Beatriz Falcão – Ela conquistou a estrada

por Blog do Caminhoneiro

Beatriz Falcao Branco - Caminhoneira cegonheira (4)Tendo no currículo duas faculdades e um curso de idiomas no exterior, Beatriz Ferreira Branco, a Bia Falcão, deixou para trás uma carreira promissora para realizar um velho sonho: ser motorista de um caminhão cegonha.

Herdeira de uma das mais tradicionais famílias do setor  – ela é filha de Isidro da Silva Branco Filho, mais conhecido como Falcão- Bia diz que fez a escolha certa. “Amo o que faço. Muitos achavam que, depois da primeira viagem, eu entregaria a chave, e isso não aconteceu. Não sei durante quanto tempo seguirei nessa profissão,mas enquanto exercê-lá, farei o meu melhor”, afirma.

Bia confessa que, no início, chegou a duvidar: seria capaz de carregar e descarregar a carga? “Sentia uma espécie de medo. Hoje encaro tudo numa boa e, se precisar, não tenho vergonha e peço ajuda. Ser cegonheira não é uma profissão fácil. É preciso ser persistente e nunca desistir. Cada entrega é uma história diferente: tem sempre uma rua apertada, árvores… Aprendemos muito no dia a dia”, diz.

Do pai segue um conselho: Vá com atenção. tudo feito com atenção dá certo.

A Primeira Viagem

Beatriz Falcao Branco - Caminhoneira cegonheira (3)Emocionada, Bia conta que o destino da primeira viagem foi Maceió-Alagoas. “Minha mãe Lenira, me acompanhou e deu muita força. Depois que descarreguei tudo, veio um misto de emoções. Rezei e agradeci por tudo ter dado certo, foi uma vitória”,
relembra.

Para os amigos, ela diz que está cursando a terceira e última faculdade. Explica o por quê: “Preciso conhecer geografia para saber onde a cidade fica e como são as ruas. também é necessário ter conhecimento de matemática para calcular os gastos com combustível, alimentação e outros itens. Além disso, aprendo um pouco sobre a história da cidade e a cultura local”, brinca.

Respeito às origens

Beatriz Falcao Branco - Caminhoneira cegonheira (2)Há cinco meses percorrendo as estradas brasileiras, Bia lembra que sua origem está ligada ao mundo dos caminhões. Os precursores foram o pai e o tio Armando que, em 1979, começaram a trabalhar como cegonheiros. Na época tinham um caminhão: um Mercedes-Benz 1113 ano 1973. Numa das viagens Falcão conheceu Lenira que, pouco tempo depois, se tornou sua esposa.

bia“Minha mãe era frentista do posto Itaperuna, no município Mineiro de Frei Inocêncio, que era ponto de parada dos cegonheiros. Acredito que, para ela, foi paixão à primeira vista “,revela. Dessa união nasceram Bia e seu irmão, Eduardo.

Ainda bebês, eles já viajaram na boleia de um caminhão. Bia, por exemplo, fez sua primeira viagem com apenas três meses.
“Minha mãe conta que fomos para Rio grande do Sul, era inverno e fazia muito frio. Eles tiveram que procurar um quarto com calefação”, conta. Por isso, ninguém estranha quando ela diz que, enquanto os amigos viajavam de avião, preferia viajar num caminhão.

Beatriz Falcao Branco - Caminhoneira cegonheira (1)“Tenho muito orgulho em dizer que tudo o que conquistamos foi por meio do trabalho do meu pai com caminhão. Esse veículo é muito importante na nossa história. Quando tiver meus filhos, quero mostrar esse mundo para eles, diz Bia, sempre pronta para encarar os desafios.

Papéis invertidos

Segundo Bia, seu pai Falcão parou de dirigir em 1995 e passou a cuidar mais dos negócios, na parte administrativa, hoje ele conta com a ajuda do filho Eduardo. Bia diz que o irmão é muito inteligente e sabe cuidar como poucos de toda parte financeira. “Eu pelo contrário não tenho essa aptidão. Por isso falei para ele: cada um tem que fazer o seu melhor para dar continuidade ao trabalho do nosso pai. Ele gerencia os negócios e eu vou para a estrada. Invertemos os papéis, mas um completa o outro, porém, o que mais importa é nos esforçarmos para preservar tudo o que foi conquistado com muito trabalho e suor”.

Vaidade feminina

Beatriz Falcao Branco - Caminhoneira cegonheira (5)Por trás dessa mulher batalhadora e determinada, está uma mulher também vaidosa. “Adoro um salto alto, o cabelo arrumado e não abro mão da maquiagem”, diz, aos risos.

Apesar de trabalhar numa profissão em que os homens são maioria, Bia acredita que as mulheres estão conquistando seu espaço. “Ainda somos poucas, mas estamos mostrando que somos capazes de realizar um trabalho bem feito”, diz.

Quanto ao preconceito e assédio, Bia responde sem rodeios: “Existem, mas precisamos nos impor e exigir respeito. Sou motorista cegonheira por paixão e gostaria muito de ver outras mulheres também se interessando por essa profissão. Só quem é caminhoneiro sabe o quanto somos privilegiados. Temos o privilégio de conhecer lugares e culturas diferentes. É sempre um aprendizado. Além disso, temos liberdade e isso não tem preço”.

Fonte: Revista Cegonheiro

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