Documentos descrevem crimes que PRFs presos no Triângulo Mineiro são investigados

O MGTV divulgou nesta terça-feira (27) parte dos documentos que descrevem crimes pelos quais 15 policiais rodoviários federais e quatro empresários teriam cometido para serem presos na operação ‘Dominicano’, deflagrada na última quinta-feira (22). De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), eles são suspeitos de corrupção e agiam das mais variadas formas cobrando propina.

Os policiais são de unidades operacionais de Uberlândia, Araguari e Monte Alegre de Minas. Dos 17 policiais investigados, 15 estão presos e dois afastados das atividades profissionais.

O grupo pode responder por corrupção ativa e passiva; tráfico de influência; concussão (que é quando alguém exige vantagens pelo cargo da função que assume); prevaricação ( quando um funcionário público deixa de assumir os deveres que a função o obriga); receptação qualificada; estelionato; lavagem de dinheiro entre outros.

Denúncias

A Controladoria Geral da União (CGU) participou da análise da movimentação financeira e evolução patrimonial dos envolvidos. De acordo com o delegado chefe da Polícia Federal, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo tem policial que cometeu mais de 30 crimes só durante estes sete meses de investigações.

Na medida cautelar que a TV Integração teve acesso são narrados vários históricos de possíveis crimes. Muitas dessas informações foram obtidas através de interceptações telefônicas e gravações feitas com equipamentos instalados dentro de viaturas. Veja:

  • Em um dos casos, os policiais rodoviários federais: Alexandre Mesquita Ciuffa e Gidelson Mário de Oliveira teriam abordado um caminhoneiro na BR-365 alegando que o veículo estaria com o peso acima do descrito na nota fiscal e que para liberá-lo sem autuação eles exigiram o pagamento de R$ 1 mil. Os policiais ainda teriam informado que desejavam uma negociação futura com o patrão do caminhoneiro para isenções de fiscalizações em novas ocorrências.
  • Em uma outra denúncia feita por um caminhoneiro, o PRF Tairone de Paula Sales teria pedido um “cafezinho” durante a abordagem. Esse mesmo caminhoneiro disse que em uma data futura, o investigado Silvio Cesar Vasconcelos Brígido o teria abordado de madrugada, no pátio de um posto, enquanto ele dormia, pra dizer que ele estava com excesso de peso, numeração de chassi adulterada e disse também que a habilitação estaria suspensa. Por causa disso, teria cobrado R$ 5 mil. O motorista deu a ele R$ 210.
  • Em outra situação, uma empresária narrou para a unidade da PRF que motoristas de uma empresa estavam constantemente sendo intimidados. Em um dos casos ditos por ela, um caminhoneiro teria sido extorquido e por ter só R$ 90 ficou sob o poder dos policiais por várias horas, vindo a perder o enterro da própria da irmã. Nessa situação são investigados Antenor de Souza Leal Filho e Tairone de Paula Sales.
  • No documento consta que os policiais rodoviários federais Jean Carlos de Morais e Marco Antônio Domingues são investigados em uma situação em que teriam perguntado a um dono de veículo que foi roubado se eles ganhariam alguma recompensa caso encontrasse o mesmo. Era um caminhão carregado com milho e dirigido por uma outra pessoa. O Boletim de Ocorrência (BO) chegou a ser confeccionado pelos policiais, mas esse BO não foi encontrado na Polícia Civil. Diligências feitas posteriormente por agentes de campo encontraram sacos de milho que possivelmente estariam no caminhão roubado em um barracão de Evaldo Macedo, que não é policial, mas também foi preso, e que ligações telefônicas interceptadas a partir do terminal utilizado pelo empresário e que constam no processo indicam que ele participou do furto da carga de milho, com possível colaboração do motorista e dos PRFs Jean e Marco Antônio.
  • Diálogos interceptados indicam que o PRF, Gidelson Mário de Oliveira, teria recebido repasses de propina de um guincheiro.
  • Entre os citados está o presidente da Associação dos Policiais Rodoviários: José Roque da Silva Filho. Nos documentos consta que o patrimônio dele é incompatível com a renda como policial rodoviário federal. Ele deu entrevista ao MGTV 2ª edição há quase um mês. Na época foi exibida uma série de reportagens especiais sobre a violência enfrentada por motoristas nas estradas e a dificuldade da fiscalização.

Fonte: TV Integração

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