Grupo Roma Transportes entra em recuperação judicial em MT




O Grupo Roma, transportadora que já teve entre seus sócios André Antônio Maggi (já falecido), teve seu pedido de recuperação judicial aceito pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT). A empresa possui dívida de R$ 70,4 milhões e foi fundada na cidade de Cascavel (PR) nos anos 1980.

A decisão do juiz da Quarta Vara Cível, Renan C. L. Pereira do Nascimento, foi publicada na última quarta-feira (29). O pedido de recuperação engloba as oito empresas do Grupo – Transportadora Roma Logistica Ltda, Transportadora Rodovia Ltda, Rodorama Transportes Logística Ltda, Romagrãos Transpostes Logística Ltda, Senc Participações e Investimentos Ltda, RFNC Participações e Investimentos Ltda, TRR Roma Transportes de Combustíveis Ltda e RNC Participações e Investimentos Ltda.

Em seu pedido, a empresa afirma que passou a exercer suas atividades em Mato Grosso e Mato Grosso Sul em razão da expansão do cultivo de soja em ambas unidades federativas – mais precisamente nas regiões de Campo Grande (MS) e Rondonópolis (MT). Porém, com a chegada da ferrovia, entre 2005 e 2010, “houve uma mudança na logística da soja, razão pela qual ficou mais viável para a sociedade, estabelecer sua matriz no município de Rondonópolis”.

A organização – fundada por Romualdo Nunes Cavalheiro em parceria com André Antônio Maggi, pai do Ministro da Agricultura, Blairo Maggi -, vem enfrentando “uma das maiores crises de sua história, apesar dos grandes investimentos realizados entre 2010 e 2016”, como consta no processo.

O Grupo Roma indica ser vítima “da crise que assolou todo o ramo de transportes em todo o cenário nacional”, fato que a fez trabalhar “abaixo dos custos, com resultados abaixo do esperado”.

Para justificar seu pedido de recuperação judicial, o Grupo Roma afirma que possui “atividade plenamente viável”, ao passo que conta com um “quadro de funcionários composto por 450 colaboradores diretos, possuindo uma [frota] de 210 caminhões, além de possuírem agenciamento de cargas com mais de 20 mil caminhões cadastrados no sistema”.

A organização atua em 13 Estados do território nacional, “fazendo com que muitas famílias dependam direta e indiretamente do sucesso e da continuidade da empresa”. O Grupo Roma afirma que precisa de um “fôlego” para “negociar o passivo [dívidas] junto aos fornecedores, reduzir o pagamento de juros abusivos, voltar a crescer, manter os empregos existentes e gerar vagas de trabalho”.

O magistrado aceitou os termos do pedido de recuperação, nomeando o administrador judicial Tadeu Trevisan, que será responsável por prestar informações e consolidar o quadro geral de credores, que será homologado pelo juiz, solicitar ao magistrado a convocação de assembleia geral, entre outras ações.

Como é de praxe, e segundo disciplina a lei que regula a recuperação judicial (nº 11.101/2005), a empresa possui 60 dias para apresentar seu plano de recuperação – e estimativa de tempo que precisará para pagar seus credores -, além de se beneficiar com a suspensão por 180 dias de ações de execução (ordens de pagamento contra a empresa).

O plano de recuperação judicial deverá ser apreciado em até 150 dias pelos credores numa assembleia geral, que poderão aceitá-lo, rejeitá-lo ou modificá-lo. Caso um acordo não seja realizado, o juiz decreta a falência da empresa, restabelecendo aos cobradores das dívidas – como as empresas e trabalhadores que cobram débitos do Grupo Roma -, o direito de pelitear pelas suas dívidas, inclusive na justiça, uma vez que a recuperação judicial suspende por 180 dias esta possibilidade.

Fonte: FolhaMax





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