Câmara analisa projeto para proteger frentistas e condutores dos gases tóxicos dos combustíveis




“Só até o automático, por favor”. Aquela expressão que muitos motoristas usam no posto de combustíveis pode virar lei. Está sendo discutido um projeto (3327/15), do deputado Giovani Cherini, do PDT do Rio Grande do Sul, que pretende controlar a evaporação de gases durante o abastecimento dos carros. Muitas substâncias tóxicas, como o benzeno, são liberadas pela gasolina. A proposta obriga a instalação de filtros nas bombas e proíbe a continuidade do abastecimento depois do acionamento automático da trava de segurança.

Representantes do governo, dos fabricantes de veículos e de empresas que produzem equipamentos para controlar esta evaporação foram convidados para a audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Também estiveram no debate representantes dos donos de postos. Viviane Forte, do Ministério do Trabalho, expôs os detalhes de uma norma que, desde o ano passado, estabelece parâmetros para proteger a saúde dos frentistas e dos condutores de veículos. Ela ressaltou que é preciso uma mudança de cultura por parte do consumidor para abandonar alguns hábitos.

“Completa mais um pouquinho e aí derrama, e aí o trabalhador vai lá com um paninho e limpa. Tudo isso potencializa a exposição daquele trabalhador aos vapores da gasolina que contem benzeno”.

O consultor ambiental Gabriel Murgel Branco defendeu a adoção da chamada “tecnologia embarcada nos veículos”, um sistema instalado nos automóveis que retém 98 por cento dos gases tóxicos e reaproveita os vapores como combustível. O deputado Carlos Gomes, do PRB do Rio Grande do Sul, relator do projeto de lei na Comissão de Seguridade Social e Família, pretende incorporar esta ideia em seu parecer.

“Resolve a questão da exposição do trabalhador, resolve a exposição também do condutor que vai lá abastecer que às vezes tá cheirando, né. Ele sente aquele cheiro forte de gasolina, que ali também tem benzeno, ou seja, resolve todos os problemas que envolvem a questão do abastecimento no posto de gasolina”.

Para Henry Joseph Junior, diretor técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea, é preciso controlar a emissão dos gases não só durante o abastecimento do automóvel no posto, mas desde o abastecimento do caminhão nas refinarias. Ele alertou que a introdução da tecnologia embarcada nos veículos não é tão simples e pode pesar no bolso do consumidor.

“Haverá realmente uma passagem de custos significativa para o proprietário do veículo, mas principalmente terá que ser feita uma mudança muito grande nos projetos do próprio veículo, o que impede que essa implementação seja feita de uma hora para outra”

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul mostra que o benzeno, um dos gases tóxicos liberados pela gasolina, provoca danos ao sistema nervoso central, doenças nos rins e no fígado, além de vários tipos de câncer relacionados ao sistema sanguíneo.

Fonte: Agência Câmara de Notícias




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