus da marca Volkswagen em Resende, no sul do Rio de Janeiro, acertou um acordo inédito de adesão ao programa de proteção ao emprego (PPE), no qual a empresa vai complementar a compensação dada pelo governo federal para não reduzir os salários de seus funcionários em 2016.

Nas montadoras que fecharam acordos do tipo antes da MAN ­ caso de todas as fábricas da Volkswagen e dos parques industriais das concorrentes Mercedes-Benz e Ford no ABC paulista ­, os trabalhadores, para não perderem empregos, aceitaram reduzir temporariamente em 10% os vencimentos, o equivalente à metade da redução da jornada negociada pelas empresas com os sindicatos. A outra metade é financiada por recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o que amplia para 20% a economia obtida pelos empregadores.

No caso da MAN, a economia será de 10% porque a companhia vai assumir a parcela que cabe aos empregados nos acordos convencionais. Em compensação, para aceitar essa condição, a montadora manterá os salários dos funcionários congelados pelo segundo ano consecutivo.

O PPE substitui a partir de janeiro o acordo coletivo que reduziu em 10% a remuneração dos trabalhadores da montadora de veículos comerciais neste ano. Como a edição do PPE, em julho, abriu a possibilidade de transferir essa conta para o caixa do FAT, os funcionários da MAN, na prática, voltarão a receber no ano que vem os rendimentos que tinham até dezembro de 2014.

A companhia, por sua vez, continuará tendo uma economia de 10% na folha de pagamento e, pela proposta aprovada, só vai aplicar em janeiro de 2017 a correção dos salários pela inflação que deveria ser feita em maio. Nas demais fabricantes de veículos que aderiram ao programa, os trabalhadores aprovaram a redução temporária de rendimentos, mas, com exceção da fábrica da Volks em Taubaté (interior paulista), garantiram reajustes salariais.

As concessões feitas pela MAN para aprovar o novo acordo incluíram uma carga extra de R$ 240 no cartão alimentação, que será de R$ 350 por mês entre janeiro e dezembro de 2016. Já no dia 30 de maio, serão pagos R$ 3 mil da primeira parcela da participação nos lucros e resultados (PLR).

A partir de janeiro, a montadora vai parar a fábrica de Resende um dia por semana, o equivalente a um corte de 20% na jornada. O acerto da parcela custeada pela empresa nos dias de paralisação será feito em três parcelas.
Rejeitada no mês passado, a proposta foi aprovada pelos operários em assembleia realizada na tarde da última quinta­feira, após a MAN, segundo informações do sindicato, anunciar demissões.

O objetivo do PPE é evitar cortes num momento de grave crise na indústria de caminhões e ônibus. Nas contas da própria MAN, o setor opera com ociosidade de 70%. O excesso de mão de obra na unidade de Resende é estimado em 1,4 mil operários, ou o equivalente a um terço do efetivo de aproximadamente 4 mil funcionários. Se as condições do PPE se estenderem pelos doze meses de 2016, como permitem as regras do programa, a MAN não poderá demitir sem justa causa ou de forma arbitrária esse pessoal até abril de 2017.

Neste ano, as vendas de caminhões no país caem 45%, o que levou a produção desse veículo ao menor patamar em doze anos.

Fonte: Valor Econômico

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