Tempo de estrada




Já faz 68 anos que os primeiros veículos pesados feitos no Brasil ganharam as estradas. Em 1949, a Fábrica Nacional de Motores (FNM), estatal brasileira criada durante o governo de Getúlio Vargas, montou seus primeiros caminhões: cerca de 200 unidades, feitas com peças importadas, por meio de um acordo com a marca italiana Isotta Fraschini, que cedeu os direitos sobre o projeto de sua autoria.

A empresa estrangeira fechou as portas logo em seguida, o que obrigou a estatal brasileira a formar outra parceria, dessa vez com a também italiana Alfa Romeo. As linhas de produção em Xerém (RJ) começaram a fornecer o então novo caminhão D-9.500 em 1951, e a comercialização foi iniciada no ano seguinte. A partir daí, as vendas e o índice de nacionalização foram aumentando, e a indústria nacional do setor deu os primeiros passos.

A Fenemê (corruptela pela qual a FNM passou a ser chamada), porém, logo ganhou concorrentes: na década de 50, as políticas do então presidente Juscelino Kubitschek incentivaram a vinda de multinacionais para que o país se tornasse produtor (e não só montador) de veículos. Já em 1956, a Mercedes-Benz inaugurou sua fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP) e começou a ampliar o índice de nacionalização de seus produtos (a marca alemã já montava veículos pesados no país desde 1950, no Rio de Janeiro).

A concorrência começou a crescer com velocidade: em 1957, era a vez de a Scania estabelecer-se em São Paulo, também trabalhando com veículos que vinham desmontados da Suécia. No ano seguinte, a empresa lançou o L 75, caminhão que tinha 35% das peças feitas no Brasil. Um ano depois, a empresa inaugurou sua fábrica no bairro do Ipiranga, também na capital paulista, e, em 1962, a unidade industrial se mudou para São Bernardo do Campo (SP).

Boom a partir dos anos 60

Curiosamente, dois dos maiores fabricantes de automóveis do Brasil iniciaram o processo de nacionalização com caminhões e veículos comerciais leves, na mesma época. Uma delas foi a Ford, que em 1957 passou a produzir no Brasil o modelo F-600, com motor V8 a gasolina. No mesmo ano, a Chevrolet nacionalizou seu primeiro caminhão, chamado de 6.500 e equipado com propulsor de seis cilindros em linha, também movido a gasolina.

Nos anos 80, mais empresas do setor começaram a produzir no Brasil. Em 1980, Volvo inaugurou sua fábrica em Curitiba (PR).

Em 1981, foi a vez de a Volkswagen entrar no mercado de caminhões, após adquirir as operações da Chrysler Motors do Brasil, que desde 1969 fabricava o modelo D700 no país. Já naquele ano, a marca alemã lançaria o E13, pioneiro no uso de etanol entre os veículos pesados. A Iveco, outra gigante do setor, começou a operar no Brasil em 1997 e, no ano 2000, inaugurou sua fábrica em Sete Lagoas (MG).

Nos últimos anos, mais fabricantes chegaram ao Brasil. Em 2011, a MAN, que integra o Grupo Volkswagen, começou a operar no país. Em 2013, foi a vez da holandesa DAF desembarcar aqui.

 

Minas é polo do setor

O começo das operações da fábrica da Iveco em Sete Lagoas, no ano 2000, colocou Minas Gerais entre os Estados brasileiros que produzem veículos pesados. A construção demandou investimentos iniciais de R$ 570 milhões.

Atualmente, a fábrica ocupa 600 mil metros quadrados em uma área de 2,35 milhões de metros quadrados, da qual também faz parte um campo de provas, o primeiro do setor no país, inaugurado em 2015.

“Minas Gerais tem uma importância estratégica para a Iveco. Sua localização privilegiada, próximo a grandes centros consumidores, e a história do Grupo CNH Industrial, do qual a Iveco faz parte, que tem outras unidades fabris no Estado, como a fábrica de máquinas de construção em Contagem, são alguns fatores que proporcionaram o sucesso dessa parceria com os mineiros”, explica Ricardo Barion, diretor de marketing da empresa para a América Latina.

Além da Iveco, a Mercedes-Benz também produz caminhões em Minas, mais precisamente em Juiz de Fora, desde 2012. Atualmente, saem da unidade localizada na cidade da Zona da Mata a linha Actros e as cabines para quatro modelos da Mercedes: o Atego, o Accelo, o Atron 1635 e o Axor.

Marca nacional

Depois da pioneira FNM, outras empresas criadas no Brasil também produziram caminhões, mas a maioria fechou as portas ou saiu do setor.

A única que sobreviveu e que ainda permanece no mercado é a Agrale. A fabricante nacional com sede em Caxias do Sul (RS) lançou seu primeiro caminhão, o TX-1100, em 1982 e, atualmente, produz três linhas de pesados em sua planta industrial.

Fonte: O Tempo





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