Pesquisa da Esalq analisa o perfil socioeconômico dos motoristas de caminhão no Brasil

por Blog do Caminhoneiro

No Brasil, cerca de 2 milhões de caminhoneiros percorrem nossas estradas diariamente. A responsabilidade de entregar a carga em perfeitas condições, com prazo definido, muitas vezes a milhares de quilômetros do ponto de partida, não é proporcional à qualidade de vida a que estão submetidos esses profissionais. Predominantemente, apresentam perfil educacional e socioeconômico reduzidos, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD-IBGE) do ano de 2015.

“Este número de profissionais representa 3,4% da população economicamente ativa de homens no Brasil”, aponta o economista Lucas Lima, autor de uma pesquisa que analisa o perfil socioeconômico dos motoristas de caminhão no Brasil. “Também investigamos o efeito da Lei do descanso, que passou a vigorar no ano de 2012, e da Lei do caminhoneiro, que entrou em vigor em 2015, sobre a jornada de trabalho, o rendimento e a formalização do trabalho dos motoristas de caminhão”, complementa.

O estudo foi desenvolvido no programa de pós-graduação em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq), com orientação da professora Ana Lucia Kassouf, do departamento de Economia, Administração e Sociologia e contou com apoio da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Para estes trabalhadores, há grande evidência científica das mais diversas áreas, tanto no Brasil quanto no exterior, dos diversos problemas que enfrentam. Tais problemas envolvem fundamentalmente acidentes e transtornos de saúde, decorrentes, principalmente, de estresses causados pelas jornadas de trabalho exaustivas e pela distância e tempo que os caminhoneiros permanecem longe de amigos e familiares”. De acordo com o pesquisador, isso pode levar a externalidades negativas graves. “Entre outros efeitos, podemos ter o aumento do número de acidentes nas rodovias do País”.

Perfil socioeconômico

O trabalho envolveu, primeiramente, elencar variáveis que identificassem os motoristas de caminhão no Brasil, assim como suas características individuais e socioeconômicas, tais como sexo, etnia, região onde reside, nível de escolaridade, rendimento, horas trabalhadas e formalização.

“Assim, realizamos a análise descritiva dessas características tanto por regiões do Brasil, quanto no período contemplado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD-IBGE), entre os anos de 2002 a 2015”. Os dados mostram que 80% dos caminhoneiros possuem entre 30 a 60 anos; 85% ganham entre um a três salários mínimos; 58% trabalham com carteira assinada e 27%, por conta própria; 58% têm Ensino Fundamental completo e 35%, Ensino Médio completo; 43% trabalham mais do que a lei determina (44 horas semanais).

Efeito da lei

Sobre o efeito da “Lei do descanso”, que passou a vigorar no ano de 2012, e da “Lei do caminhoneiro”, a qual entrou em vigor em 2015, sobre a jornada de trabalho, o rendimento e a formalização do trabalho dos motoristas de caminhão, a pesquisa observou as variáveis rendimento, número de horas trabalhadas na semana e a probabilidade de ter carteira assinada. “Notamos, para 15 meses após a vigência da legislação, redução de cerca de uma hora para a jornada de trabalho semanal dos caminhoneiros. Contudo, um dos efeitos adversos da vigência da lei foi a diminuição do rendimento desses profissionais em aproximadamente R$ 70,00”.

Outro ponto importante dessa análise ao longo do tempo foi constatar que os caminhoneiros que trabalham por conta própria apresentam média de rendimento mensal muito acima do que os caminhoneiros sobre outros contratos de trabalho para todo o período com o qual trabalhamos. “Uma das formas de racionalizar essa diferença é pensar no fato de que os motoristas por conta própria podem não levar em consideração diversos custos quando reportam seu rendimento à PNAD. Estes custos envolvem fundamentalmente a própria aquisição do caminhão que utilizam para trabalhar, o qual, muitas vezes, é pago a partir de longos parcelamentos. E também há a depreciação do veículo ao longo do tempo, bem como sua manutenção”.

Os resultados revelam, segundo o pesquisador, evidências com dados de representatividade nacional, para a necessidade de mudanças, elaboração e a implementação de leis regulamentadoras. “Uma das contribuições dessa pesquisa é auxiliar uma análise dos possíveis efeitos de leis trabalhistas no mercado de trabalho de motoristas de caminhão no Brasil, como também apresentar evidências para a elaboração e a implementação de nova legislação”.

Fonte: Esalq

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17 comentários

Marcia viveiro 05/02/2018 - 12:16

Gostei do assunto sobre o descaso do caminhoneiro sobre essa nova lei da Dima, o caminhoneiro só ganha se estiver rodando, se levar toco por não ter produto ou falta de carga os dias parados são vistos por lei como descanso ou seja folga!!!!! Mesmo que não tenha conseguido visitar sua família há meses , portanto o profissional caminhoneiro está prejudicando mais uma vez por esse sistema que vivemos.

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Julio César Dias 03/02/2018 - 10:48

Agora so 9 eixo pra dar lucro

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Claudinei Sarry Fazan 02/02/2018 - 18:06

Vou ver

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Celso Bertin 02/02/2018 - 17:40

Tudo devendo nao da mais nem para manter o caminhao essa é a realidade so autonomo

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Julio César Dias 02/02/2018 - 15:50

Tem voltar igual década de 80 andar com duas carga compensar

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Julio César Dias 02/02/2018 - 15:49

Querem acabarem com os autônomos pra abrirem mais transportadora pra lavagem de dinheiro

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Marciomar Scremin 02/02/2018 - 15:16

Isso foi em 2015 kkk agara ta pior kkk

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Paulo Loiola 02/02/2018 - 14:21

Quebrado, fudido, nome sujo no cerasa e sem dinheiro pra comer

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André Luiz Sganzella 02/02/2018 - 13:59

Todos na bosta. E eu no meio.

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Fabiano Oliveira 02/02/2018 - 13:58

Tudo quebrado ,sem dinheiro!
Reflexo dos aumentos dos combustíveis e a falta de valorização da categoria!

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Luis Wanderlan Del Secchi 02/02/2018 - 13:48

so sai melhor são bons negociadores

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Alir Rigon 02/02/2018 - 13:27

Não param todos em casa e nas empresas sem caminhao nas rodagem por 30 dias iso resolveria tudo nese País, esperam vai chegar a hora q o transporte vai morer pq não vão ter mais dinheiro nem p comer q dirá p manter um caminhão vai ser automatico q vamos pasar todos mortos na praia sem união nos proficionais da estrada logo todos cifuuuu

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Luis Wanderlan Del Secchi 02/02/2018 - 13:50

ficar tranquilo vai morrer que não aguentarem

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Alir Rigon 02/02/2018 - 15:20

O governo vai nos afundar todos q trabalha e paga impostos esa é a real

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Michel Schuster 02/02/2018 - 13:20

Resumindo, querem andar de caminhão novo e não vencem paga parcela!

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Fernando Pires 02/02/2018 - 13:02

Tudo devendo sem poder pagar ..com o preço do óleo e pedagio caro não sobra nada. ..abandonei. …

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Sergio Parodi 02/02/2018 - 12:50

Tudo fudido nao tem uniao nao sabe trabalhar e tudo que existe de errado

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