Mercedes-Benz abrirá PDV este mês

por Blog do Caminhoneiro

linha de montagem mercedes-benzA Mercedes-Benz informou ontem aos seus 9.800 trabalhadores de sua sede, em São Bernardo, que abrirá PDV (Programa de Demissão Voluntária) até o fim do mês. O objetivo da montadora é reduzir o excedente de empregados na unidade, que é de 2.000 pessoas, ou seja, 20,4% do total.

O programa de demissão voluntária ainda não teve suas condições definidas, que devem ser divulgadas nos próximos dias. Porém, em comunicado exposto no interior da fábrica, é dito que horistas e mensalistas terão condições especiais, e que colaboradores compatíveis – com doença profissional – serão submetidos às mesmas regras do pacote anterior.

O último PDV foi aberto em julho de 2015 – o terceiro daquele ano –, e o objetivo era o mesmo, reduzir o excedente de 2.000 trabalhadores. Porém, à época foram contabilizadas apenas 40 adesões. Ao grupo dos funcionários que possui restrição médica foi oferecida avaliação caso a caso, já que, por acordo coletivo da categoria, eles têm estabilidade. Aos demais, a proposta era de 50% do valor do salário por ano de atuação na companhia, limitado ao teto de R$ 65 mil, além dos direitos trabalhistas pagos na rescisão.

O comunicado, assinado pelo presidente da Mercedes, Philipp Schiemer, diz que a companhia vem sentindo, desde 2013, o impacto da redução drástica nos volumes de venda e produção. E que, de janeiro a abril, o desempenho de veículos comerciais foi ainda mais dramático. “Chegamos ao patamar de produção de 1984 e ao pior resultado de vendas desde 1999. Estamos voltando no tempo.” O texto diz que a montadora tem capacidade técnica de produzir 80 mil veículos, enquanto as vendas totais no País não devem superar a previsão de 70 mil unidades em 2016. “Isso quer dizer que só a capacidade produtiva da Mercedes é superior à demanda total do mercado brasileiro.”

Nos últimos três anos, a companhia lançou mão de banco de horas, semanas curtas, férias coletivas, licença remunerada, PDVs e lay-offs (suspensão temporária de contrato). E, ainda assim, tem ociosidade perto de 50% e excedente de 2.000 funcionários.

“Tendo em vista que a empresa não tem mais capacidade de suportar esse excesso de pessoal, já que não há sinais de retomada da economia em patamares sustentáveis e que as alternativas de flexibilidade já foram esgotadas, decidimos lançar novo PDV como alternativa voluntária e mais benéfica para redução de nosso efetivo de pessoal”. Ainda, há pedido de desculpas: “Lamentamos que, mesmo após tantos esforços nos últimos anos, ainda tenhamos que adotar novas medidas de redução de pessoas para garantir a sobrevivência do nosso negócio diante de uma crise política e econômica sem precedentes na história do Brasil.”

O comunicado aponta ainda que o acordo vigente de PPE (Programa de Proteção ao Emprego), em especial a cláusula de estabilidade, que se encerra em 31 de agosto, será respeitado em sua totalidade, porém, não será renovado. A redução da jornada de trabalho (em 20%) e salários (em 10%) será mantida até 31 de maio. A Mercedes foi a primeira empresa do País a assinar a adesão ao programa, em setembro do ano passado.

Diante dessa decisão, novo grupo será colocado em licença remunerada, cujo efetivo e volume ainda não foram definidos. Os envolvidos serão informados ainda neste mês. Atualmente, mais de 1.000 empregados estão afastados. Procurada, a empresa confirmou as informações mencionadas.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC disse que, embora tenha conhecimento do comunicado, reconhece que PDV e licença remunerada não necessitam de negociação com a entidade, mas considera as medidas unilaterais. O sindicato afirmou que insiste no diálogo para que o PPE seja prorrogado – ou outra ferramenta que proteja o emprego, e que não admite que haja demissões. No entanto, ainda não iniciou negociações com a companhia.

Fonte: Diário do Grande ABC

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