A realidade do roubo de carga no Brasil

por Blog do Caminhoneiro

caminhoes na estrada scaniaEm 2009, foram 13.350 ocorrências de roubo de carga no Brasil. Em 2014, foram 17.500 ocorrências que totalizaram, em valores, R$ 1 bilhão. E, de cada 10 casos, pelo menos 8 acontecem no Sudeste, sendo Rio de Janeiro e São Paulo os estados com mais registros.

Os dados vêm do último levantamento feito pela Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística (NTC&Logística), coordenado pelo assessor de segurança Coronel Paulo Roberto de Souza, com base em informações das secretarias de Segurança dos estados, empresas do mercado segurador, gerenciadoras de riscos e transportadoras.

Um levantamento mais atualizado, realizado pela Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de São Paulo (Fetcesp), confirma os dados com pequena variação (-0,24%) no roubo de cargas no estado de São Paulo em 2015, com grande concentração (81,73%) de casos na Capital e na Região Metropolitana.

Segundo Souza, os números continuam subindo porque a legislação é branda com os criminosos. “A sensação de impunidade é o que motiva esse tipo de crime. A fragilidade do enquadramento penal só se intensificou com o passar dos anos. Observemos, por exemplo, a Lei 12.403 sancionada pela presidente no ano de 2011, que está em vigor, e ameniza os efeitos do código penal, criando a categoria de crimes de menor potencial ofensivo aqueles com até quatro anos de pena, Ou seja, com intuito de diminuir a quantidade de presos no país, essa lei garante que, no caso de crimes de menor potencial ofensivo, nos quais se incluem os de receptação de cargas, o indivíduo seja levado ao Departamento de Polícia e indiciado, porém será liberado e poderá aguardar o processo em liberdade, após o pagamento da fiança”, afirma.

Dados imprecisos

Pelo estudo da NTC, constata-se que entre os produtos mais visados para roubo no Brasil estão produtos alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, produtos farmacêuticos, produtos metalúrgicos, produtos químicos, têxteis e confecções, autopeças e combustíveis.

Na região Sudeste, os números mais preocupantes são do estado do Rio de Janeiro, que em 2013 registrou 3.535 casos e, no ano de 2014, contabilizou 5.889, elevando em aproximadamente 67% as ocorrências no período.

São Paulo, apesar de não ter registrado o maior aumento nas ocorrências no comparativo entre os anos, ocupa hoje o primeiro lugar entre os estados com mais casos de roubo de carga – 48,82% das ocorrências, contra 33,78% no Rio de Janeiro.

Para fins de comparação, enquanto o Sudeste representa 86,06% dos casos de roubo de carga, o Nordeste apresenta 6,37%; Centro-Oeste, 2,32%; Sul, 4,56%; e Norte, 0,69%.

Para Souza, isso ocorre porque são bastante imprecisos os dados fornecidos pelos estados. “A análise estatística não é padronizada. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, todas as ocorrências são tabuladas, as que ocorrem nas rodovias e as que ocorrem em áreas urbanas. Já outros estados só contabilizam os roubos de carga nas rodovias”, explica.

Outro ponto para o qual o coronel chama a atenção é o fato de o Sudeste concentrar a maior parcela da produção e da comercialização de produtos, o que explica um movimento maior de cargas e, consequentemente, da ação de assaltantes.

“São Paulo, Rio e Minas despontam em qualquer estatística porque é onde circula a maior arte da carga”, afirma.

Histórico

Nos últimos quatro anos, o aumento de roubo de cargas no Brasil foi de 42% e, só nos últimos dois anos, houve um prejuízo acumulado de R$ 2 bilhões.

Muitos estados, como Minas Gerais e São Paulo, começaram no último ano com uma movimentação de delegacias especializadas como opção de combate a esse problema – que afeta diretamente toda a sociedade, uma vez que os custos com seguradoras e prejuízos acabam sendo repassados ao consumidor final.

Porém, ainda de acordo com Souza, esse processo depende, inevitavelmente, de ações de uma legislação efetiva e de um sistema articulado entre organismos federais, estaduais e até secretarias da Fazenda para combate a assaltantes e receptadores.

Produtos mais visados para roubo

  • Alimentos
  • Cigarros
  • Eletroeletrônicos
  • Produtos farmacêuticos
  • Produtos metalúrgicos
  • Produtos químicos
  • Têxteis e confecções
  • Autopeças
  • Combustíveis

Fonte: Diário de São Paulo

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