Volvo prevê mais ajustes e desiste de ter segunda marca

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Diretores da Volvo disseram que a montadora está perdendo dinheiro no Brasil, traçaram um quadro novamente negativo ao mercado de caminhões em 2016 e adiantaram que, mesmo após os cortes de pouco mais de 800 vagas de trabalho nos últimos dois anos, a fábrica da marca sueca no Paraná continua carregando um alto excesso de mão de obra.

Ao fazer um balanço do desempenho no ano passado, a montadora, líder em caminhões pesados, anunciou ainda que, devido à mudança de cenário, desistiu do plano de lançar uma nova marca para brigar nas categorias de veículos de carga leves e médios – os mais populares dessa indústria.

A empresa trabalha neste ano com a perspectiva de queda de 15% do consumo nos mercados de caminhões em que atua: pesados e semipesados. O número previsto gira ao redor de 35 mil unidades, ou 62% abaixo do tamanho da demanda em 2014, o que faz o parque industrial localizado em Curitiba ter hoje entre 15% e 20% de trabalhadores a mais do que o necessário. Para cumprir uma promessa feita aos metalúrgicos, a direção da Volvo garante que não vai demitir até o fim de março.

No entanto, começará a discutir nos próximos dias com o sindicato dos metalúrgicos da região o futuro de um contingente de 510 a 680 operários, de um total de aproximadamente 3,4 mil funcionários empregados no local.

De expedientes já utilizados, como a suspensão temporária de contratos de trabalho (“lay-off”) e um novo programa de demissões voluntárias (PDV), a ferramentas inéditas na companhia, como a adesão ao plano de proteção ao emprego, o PPE, todas as alternativas devem ser colocadas na mesa de negociação. Mas a fabricante não descarta que, na falta de consenso, as demissões podem ser a única saída. “Temos que avaliar todas as ferramentas, inclusive, infelizmente, a dispensa”, afirmou Carlos Morassutti, presidente interino da Volvo na América Latina, numa curta entrevista  pouco antes de iniciar a apresentação à imprensa dos resultados de 2015.

Em dezembro de 2014, a Volvo tinha demitido 206 operários e, depois que a produção na fábrica foi reduzida, em maio, de dois para um turno, cerca de 600 funcionários deixaram a empresa via PDV durante o ano passado.

A direção informou que fez esses ajustes tendo como base um mercado que, em suas estimativas, terminaria 2015 em cerca de 70 mil caminhões – considerando-se ainda apenas os dois segmentos da marca.

O resultado final do ano ficou, entretanto, quase 30 mil unidades abaixo do prognóstico: em 41,6 mil, ou menos da metade do que os quase 93 mil caminhões apurados no ano anterior.

Renault_T-serie“Na falta de perspectiva de recuperação econômica, as empresas adiam a decisão de investimentos e preocupam-se mais em preservar o caixa. A situação do mercado de caminhões se deve mais a fatores econômicos do que à falta de financiamento”, afirmou Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da montadora, ao abordar também as mudanças de crédito com o fim do ciclo das taxas de juros fixas e subsidiadas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Frustrando expectativas de parte do mercado quanto ao início de uma reação em 2016, as vendas de caminhões abriram o ano marcando queda de 42,4% em janeiro, na comparação com igual período de 2015. Mais ociosa, a fábrica da Volvo em Curitiba voltará a interromper a produção de caminhões nas próximas duas semanas, a exemplo do setor responsável pela fabricação dos chassis de ônibus, parado desde o Carnaval.

Assim como indicaram números registrados na América Latina, em balanços divulgados recentemente por Fiat Chrysler Automobiles (FCA), General Motors (GM) e Ford, Morassutti disse que a Volvo tem operado com prejuízo no Brasil, mas não abriu cifras.

A situação só não é pior porque as exportações estão em alta, principalmente a mercados vizinhos, onde o grupo, como relatou Morassutti, consegue “fazer dinheiro”. As exportações já respondem por 51% das vendas de ônibus da marca, além de 30% da produção de caminhões em Curitiba.

Segundo os diretores da Volvo, a empresa pretende manter os investimentos, mas o plano de trazer uma nova marca ao país foi abortado. O projeto, anunciado há pouco mais de três anos no bojo de um programa de investimentos de US$ 500 milhões no país, previa a nacionalização de uma das demais marcas da multinacional: Renault Trucks, UD Trucks e Mack.

O grupo entraria nos segmentos de maior escala – caminhões leves e médios – para disputar espaço com a MAN, que produz os veículos de carga da Volkswagen, a Mercedes-Benz e a Ford. A marca Volvo, que tem no Brasil seu segundo maior mercado global – atrás apenas dos Estados Unidos -, permaneceria, então, com a atuação nas gamas semipesadas e pesadas.

Fonte: Valor Econômico

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