Desembarcando o rebite

por Blog do Caminhoneiro

saude caminhoneiro estradas plano de saudeJá é obrigatório o exame toxicológico para concessão ou renovação da habilitação para motorista de caminhão, ônibus e van.

Na contratação ou desligamento desses profissionais também haverá o exame.

Por enquanto, ainda há um período de adaptação, porque a novidade atinge muita gente.

Em Estados importantes há até discussões da Justiça.

Enfim, neste início de aplicação da lei, muita desinformação e problemas.

Os autônomos reclamam da dificuldade para ir a um laboratório colher pelos do corpo e também do preço do exame, cerca de R$ 300.

Um pedágio ainda mais caro, dizem eles.

Embora o Denatran alegue que as dificuldades são inerentes ao pioneirismo do Brasil, não é verdade que sejamos os primeiros do mundo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, para se habilitar a dirigir caminhão, é preciso se submeter a exame de urina e provas para detectar uso de álcool e outras drogas.

E é previsto até um antidoping anual aleatório.

Na dúvida, o exame de fio de cabelo.

O rigor dos exames fez despencarem os flagrantes de motoristas americanos sob efeito de droga.

E os que comprovam que estão limpos de drogas, obtêm descontos no prêmio do seguro do caminhão.

No fundo, os americanos sabem que o melhor mesmo é o exame feito ao acaso.

E qualquer pessoa sabe que dirigir sob efeito de qualquer droga é assumir o risco de causar danos aos outros e a si próprio – ou à carga que se leva, seja de mercadorias, seja de pessoas.

A grande praga das estradas é o álcool e a anfetamina – conhecida como rebite.

Ambos usados para enganar a exaustão ao volante.

Usados como estimulante, no entanto, retardam as reações do corpo e, passado o efeito, provocam um sono arrasador.

Mas não é um sono reparador.

E o usuário entra num círculo vicioso, em que vai precisar de mais uma dose de estimulante.

Vem euforia, impaciência, impulsividade, agressividade e fica sujeito a cometer erros de avaliação e de decisão.

Também há, ao volante, uso de maconha e cocaína.

A maconha atrapalha a percepção de tempo e espaço, a avaliação da distância, a concentração e o tempo de reação – tudo o que é decisivo para provocar um acidente.

A cocaína se parece com o álcool em seus efeitos de supervalorizar a capacidade própria ao volante, o que leva à condução perigosa.

É bom não esquecer que barriga cheia na estrada concentra sangue no estômago e sobrevém a vontade de uma boa soneca.

Barriga cheia age como sonífero.

E como todos sabemos, excesso de trabalho e de horas na direção é uma droga.

Assim, é agora obrigatório o que nem precisaria ser, pelo menos em relação às empresas que usam motoristas.

Ela próprias deveriam ter sempre a iniciativa de submeter os que prestam serviços ao volante de ônibus, caminhões ou vans a exames periódicos de saúde, inclusive detectores de uso habitual de drogas.

Muitas já fazem isso, dando um exemplo edificante.

É um investimento, não uma despesa.

Assim, ainda que haja uma interrogação no ar a respeito dessa lei, se vai pegar ou não, como tantas outras exigências, ela serve de alerta.

Muito choro e ranger de dentes se- rá evitado se conseguirem desembarcar o rebite e assemelhados.

Fonte: Revista CNT Texto de Alexandre Garcia

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