Startup cria “borracheiro virtual” para reduzir custos de transportadoras

por Blog do Caminhoneiro

Medições constantes de temperatura e pressão dos pneus, com envio de alertas para o celular ou um painel dentro do veículo em caso de alguma irregularidade. O Sistema de Monitoramento Inteligente para Pneus (TPMS), desenvolvido pela startup gaúcha Alientronics, promete esse serviço.

Considerado um “borracheiro virtual” por seu idealizador e fundador da Alientronics, Felipe Werle Melz, o TPMS é um conjunto de sensores que, instalado internamente no pneu, mede pressão, temperatura e acelerações, “Esses dados crus saem do sensor e vão para o módulo do veículo e de lá para a Internet”, conta o empreendedor gaúcho.

Já na web, as informações de cada pneu são armazenadas em um banco de dados na nuvem, no qual são feitas análises sobre as condições de uso. A avaliação leva em consideração o modelo e o tempo de vida, podendo gerar alertas instantaneamente, seja pelo aplicativo, ou pelo módulo do veículo – que é um painel de informações instalado, para localidades onde não há conexão para a Internet.

O dispositivo da Alientronics, que já ganhou sete competições regionais e nacionais, entre elas o Prêmio Santander de Empreendedorismo em 2015, pretende atender empresas com frotas grandes. “Hoje nosso foco é total em veículos pesados, como caminhões e ônibus, e as maiores interessadas são as indústrias e transportadoras”, afirma Melz.

A promessa é de reduzir custos e qualificar a mão de obra dos clientes, melhorando a gestão de pneus. “As transportadoras têm muitos pneus e, às vezes, há pouco cuidado com eles, ou até os funcionários acabam roubando”, relata. Entre os benefícios, além dos alertas e da prevenção de acidentes, os clientes da Alientronics, segundo Melz, ganham de 3% a 40% de desconto em pneus.

Atualmente em fase de testes em cinco transportadoras para calcular o retorno que dará às empresas, o TPMS terá um custo de instalação próximo a R$ 150 por pneu, além do custo do módulo central que faz a conexão com a Intenet, em torno de R$ 500. Além disso, serão cobradas mensalidades para cada item, em valor discutido com a startup.

Gestão dos pneus

“Se você fizer um ranking, no geral, os maiores custos são mão de obra, combustível e pneu”, afirma o diretor executivo de Operações e Serviços da transportadora JSL, Adriano Thiele. Para ele, a gestão correta dos pneus é essencial para evitar impactos no resultado das operações.

Thiele diz que a JSL já tentou implantar sistemas de monitoramento com chips, mas por conta do grande número de pneus a instalação foi dificultada, o que inviabilizou a utilização desses sistemas. “A gente sempre está olhando as tecnologias para redução de custos, a gente só não achou uma condizente para nós”, diz. Segundo a transportadora, em 2016, foram comprados 35 mil pneus.

Apesar de não ter conseguido implantar um sistema automatizado de fiscalização de pneus, a JSL acredita que utilizar a tecnologia pode facilitar o trabalho. “Em um caminhão de 32 pneus, manualmente, você precisa medir os 32 para saber quais estão descalibrados. Com tecnologia, o sistema te mostra automaticamente o que está fora do padrão”, analisa Thiele.

Explicando o gasto

Um pneu tem vida útil, em média, de 250 mil quilômetros, levando em consideração reparos, segundo Rogério Miguel, que trabalha na logística do Grupo Petrópolis, no setor de transporte da cervejaria Itapaiva, em Pernambuco. A empresa de Recife, que tem frota de 29 cavalos e 83 carretas, utilizou 910 pneus em 2016. Destes, 197 foram descartados por perda total.

Para que os pneus não sejam descartados até que cumpram sua média, segundo Rogério, é necessário que eles fiquem sempre calibrados a 120psi (libra-força por polegada quadrada, medida para pressão interna). Qualquer valor acima de 120psi pode desgastar o pneu e provocar uma explosão repentina, por exemplo.

Por outro lado, com o pneu descalibrado, em valor menor que o ideal, isso pode aumentar ainda mais os custos. “Quando um pneu está bem calibrado, isso ajuda para que o veículo faça sua média de combustível normal”, afirma Miguel. Com a calibragem defasada, o pneu fica mais perto do chão e, consequentemente, o caminhão precisa exercer maior força para rodar, gastando mais combustível.

Fonte: DCI

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