Falta sinalização adequada em viadutos de São Paulo

por Blog do Caminhoneiro

Caminhões passam “raspando” sob o viaduto Fepasa, no centro de São Paulo, na congestionada avenida do Estado, numa cena corriqueira, segundo comerciantes que circulam pela região.

Uma placa avisa os motoristas: altura 4,3 metros.

Mesmo assim, uma carreta de uma empresa de bebidas não deu a atenção devida e bateu contra a estrutura, causando um desabamento de blocos de concreto –que atingiram o veículo onde vinha a juíza Adriana Nolasco, 46, que morreu minutos após a colisão, ocorrida na noite do último domingo (19).

Naquele ponto ainda havia o sinal de alerta. Embora a maior parte dos viadutos e pontes nos principais eixos viários paulistanos tenha placas indicativas de altura, há falhas e falta de aviso inclusive perto do local da tragédia.

Os problemas desse tipo de sinalização foram constatados nesta sexta-feira (23) nas avenidas do Estado e Bandeirantes e nas marginais Tietê e Pinheiros.

O normal é que todos esses acessos tenham o aviso de altura, já que há caminhões cujas cargas superam 5 metros.

Na avenida do Estado, o viaduto Diário Popular estava sem a sinalização.

A cena se repetiu na zona sul da cidade, na pista expressa da marginal sob a ponte Engenheiro Ary Torres. Ali, o único aviso era o de que há radares de velocidade na via.

O mesmo ocorreu na ponte Santo Amaro, que passou por reformas no ano passado depois que um caminhão carregado com combustível bateu contra outro, provocando um incêndio que abalou a estrutura da obra.

O arquiteto Flamínio Fichmann, consultor em mobilidade, disse que, em geral, a sinalização é obsoleta em toda a cidade. Ele defende alertas eletrônicos com painéis para conscientizar motoristas.

“De maneira geral o nosso sistema de sinalização é antiquado. O sistema de comunicação tem que ser permanentemente atualizado, tanto por causa das novas estruturas viárias que surgem como pela necessidade de uma sinalização moderna”, diz.

Após acidentes em pontes na marginal Pinheiros nos últimos anos, Fichmann, que já atuou na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), sugeriu a instalação de cabos que alertassem que o limite de altura havia sido ultrapassado, para que o motorista buscasse rotas alternativas antes de provocar acidente.

Segundo ele, hoje é possível instalar sensores nas principais vias, que podem emitir alertas para a central de operações de tráfego e para painéis instalados nas próprias vias. “Esse sistema ajudaria não só como alerta como na fiscalização de infratores.”

O arquiteto ressalta, porém, que se deve reforçar ainda mais a fiscalização por agentes da companhia.

Apesar de as pontes terem a indicação de altura, segundo engenheiros de tráfego, o ideal é que haja avisos ao longo das vias antecipadamente, alertando para os riscos.

Dimensões

A CET informou que as dimensões de altura e largura do transporte de carga devem respeitar os limites legais estabelecidos em resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e legislações complementares.

“A altura máxima estabelecida pelo Contran é de 4,4 metros. Acima desse limite, é necessário que o veículo possua a Autorização Especial de Trânsito (AET) para circular na cidade”, diz o texto.

Segundo a companhia, para pontes e viadutos com altura abaixo de 4,4 metros, deve-se reforçar a sinalização de regulamentação antes do local, para que o motorista tenha opções de rotas alternativas. “Já para os locais com altura regulamentada acima de 4,40 m a sinalização é feita com placas de regulamentação com a altura permitida na própria estrutura”.

Ainda segundo a CET, para evitar incidentes em pontes e viadutos, houve reforço na sinalização nas vias com a regulamentação de altura máxima permitida e recomendação a motoristas de análise detalhada do itinerário percorrido. Sobre as falhas apontadas, a CET diz que há sinalização da maioria deles.

Fonte: Folha de São Paulo

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