A Lenda, como ficou conhecido o King Of The Road da Scania no Brasil, também foi astro da televisão. O modelo foi usado nas filmagens do Seriado Carga Pesada, entre 1979 e 1981, como forma de publicidade para a Scania, e que ajudou a aumentar o carisma da marca com os consumidores. O seriado foi usado pela Scania como porta para demonstrar as qualidade do produto, desmitificando a fama de caminhão gastador que o modelo teve no começo de sua carreira. Para o seriado, a Scania disponibilizou um modelo completo, engatado em uma carreta, e também uma cabine, que era usada para gravações internas.
Dsqui é um aficionado por caminhões, e nunca deixou de seguir os rastros deixados pelo caminhão, até encontrá-lo. Basicamente, o que está escrito acima era o que se sabia do caminhão. Mas hoje sabemos que ele teve uma longa história depois disso, continuou rodando até mesmo em uma área portuária, e depois, aposentado, acabou sendo finalmente encontrado.
Continuando a história, o caminhão foi vendido em 1991 para um motorista da Rodoviário Michelon, Jarbas Rodrigues de Lages-SC. Nas mãos de Jarbas o caminhão continuou rodando, até que uma ligação da 17ª DP do Rio de Janeiro interrompeu essas viagens. No telefonema, os policiais solicitaram que o caminhão fosse levado até lá para uma averiguação, pois havia sido encontrado um clone dele. Como não se sabia qual era o verdadeiro, o Scania ficou retido para averiguação. O processo total levou cinco anos, até que a Scania deu o veredicto e apontou qual era o Scania “Carga Pesada” original, que era o caminhão de Jarbas. Enquanto o caminhão ficou detido, a Michelon disponibilizou outro caminhão para Jarbas, que após a solução do problema com a polícia, não mostrou interesse em reaver o LK. A Michelon também não teve interesse em ficar com o caminhão, por isso, ele foi vendido para o motorista Dener, que fazia transporte de papel em Bragança Paulista, e posteriormente foi vendido novamente para o Sr. Duran, que fazia o transporte de contêineres no Porto de Santos.
Antes de ser encontrado por Dsqui, o caminhão ficou parado por sete anos, porque o Sr. Duran teve problemas de saúde e não pode mais dirigir.
Dsqui é de Santa Vitória do Palmar-RS, cresceu ao lado da BR-471, que era rota da Michelon para o Uruguai, e já conhecia a fama do Rodoviário Michelon na década de 80. Ele conta que sempre ouvia dos motoristas da empresa as histórias sobre o LK 141 do Carga Pesada. Essas histórias marcaram Dsqui e sua curiosidade sobre o caminhão só crescia.
“Desde 2005, eu procurava o LK, pesquisando dados aqui e ali, mas sem exito, até que em 2014, um amigo e eu criamos uma página no facebook chamada MEMÓRIA RODOVIÁRIO MICHELON, dai em diante, foi bem mais fácil, com dicas do Jarbas, do ”Serração’ e da Sra. Silvia Trevisan, que foi uma das chefes da Michelon e tem a cópia da nota de compra do caminhão pela Michelon; já o Jarbas me deu vários detalhes, como as furações onde ficavam os microfones e câmeras. Na metade do ano passado, me joguei ao Porto de Santos, e fiquei por lá durante 20 dias procurando o caminhão, só queria encontrá-lo, e num lance de sorte, o vi em um pátio e pedi pra fotografa-lo, e o dono me ofereceu…. Não tive dúvidas, comprei-o e trouxe para minha cidade, onde está sendo desmontado para catalogar as peças e registrar para que possamos pensar no que será feito, completa Dsqui.
Até o momento a Scania não sabe que o caminhão foi encontrado. Como a cultura dos caminhões antigos tem crescido no Brasil, acreditamos que seja questão de tempo para que a empresa saiba desses detalhes. Como o caminhão está sendo desmontado e precisará de alguns cuidados para voltar a antiga forma, ainda precisará de um tempo, mas depois de pronto, Dsqui nos disse que vai levá-lo a encontros e exposições, e que o caminhão vai ser tratado como um bem coletivo que é, uma forma de valorizar a classe dos caminhoneiros que é tão marginalizada e menosprezada.
Outro sonho de Dsqui, é que, depois que o caminhão esteja pronto, seja feito um encontro com Pedro e Bino (Antonio Fagundes e Stênio Garcia), que com seus personagens eternizaram a história dessa Lenda das Estradas.
Sobre o Seriado Carga Pesada
Os atores Antonio Fagundes e Stênio Garcia passaram a viver intensamente o cotidiano dos caminhoneiros durante as gravações, almoçando e bebendo nos mesmos bares que eles e dirigindo de verdade caminhões. Em pouco tempo, Pedro (Antonio Fagundes) e Bino (Stênio Garcia) se tornaram um sucesso, e os atores recebiam centenas de cartas de caminhoneiros declarando sua admiração por eles e contribuindo com o seriado através de histórias sobre a vida nas estradas.
Em março de 1990, os episódios Adeus, Dequinha; A Enchente; Pagamento contra Regra; O Arrocho e A Santa foram reprisados no Festival 25 anos, com apresentação de Stênio Garcia. No Festival 30 anos, foram reprisados Adeus, Dequinha; A Enchente; Pogrom; Operação Limpeza e A Estrada.
Carga Pesada foi exibido em países como Bolívia, Chile, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália e Nicarágua.
Em 1984, a TV Globo iniciou um intercâmbio com a Biblioteca do Congresso norte-americano ao doar vários de seus programas à instituição. Entre eles, estava um episódio de Carga Pesada, chamado O Velho Viana.
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