Atoleiros impedem escoamento de soja em BR no Mato Grosso




Parte da safra recorde de grãos do Centro-Oeste está parada na estrada por causa dos atoleiros.

Seu Ilson plantou, está colhendo, e está preocupado. No auge da safra de soja, 20 mil das cem mil sacas que ele vendeu para o mercado externo, não saíram do lugar.

A produção já deveria ter chegado aos portos de Miritituba e Santarém, no Pará, há pelo menos 15 dias. O atraso é causado pelos atoleiros na BR-163.

Um total de 164 quilômetros sem asfalto bloqueia o movimento de uma estrada inteira.

“O normal é você colher a safra e ela ser concomitantemente escoada. Você tá colhendo e tá escoando no mesmo instante”, explica o produtor rural Ilson José Redivo.

A soja que está sendo colhida acaba se tornando um problema para o produtor também. Primeiro, porque faltam caminhões para fazer o transporte em função do bloqueio no Pará. E segundo, porque os pontos de armazenagem estão ficando sobrecarregados. Um exemplo: os produtores de Nova Canaã, ao norte 160 quilômetros, estão percorrendo o caminho inverso com a carga e trazendo tudo que produzem para ser armazenado na região de Sinop.

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São despesas a mais para o produtor. E o prejuízo é agora e é para a frente. Os caminhões não sobem para o Pará nem descem sentido Mato Grosso.

“De lá pra cá era pra estar vindo um pouco de fertilizante, mas não tá acontecendo, então esse fertilizante viria para a safrinha de milho e não tá chegando. Tá tudo parado na estrada”, diz Leonildo Bares, vice-presidente do Sindicado Rural de Mato Grosso.

A transportadora do Claudecy tem 300 caminhões; 180 ficaram travados na BR.

“O prejuízo é em torno de R$ 700 por dia de cada caminhão”, conta o dono de uma transportadora, Claudecy Oliveira Lemes.

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O Francisco escapou por pouco. Conseguiu voltar antes da lama e os buracos criarem uma fila que chegou a ter três mil caminhões. Nesta quinta-feira (2), segundo o governo, há pelo menos 900.

O fogãozinho bem que ajudou a não passar fome, mas ele conhece o drama dos que estão no meio do atoleiro.

“Você fica no meio da estrada correndo perigo de ser roubado, de ficar doente e morrer. Você fica jogado lá”, lamenta o caminhoneiro Francisco de Assis Soares Claudino.

Tem caminhoneiro preso no lamaçal há semanas com pouca ou nenhuma água e comida.

O Exército começou nesta quinta-feira a distribuir cestas básicas. E o Dnit promete liberar a rodovia até sexta-feira (3).

Fonte: Jornal Nacional




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