Justiça impede que motoristas bloqueiem distribuição de combustíveis no DF




A Justiça impediu a manifestação de motoristas de aplicativos e consumidores que pretendiam bloquear o abastecimento de postos de combustíveis no Distrito Federal, como forma de protestar contra a alta nos preços. Como o Correio antecipou na tarde de quinta-feira, o movimento tinha a intenção de impedir a saída dos produtos da Transpetro, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Porém, a Petrobras e uma empresa de combustíveis recorreram ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e tiveram seus pedido de liminar acolhidos.

As decisões, proferidas pelo tribunal no fim da noite de quarta-feira, foram contra a Associação dos Motoristas Prestadores de Serviços de Transporte Individual Público e Privado de Passageiros por Aplicativos Baseado em Tecnologia de Comunicação em Rede no Distrito Federal (AMSTIP-DF).

Em uma das decisões, a Corte do DF destacou que seria alvo do bloqueio também é base de distribuição para diversos órgãos de segurança pública do DF, como as Polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal, além do Corpo de Bombeiros e Forças Armadas. Hospitais e transporte público também seriam afetados com o movimento. A gasolina no Distrito Federal varia de R$ 3,99 a R$ 4,14.

Nova estratégia

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O presidente da AMSTIP-DF, Bismarck Konrad Hgermann, afirmou que a categoria vai se reunir hoje com seu corpo jurídico para traçar as próximas ações. “Tentaremos derrubar essas liminares para darmos continuidade com o protesto”, disse.

Hgermann contou que os manifestantes chegaram a se concentrar no Setor de Inflamáveis, localizado no Setor de Indústria e Abastecimento, quando oficiais de Justiça e a Polícia Militar chegaram ao local. “Depois que analisamos os documentos, chegamos à conclusão de que seria melhor abortar a estratégia. Porém, além da reunião com nossos advogados, já entramos em contato com o pessoal de Goiânia para buscar novas alternativas para seguirmos com o movimento”, explicou.

Desabastecimento em Goiânia

O ato teve início em Goiânia e em outros municípios do estado de Goiás há quatro dias, onde vários postos de combustíveis estão sem abastecimento. Motoristas e consumidores reclamam dos valores cobrados e acusam os postos de praticar cartel. Com a distribuição bloqueada por motoristas, caminhoneiros e sindicatos, os consumidores encontram dificuldades em abastecer os carros. Os estabelecimentos que ainda têm combustível estão com longas filas. A gasolina na capital goiana chega a custar R$ 4,99.

O movimento em Brasília conta ainda com o apoio do Sindicato dos Transportes Escolares do Distrito Federal (Sintresc-DF), do Sindicato do Motociclista Profissional (Sindmoto-DF) e do Sindicato dos Trabalhadores Autônomos e Mototaxis  (Sindmototaxi-DF). O presidente do Sindicato do Sintresc-DF, Nazon Simões Vilar, acredita que aqui a situação não é diferente da vivida em Goiânia. “A prática do cartel é histórica. Apesar das autoridades afirmarem que não existe mais, é visível a tabelação de preços, inclusive no entorno. Apoiamos o protesto e queremos deixar claro que a intenção não é prejudicar a população, mas atingir o bem comum”, justificou.

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Na BR Distribuidora, que também fica no SIA, uma viatura Polícia Militar continuava  monitorando qualquer tipo de movimentação na manhã de hoje. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), Sindicombustíveis, Daniel Costa, comemorou a decisão da Justiça. Segundo ele, o bloqueio poderia resultar em desabastecimento dos postos da capital em até 48 horas. Ele parabenizou o trabalho da Polícia Militar do Distrito Federal, o TJDFT e a Secretaria de Desenvolvimento, que foi avisada no dia anterior.

Fonte: Correio Braziliense




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