Artista aproveita lona usada de caminhão para pintar paisagens e natureza




Jonas Lemes nasceu em Cambuquira (MG). Entre a escola, o armazém e a igreja, o artista autodidata enxergava no reboco envelhecido das paredes que estavam em seu caminho contornos que ganhavam formas diversas. Eram paisagens, faces, animais…

Em 1990, o artista passou a pintar em óleo sobre tela. A partir de 2001, no entanto, descobriu a lona usada de caminhão que, surrada pelo tempo e pelo uso, era descartada sem cuidado no lixo.

No início, o artista experimentou várias técnicas de pintura: óleo, aquarela, acrílico e nanquim. Com o tempo, aprendeu a preparar a lona como base para os quadros.

A lona utilizada hoje em seus trabalhos precisa ser bem surrada, com manchas e furos e ter no mínimo 10 anos de uso.

As lonas têm três cores básicas no mercado: bege, amarela e verde. A amarela e a verde servem para paisagens e flora. As cenas do cotidiano pedem a lona bege.

As manchas na lona, provocadas pelo uso diário, transformam-se no céu de algumas pinturas. Uma tela que representa bem essa situação é uma paisagem de Lambari (MG).

Os fornecedores das lonas são caminhoneiros de uma cooperativa. Da mesma forma que se preocupa em aproveitar a lona, Jonas cuida do descarte dos solventes utilizados na limpeza de pincéis. Como não podem (e não devem) ser lançados na rede de esgoto, o pintor mantém uma caixa de brita e areia só para o despejo de resíduos.

Até com a armação das telas ele se preocupa. Por isso, usa madeira reciclável no suporte de fixação dos quadros.

O artista já expôs em várias capitais do Brasil (São Paulo, Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte).

Desde 2009, o artista tem suas obras em uma galeria de Paris (França). “Quanto mais remendos, furos e letras a tela tiver, mais o público gosta”, afirma.

Fonte: Terra da Gente

 




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