Operação flagra 70,37% de caminhoneiros trabalhando irregularmente no país




Excesso de jornada, falta de descanso, trabalho sem registro em carteira e fraudes no seguro-desemprego foram algumas situações flagradas pelo Ministério do Trabalho durante a fiscalização do setor de transporte nas rodovias do país, em abril. Segundo a pasta, 70,37% dos caminhoneiros abordados estavam trabalhando irregularmente.

A operação fez parte da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat), feita neste mês de abril, e do movimento Abril Verde, que teve como tema Conhecer para Prevenir. O dia 28 de abril é mundialmente dedicado à memória das vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

A Secretaria de Inspeção do Trabalho do ministério priorizou na campanha deste ano as atividades do setor de transporte, que tem sido um dos destaques negativos em acidentes de trabalho, principalmente o transporte rodoviário. Em 2013, o setor foi responsável por uma taxa de mortalidade de 30,28%, um indicador 4,6 vezes maior do que a taxa nacional no ano, que foi 6,53%. O setor rodoviário de cargas concentra o maior número de mortes no segmento de transporte, em média, 15% das mortes do setor ocorrem com motoristas de caminhão.

Para o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, no caso dos motoristas de caminhões, além da própria vida e saúde, colocam em risco a vida de outras pessoas. “Os casos de informalidade e com jornada exaustiva reduzem a capacidade do próprio trabalhador de conduzir o veículo. E os riscos são iminentes”, disse.

Impactos sociais e econômicos

Além dos danos individuais, existe ainda um impacto social dos acidentes de trabalho, segundo Nogueira. “Aquele trabalhador que muitas vezes é surpreendido por um acidente de trabalho ou tendo a saúde afetada, esse trabalhador termina indo para a Previdência Social, que precisa amparar esse trabalhador.”

Segundo o ministério, estima-se que os gastos e despesas relacionados a acidentes e doenças de trabalho atinjam 4% do Produto Interno Bruto (PIB), o que totalizaria, somente em 2016, valores superiores a R$ 200 bilhões ao ano. Nesse montante estão despesas do Sistema Único de Saúde e com benefícios previdenciários, além de despesas e gastos de empregadores por conta de dias parados, perda de produtividade e ações de ressarcimento. O equivalente a 7 milhões de dias de trabalho são perdidos a cada ano.

Dados de 2010 a 2014 revelam a ocorrência média anual de 710 mil doenças e acidentes de trabalho, que resultam em 15 mil incapacitações permanentes e mais de 2,8 mil mortes. Ou seja, um acidente a cada 44 segundos, uma incapacitação a cada 30 minutos e uma morte a cada 3 horas nos locais de trabalho do país.

Minuto de silêncio

Durante o balanço da Canpat, hoje (27), em Brasília, autoridades fizeram um minuto de silêncio em memória de todas as vítimas de acidentes de trabalho.

O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, estendeu seu pesar à aprovação da reforma trabalhista, ontem (26) na Câmara dos Deputados. “Confesso que meu minuto de silêncio se estendeu das vítimas de acidente de trabalho para o próprio direito de trabalho que sofreu um duro golpe”, disse. “Espero que no Senado Federal ainda haja espaço para a discussão democrática, aberta e sincera das consequências do que foi aprovado ontem”.

Sobre a Canpat, Fleury ressaltou que é preciso conscientizar as empresas para a cultura da prevenção. “O trabalhador deve voltar pra casa da mesma forma que ele saiu. Ele saiu vivo e saudável e assim deve retornar para sua família”, disse. “Mas se a palavra da moda é desenvolvimento e recuperar a economia, o que representa isso para a economia do país?”.

Fleury citou dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, que apontam que, entre 2012 e 2016, os trabalhadores brasileiros perderam mais de 250 milhões de dias de trabalho devido a acidentes e doenças ocupacionais, enquanto cerca de 20 bilhões de reais foram gastos com benefícios acidentários.

A nova ferramenta online apresenta dados georreferenciados de incidência e de número de notificações de acidentes de trabalho, gastos previdenciários acumulados e dias de trabalho perdidos, entre outros. Ela foi lançada hoje pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e desenvolvida em parceria com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Subnotificação de acidentes

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Fernando Silva Filho, apenas um quinto dos acidentes de trabalho ocorridos no Brasil são notificados de maneira oficial pois mais de metade da população economicamente ativa vive na informalidade. “Isso é uma catástrofe. O que já é comunicado é alarmante, 700 mil acidentes, se nós multiplicarmos por cinco, teremos 3,5 milhões de acidentes em razão de condições inadequadas de trabalho.”

