Foton assina acordo com Agrale até março

por Blog do Caminhoneiro

agrale fotonO acordo entre Foton Aumark do Brasil e Agrale para começar a montar caminhões da marca chinesa deve ser oficializado no começo de março. A negociação está nos detalhes finais sobre o contrato, informou o diretor de relações institucionais da Foton Aumark, Luiz Carlos Paraguassu. Enquanto firma a negociação, a empresa que vai explorar o nicho de caminhões de até 10 toneladas se prepara para assinar a escritura da compra da área de 100 hectares em Guaíba, uma fração do terreno que no fim dos anos de 1990 chegou a ser destinado a uma fábrica de automóveis da Ford.

A montadora norte-americana acabou rompendo o acordo com o Rio Grande do Sul e transferiu o investimento para a Bahia. A garantia de que a opção de dar início à montagem em Caxias do Sul, onde fica a Agrale, não ameaça o projeto no município da Região Metropolitana é de Paraguassu. Desde que o plano de instalar a base provisória foi ventilado, a população de Guaíba elevou o grau de temor sobre perder o empreendimento. Segundo uma fonte próxima ao empreendimento, a assinatura do contrato com a Agrale seria feito durante a Festa da Uva, que vai até 6 de março. Mas a repercussão para Guaíba acabou alterando as agendas.

A escritura da área definitiva deve ser firmada em duas semanas, o que assegura a liberação da primeira parcela do financiamento total de R$ 60 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Este quesito também estava segurando o começo da construção em Guaíba. O investimento da Aumark, que tem acordo com a chinesa Foton para uso de componentes e tecnologia da marca, já foi estimado em R$ 250 milhões na primeira fase com capacidade instalada de montar 21 mil unidades, que seria progressivamente ativada. A geração de emprego é esperada em 250 vagas diretas. “Não vamos transferir a unidade para lá. Temos pressa para produzir o caminhão nacional”, justifica o diretor.

O cronograma da Foton Aumark está um ano atrasado. A previsão era de começar as obras para montar os galpões no começo de 2015. A demora na venda do terreno pelo Estado, condição para contratar o empréstimo de mais de R$ 100 milhões com o Bndes, foi a principal razão do adiamento da instalação. Como o empreendimento está inscrito no programa automotivo Inovar-Auto, do governo federal, que previa redução do imposto de importação a unidades trazidas da China até o fim do ano passado, a empresa precisava engatar a marcha da fabricação nacional. “Somos obrigados a antecipar a produção nacional, mas será por prazo determinado, enquanto construímos em Guaíba”, garantiu Paraguassu.

Um ano deve ser o tempo do contrato com a Agrale para ocupar as instalações. A indústria de Caxias do Sul confirma que está em negociação com a Foton Aumark. A aposta é que a produção comece em abril. Os detalhes já estariam acertados, só falta assinar. Mesmo com mercado em queda de venda de caminhões, os novos fabricantes querem garantir produto para abastecer revendas. A marca Foton tem ainda unidades importadas, parte está estacionada no terreno em Guaíba. “Com o dólar a R$ 4,00, só vamos importar se precisar mesmo”, explica o diretor da Aumark.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Guaíba, Cleber Quadros, disse que conversou, na semana passada, com o presidente do conselho de administração da Foton Aumark, o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Quadros admitiu que a preocupação é crescente sobre a manutenção do projeto na cidade e que buscou a garantia do principal acionista. “Ele me disse que o contrato será de um ano para se adequar ao Inovar-Auto”, reproduziu o secretário, que avaliou como tranquilizadora a resposta. “O acordo com a Agrale já havia criado um alvoroço na cidade, diante do que significaria a perda”, contou Quadros. “O Mendonça foi incisivo, explicando que seria mais caro sair daqui.”

Na sede da Agrale, não há ainda definição de volume de mão de obra a ser empregado nos caminhões. Parte do quadro da indústria caxiense será deslocado para a montagem, o que reduzirá a ociosidade da planta. Na região de Caxias do Sul, há queda de 18,8% no emprego formal no setor automotivo em 2015. Foram fechados 5 mil postos. O tombo só não é maior que em Gravataí, outro polo automotivo, que teve recuo de 19,8% no emprego e onde fica a fábrica da General Motors. A montadora norte-americana analisa, segundo o comando mundial, rever investimentos previstos em R$ 6,5 bilhões no Brasil, devido à recessão. Parte do aporte é previsto para Gravataí e seria deflagrado em três anos.

Fonte: Jornal do Comércio

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