Montadoras querem renovação da frota

caminhao antigo - mercedes-benz




Para enfrentar a queda nas vendas, que chegou a 26,5% no ano passado, o setor automotivo tenta incluir na pauta do governo o programa de renovação de frota, que permite aos donos de veículos com mais de 20 anos de uso se desfazerem de seus veículos e, em troca, receberem uma carta de crédito para aquisição de um novo veículo.

A preocupação do Palácio do Planalto com recuperação da economia e a chegada de Nelson Barbosa ao Ministério da Fazenda reanimaram nas montadoras a esperança de conseguir aprovar o antigo pleito, que estava engavetado há anos. A renovação da frota tem a simpatia do ministro de Desenvolvimento, Armando Monteiro, mas falta convencer Fazenda e Planejamento. Ontem, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Luiz Moan, fez uma peregrinação pelos gabinetes da equipe econômica em defesa do programa.

O conceito do trabalho é muito bom, todos os ministros com quem nós conversamos gostam muito da ideia. O que nós precisamos agora é ter um tempo adequado para o governo analisar esse trabalho, fazer as perguntas e simulações que tiver que fazer e, com certeza, nós vamos conseguir ter um programa mais consistente — disse Moan.

Ainda não há, segundo o executivo, uma ideia definida de quem irá bancar a carta de crédito ou qual o valor dela. Mas uma das ideias, explicou Moan, seria usar as carcaças dos veículos velhos. O principal alvo seriam 230 mil caminhões em circulação no país que, segundo a Anfavea, têm mais de 30 anos de idade. No fim do dia, a Fazenda divulgou nota negando qualquer concessão de subsídios ou equalizações.

“O Ministério da Fazenda se comprometeu a avaliar as propostas, mas esclarece que não há no momento espaço fiscal para nenhum tipo de projeto que implique dispêndio com subsídios ou equalizações” diz a nota da Fazenda.

Seminovos: Alta de 33%

Enquanto as vendas de veículos novos seguem despencando — a previsão das montadoras para este ano é encolher mais 7,5% o consumidor está optando pelos seminovos. A venda de veículos com com até três anos de uso cresceu 33% em 2015, segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). Nesta faixa, foram vendidos quatro milhões de unidades frente aos 3 milhões comercializados em 2014.

Enquanto a venda de veículos novos encolheu em 1 milhão de unidades entre 2014 e 2015, o segmento com até três anos de uso cresceu 1 milhão, ressaltou o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos.

Para Santos, a desconfiança dos brasileiros em relação à economia levou à queda de venda de veículos zero. E muitos consumidores que decidiram trocar de veículo optaram por modelos seminovos:

Muita gente vendeu o veículo mais velho e completou o valor para pegar um seminovo e pagar à vista. No ano passado, apenas 35% dos que compraram um veículo usado utilizaram financiamento. E, entre os que usaram, o número de prestações ficou entre 36 e 40 meses, não mais os 60 meses de anos anteriores.

Fonte: O Globo





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