Para ele, a Canpat é positiva, pois, de maneira institucional, leva a mensagem da cultura prevencionista como uma das medidas mais eficazes para evitar os problemas de saúde e acidentes de trabalho.

Silva critica, entretanto, o fato de o governo federal não ter reservado orçamento para a fazer concurso e contratação de auditores fiscais do trabalho. Segundo ele, o quadro de auditores é o pior dos últimos 20 anos. “Temos 1,2 mil cargos vagos dos 3,6 mil que existem por lei. Mas esse quadro que já existe é um quadro ultrapassado de acordo com as regras da OIT, que dá conta que o Brasil precisaria de 8 mil auditores fiscais do trabalho.”

Fonte: Agência Brasil





11 comentários em “Operação flagra 70,37% de caminhoneiros trabalhando irregularmente no país

  • 30/04/2017 em 00:38
    Permalink

    Me aborrece profundamente quando veio comentários equívocos sobre meu trabalho e Minha classe proficiinal.
    Autoridades ipocritas menosprezando e colocando culpas indevidas sobre nossas costas com informações e comentários distorcidos, a fim de livrar ou beneficiar os verdadeiros culpados por catástrofes e desastres nas rodovias.
    Gostaria que fossem publicados os acidentes causados por falhas na construção ,na conservação, na finalização das rodovias. Sem contar na utilização por condutores totalmente incapacitados para transitar em rodovias.
    Qual auto escola no país treina o aluno em rodovias? Ou sequer qual exame é feito em candidato a habilitação , sobre trânsito em rodovias? No entanto qualquer pessoa que recebe uma ” carteira de habilitação” é considerada apta a dirigir em rodovias, cometendo falhas absurdas na frente de veículos pesados ( caminhões, carretas, bitrens, ônibus) em velocidades que não os permitem conseguir parar como automóveis e motocicletas param.
    É fácil jogar a culpa encima do mais vulnerável e se livrar dá responsabilidade.
    Se querem falar do assunto , vamos falar a realidade é encontrar soluções,
    Esse discurso covarde de colocar o trabalhador do transporte como vilão das rodovias é no mínimo uma palhaçada !!!

    Resposta
  • 29/04/2017 em 18:46
    Permalink

    Eu gostaria muito que todos os companheiros caminhoneiros para se por pelo menos 1 mês para a população brasileira desse conta da falta de respeito com o caminhoneiro quando começa se a faltar na mesa deles falta comida e tudo que esses que nos chama de drogado irresponsável falta se o pão para dar o filho de manhã falta se o gás de cozinha e tudo que se usa no lar desses que só sabe crítica os caminhoneiros vocês já pensaram nessa possibilidade minha gente orem por todos os caminhoneiros para que este dia nunca cheguei

    Resposta
  • 29/04/2017 em 18:33
    Permalink

    Enquanto não houver fiscalização eficiente nas empresas,isso vai continuar. Da a sensação que é interessante para os governos que essa situação continue.

    Resposta
  • 29/04/2017 em 18:31
    Permalink

    O patrão explora o caminheiro exige fazer horário rodar toda a noite tomamos arrebites e depois quando da algo errado ele cai fora diz como se fosse um santo não mandei ele fazer isso. Patraoes cornos fela da puta manda o motorista para a boca da onça e depois pula fora

    Resposta
    • 30/04/2017 em 04:18
      Permalink

      Positivo parceiro, estou em um grupo de caminhoneiros no facebook, e no sábado de aleluia(dps da sexta santa) ele postou um texto falando sobre sua indignação com o patrão dele, que o havia faladdo assim(sem nenhuma alteração) “ficou parado aí metade do dia ontem, agora tome dois hoje, dois amanhã e toca esses dias inteiros pra compensar”
      cara esses patrão tem que largar mão de ser cabra safaddo

      Resposta
  • 29/04/2017 em 17:16
    Permalink

    Eu acho que tinha que acabar com essa profissão de motorista.todo mundo só fala que provocam acidente.que são pedófilos,que não tem educação.ninguem vê que o cara não tem estrutura,vive longe de casa e ganha uma Michaelis.acaba e cada um vai buscar na fábrica o que quiser comprar

    Resposta
  • 29/04/2017 em 16:46
    Permalink

    Tiraram o direito de se apresentar com 25 anos de contribuição do motorista agora ficam aí criticando quem luta pra pagar as contas pais de corruptos

    Resposta
  • 28/04/2017 em 12:02
    Permalink

    A culpa nao é do motorista! Imagine voçe chega para carregar as 09hs da manhã demoram 03hs ou mais para carregar mais 02hs para pegar a nota ai vc tem que levar a carga por 600 km para entregar façam as contas e vejam se é culpa do motorista!

    Resposta

Deixe sua opinião sobre o assunto!