Volare apresenta protótipo de chassi “Cinco”

por Blog do Caminhoneiro

volare cincoA Volare, unidade de veículos leves da fabricante de ônibus Marcopolo, passa a produzir também chassi. Nesta segunda-feira, 15 de fevereiro de 2015, a empresa apresentou o protótipo do “Volare Cinco” para a imprensa especializada (o número é escrito por extenso e não em forma de algarismo).

A unidade é do décimo protótipo. Ainda pode haver alterações, mas em linhas gerais o produto já foi definido. O lançamento deve ocorrer neste semestre.

“Com o Volare Cinco vamos preencher uma fatia de mercado que não tínhamos participação e é muito importante no segmento de transportes. O veículo é integral e não o consideramos um ônibus, nem um micro-ônibus e tão pouco uma van, e sim um conceito inédito de transportar pessoas” disse o diretor-geral da Volare, Gelson Zardo.

Mas então como classificar Volare Cinco? Tecnicamente, ele se enquadra na classificação de micro-ônibus, com PBT de cinco toneladas, entrando na categoria M3 do Finame e atende à resolução 445 do Contran, de 25 de junho de 2013, que estabelece os requisitos de segurança para veículos de transporte público coletivo de passageiros e transporte de passageiros tipos micro-ônibus e ônibus.

O rodado é duplo (rodas traseiras com dois pneus cada), a porta é pantográfica e as poltronas são como as de ônibus, mas a forma de produção é diferente, trazendo para o transporte coletivo características da indústria de carros. Segundo o diretor técnico da divisão de engenharia da Volare, Roberto Poloni, trata-se de um veículo compacto que foi desenvolvido exclusivamente para transportar pessoas.

“Normalmente se usa o termo encarroçar o chassi. De uma maneira geral, com Volare Cinco criamos o ‘enchassizar a carroceria’, ou seja, desenvolvemos o veículo para transportar pessoas. A partir das dimensões e necessidades dos passageiros é que fomos desenvolvendo todo o conjunto. Chassi e carroceria formam um conjunto só e serão produzidos na planta de São Mateus, no Espírito Santo” explica o engenheiro.

A altura interna do veículo é de 1,93 metro, superior da maior parte das vans do mercado. A largura interna também é mais generosa, 1,90 metro.

A estrutura é tubular, como dos ônibus, mas o processo de fabricação adota características dos carros. Pelo maior nível de automação, as folgas são bem menores, com tolerância média de um milímetro. O painel é de plástico injetado, o que não ocorre com os ônibus.

Para o Volare Cinco, concepção é de “enchassizar carroceria”, ou seja, primeiro foi desenvolvido o espaço para os passageiros e motorista para depois ser concebida a mecânica e a plataforma, explica o diretor técnico da Volare, Roberto Poloni.

São três capacidades diferentes, de acordo com a configuração:

Escolar: 20 passageiros
Fretamento: 16 passageiros
Turismo: 13 passageiros.

O painel do veículo pode ser dotado de rádio, GPS, DVD, leitor de cartão, entrada USB e câmera de ré. Entre as novidades que aproximam o veículo das características da indústria de automóveis é que a chave pode abrir a porta à distância pelo controle do alarme, como ocorre nos carros de passeio e que não é presente em nenhum tipo de micro-ônibus. O bagageiro também pode ser aberto por controle remoto.

“Fizemos pesquisas e ouvimos os operadores de ônibus e vans. Entre as necessidades que eles listaram estavam, por exemplo, melhor ergonomia e conveniência para o motorista, que normalmente é o dono do veículo nesse tipo transporte, custo/benefício, uma distribuição homogênea do ar-condicionado, porta-pantográfica automática, enfim características ora presentes nas vans, ora nos ônibus. Então, a proposta foi unir tudo isso em um só veículo” Conta Roberto Poloni.

Segundo o profissional, a maior parte das vans não passa de adaptações de veículos de carga, já os micro-ônibus hoje seguem a característica do mercado de primeiro o proprietário do veículo adquirir o chassi e depois a carroceria.

O diretor geral da Volare, Gelson Zardo, explicou que os demais ônibus leves da empresa continuam no mercado. A Volare fabrica a carroceria e o chassi é feito ou pela Agrale, em toda a linha, ou pela Mercedes Benz, no caso do DW9.

O modelo, garante a Volare, é diferente do A5, micro-ônibus da marca de PBT de cinco toneladas, que na verdade era uma adaptação do A6, cujo chassi é da Agrale. Esta adaptação ocorreu em 1999, com a retirada do rodado duplo do A6. A Volare inicialmente chamou fabricantes de chassis para o projeto do Volare Cinco. Em 2011, deu início à conversação com empresas parceiras, mas após os estudos e a contratação de uma empresa de engenharia especializada, optou por fazer o próprio chassi do veículo. Entretanto, o modelo não é um Monobloco.

De acordo com a Volare, o motor é Cummis de 150 cavalos. A partir deste projeto, podem ser desenvolvidos outros veículos com o mesmo conceito para aplicações mais diversificadas. O transporte urbano, com as devidas alterações, é considerado num outro momento para o modelo. O mercado externo também é alvo da Volare.

O Volare Cinco atende às normas para acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida. “Acessibilidade, no entanto, não é apenas em relação ao cadeirante, mas é como todas as pessoas entram no veículo, a posição que elas ficam, a posição das pernas, dos pés, tudo isso foi pensado no Volare Cinco” – finaliza Poloni.

Fonte: Blog Ponto de Ônibus Texto de Adamo Bazani

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