Crise de montadoras deve levar indústria a novo recuo

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A crise no setor automotivo impôs vida curta ao desempenho positivo da indústria, avaliam economistas. Influenciada principalmente pelo tombo na atividade das montadoras, a produção industrial deve ter caído 2,2% entre janeiro e fevereiro, feitos os ajustes sazonais, segundo estimativa média de 22 instituições financeiras e consultorias ouvidas, mais do que compensando a alta de 0,4% no mês anterior. As projeções para a Pesquisa Industrial Mensal-Produção Física, que será divulgada hoje pelo IBGE, vão de recuo de 2,9% até retração de 0,1%. Em relação a fevereiro de 2015, a produção deve ter diminuído 10,4%.

Excluindo máquinas agrícolas, a produção de veículos somou 13,3 mil unidades em fevereiro, de acordo com medição da Anfavea, entidade que representa as montadoras. Nos cálculos da equipe econômica do Bradesco, esse número ¬ o menor volume mensal em mais de sete anos ¬ equivale a queda de 13,8% sobre janeiro, descontada a sazonalidade. A contração foi generalizada, com recuo de 18,1% na produção de ônibus, de 15,8% na de automóveis e de 3,6% na de comerciais leves. Apenas os fabricantes de caminhões elevaram produção no período (5,9%).

“Para o restante do ano, estimamos que o setor continue com desempenho fraco, principalmente pela retração da atividade econômica e pelo baixo patamar da confiança dos consumidores”, afirma relatório do departamento econômico do Bradesco. Para o banco, a produção industrial recuou 2,2% em fevereiro.

O Itaú também avalia que o resultado total da atividade industrial no período foi fortemente afetado pela indústria automotiva, cuja fraqueza se estende às vendas do setor. O banco estima que 128 mil unidades foram vendidas em março, o que significaria recuo dessazonalizado de 1,7% frente a fevereiro.

Embora os estoques do setor estejam em declínio, as vendas estão recuando ainda mais, diz Leandro Padulla, da MCM Consultores, o que mantém a perspectiva ruim para a produção de veículos. “Os estoques voltaram ao nível de 2010, e as vendas, para 2003.” Para Padulla, porém, outros segmentos dentro dos bens duráveis devem ter recuado em fevereiro, uma vez que a expedição de papelão ondulado ¬ indicador que antecede a emissão de embalagens ¬ diminuiu 2,6% ante janeiro. O economista avalia que os bens de capital voltaram ao campo negativo, depois de terem subido 1,3% em janeiro.

“Os recuos em fevereiro da produção de veículos, de embalagens para o setor industrial e do segmento de construção, superiores ao padrão sazonal, antecipam a retração da produção física no mês”, avalia Eduardo Velho, economista¬chefe da INVX Global Partners. Segundo ele, a produção diminuiu 1,8% na passagem mensal.
No primeiro semestre, afirma Padulla, o comportamento da indústria tende a continuar volátil, seguido de melhora um pouco mais consistente na segunda metade do ano. Para ele, esse movimento deve ser impulsionado pelo processo de normalização de estoques e, em alguma medida, pela substituição de importações, que já beneficia alguns setores, como os bens intermediários.

“Essa é uma categoria de uso importante dentro da indústria e, a partir do momento em que ela começa a se estabilizar, é um sinal positivo para os demais setores mais à frente”, diz. Mesmo assim, a consultoria trabalha com recuo expressivo da produção em 2016, de 7,2%, apenas um ponto menor que o ocorrido em 2015, de 8,3%.

Fonte: Valor Econômico

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