MAN oferece dez salários em PDV inédito

por Blog do Caminhoneiro

linha de montagem man latin america (2)Líder do combalido mercado de caminhões brasileiro, a MAN, que monta os veículos comerciais pesados da marca homônima e da Volkswagen, ofereceu nesta semana o maior incentivo a desligamentos de funcionários em 19 anos de produção no sul do Rio de Janeiro.

Independentemente do tempo de casa, qualquer um dos cerca de 4 mil funcionários que quiser deixar a montadora vai receber nada menos do que dez salários, além das indenizações rescisórias legais.

Válido a todos departamentos, do chão de fábrica aos executivos de alta patente da administração, o programa de demissões voluntárias (PDV) é de prazo curto: foi aberto na segunda­-feira e termina hoje. A experiência recente de outras montadoras mostra ainda que, num momento de poucas oportunidades de recolocação na indústria metal­-mecânica, nem sempre incentivos generosos de PDVs resultam em números satisfatórios de adesões, forçando muitas vezes as empresas a relançar ou estender prazos de programas do tipo.

Mas a MAN, embora não abra metas, está confiante em obter adesões “suficientes”, sobretudo devido à possibilidade de seduzir funcionários dispostos a antecipar aposentadorias.

O objetivo é enxugar a força de trabalho a uma demanda que já perdeu mais de 58% do tamanho que tinha em 2011, quando as compras de caminhões no Brasil beiraram as 173 mil unidades.

“Estamos redimensionando o tamanho da empresa”, diz o presidente da MAN na América Latina, Roberto Cortes. Desde a volta do recesso de fim de ano, a fábrica de Resende reduziu em 20% a jornada de trabalho ­ o que significa um dia a menos de produção por semana ­ por conta da adesão ao programa de proteção ao emprego, o PPE.

O programa, porém, tem sido insuficiente não apenas para montadora de caminhões, mas também para a concorrente Mercedes­-Benz e para a Volkswagen ambas igualmente forçadas a adotar medidas complementares para adequar a mão de obra.

Como, por força das regras do PPE, essas empresas são proibidas de realizar demissões arbitrárias, a alternativa, além do PDV, tem sido afastar grupos de operários da produção via licença remunerada, férias ou via “lay-off”, ferramenta que consiste na suspensão temporária de contratos de trabalho.

No ABC paulista, 1,5 mil funcionários da Mercedes-­Benz e outros 800 Volkswagen estão temporariamente dispensados desde o mês passado. A Volks, conforme informações do sindicato local, colocou ainda outra turma de aproximadamente 140 empregados em “layoff” em sua fábrica no Paraná, onde o PPE também está em vigor.

Estima­se que as montadoras brasileiras estejam usando apenas metade da capacidade instalada. A situação é mais grave nas fábricas de veículos comerciais, onde, incluindo ônibus, a ociosidade, nas contas da MAN, gira ao redor de 70% ­ um percentual que as empresas tentam atenuar com o aumento das exportações.

Até o fim de 2015, Cortes mostrava “esperança” no início de uma retomada em 2016. Porém, depois dos resultados frustrantes do primeiro bimestre, o executivo vê o mercado de caminhões caminhar para a marca de 60 mil unidades, o que significaria quase 12 mil a menos do que no ano passado e um retrocesso para 1999, quando o país consumia pouco mais de 50 mil veículos de carga. “Não quero ser alarmista, mas estamos voltando a volumes do século passado”, lamenta.

“O que agrava a situação é que de lá para cá todo mundo investiu em capacidade. Então, somos hoje atingidos duplamente: por ter vendas em queda e excesso de oferta”, acrescenta Cortes.

Segundo ele, essa combinação tem dificultado o repasse do aumento do custo de produção. O executivo diz que precisa reajustar os preços da linha de veículos da montadora em 20%.

Uma rodada de aumento de 5,5% foi executada em janeiro e outra de igual proporção está nos planos para abril.

Fonte: Valor Econômico

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