O Trip Optimizer calcula, em tempo real, o melhor momento de acelerar e frear com eficiência a partir de um percurso pré-definido com base em um programa especialmente elaborado para este tipo de operação, considerando fatores como comprimento do trem, peso, qualidade e condições da via, assim como a quantidade, potência e desempenho das locomotivas. Durante a viagem, os computadores do Trip Optimizer, interligados aos demais sistemas de bordo e de GPS, planejam constantemente a melhor forma de conduzir cada trem, avaliando mudanças que possam ocorrer durante o trajeto, de modo que o trem possa chegar a tempo, com segurança e com uso mínimo de combustível.
“O Trip Optimizer permite a Vale aumentar a sua produtividade logística e, evidentemente, cada ganho como este nos ajuda a reduzir a desvantagem natural que temos em relação aos nossos concorrentes australianos, que estão muito mais perto de nossos clientes do que nós. Outro aspecto importante é o ganho ambiental, pois reduzimos também as emissões de gás carbônico ao gastar menos combustível”, afirma Humberto Freitas, diretor-executivo de Logística e Pesquisa Ambiental. Já o presidente e CEO da GE Transportation para a América Latina, Marcos Costa, destaca a solução customizada usada para desenvolver o sistema, já que, na EFC, circulam os maiores trens do mundo, com 3,4 quilômetros de extensão, formados por 334 vagões e três locomotivas – a principal, que puxa a composição, e duas auxiliares, colocadas a cada lote de 110 vagões. Neste caso, o Trip Optimizer é instalado na locomotiva principal.
“Para atender às necessidades da Vale, a solução foi customizada pelos pesquisadores do Centro de Pesquisa da GE no Brasil, localizado no Rio de Janeiro, em conjunto com o time de Engenharia da GE dos Estados Unidos e da Engenharia Ferroviária da Vale. As características específicas do relevo brasileiro e de nossas ferrovias foram consideradas no desenvolvimento desta solução”, explica Marcos Costa, presidente e CEO da GE Transportation para a América Latina.
A customização da tecnologia também permitiu chegar a uma ferramenta mais completa de padronização da operação, trazendo uma série de outros benefícios que garantem mais eficiência durante o trajeto. Exemplo disso é a identificação dos limites de velocidade da ferrovia que o software realiza e tira o máximo proveito durante a condução do trem, operando muito próximo da marcação permitida, mas sem ultrapassá-la, o que nem sempre acontece com a operação manual. Dessa forma, também é possível reduzir os riscos de quebra dos engates entre os vagões, o que pode ocorrer em momentos de aceleração e desaceleração muito rápida.
“Hoje, o Trip Optimizer começa a operar quando o veículo atinge a velocidade de 19km/h. O nosso próximo passo em busca da melhoria constante de tecnologias inovadoras é desenvolver um sistema no qual o software entre em atividade desde o início da operação da máquina, a partir de 0km/h”, conclui Alexandre Silva, líder da área de Sistemas Inteligentes do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil.
Na EFC, o equipamento será instalado em 114 locomotivas, iniciando no segundo semestre. Testes pilotos na Estrada de Ferro Vitória a Minas, que liga as minas da Vale ao Porto de Tubarão, e no Corredor Nacala, em Moçambique, onde a empresa tem operações de carvão, serão iniciados brevemente. Segundo o gerente de Engenharia Ferroviária da Vale, Leonardo Vieira Machado Alexandre, a intenção é permitir que o trem circule o máximo possível no piloto automático para atingir a meta de redução do consumo de diesel. “A atuação do maquinista somente é necessária em determinadas situações como por exemplo a aplicação de freio quando ele vir algo cruzando a linha férrea”, explica.
Grandes Desafios
O início dos testes na Estrada de Ferro Carajás, lembra Leonardo Alexandre, foi particularmente difícil, principalmente por conta do tamanho e peso do trem. “No início dos testes, em muitos casos, o Trip Optimizergastava mais combustível do que se o trem estivesse na mão do maquinista. Com o tempo, a GE foi desenvolvendo o sistema em parceria com a engenharia da Vale possibilitando atingir a condução mais eficiente”, conta o gerente da Vale.
Segundo Alexandre Silva, da GE, a solução permite uma condução padronizada, com menores forças internas nos engastes, além de gerar um aumento na segurança da operação. “Este é um ótimo exemplo dos avanços que virão com a Internet Industrial, que surge a partir da associação entre máquinas conectadas, crescimento exponencial de dados, novas tecnologias em analytics e empresas onde o maquinário é parte fundamental do negócio”, complementa.
Atualmente, o Trip Optimizer é um produto global da GE com sistemas instalados em ferrovias dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, China, México e, agora, finalmente lançado no Brasil e na África, através das ferrovias da Vale. Em todo o mundo, são quase 3.000 trens operados todos os dias utilizando os benefícios operacionais proporcionados por essa tecnologia e mais de 16 milhões de quilômetros já percorridos com trens equipados com este sistema.
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