Paraná – 1,5 mil transportadoras fechadas; 10 mil caminhões pararam de rodar




A pior crise econômica já vivida pelo Brasil deixou um rastro de destruição em um dos segmentos chaves para a economia do oeste do Paraná: o transporte rodoviário.

Polo da produção agroindustrial do Estado e referência no setor dos transportes, empresários da região viram o segmento padecer desde 2014. De mais de 3 mil empresas existentes no oeste do estado há quatro anos, elas reduziram para incríveis 1,5 mil empresas, retração de 50% de um mercado que, sem fôlego para aguentar o aperto econômico e financeiro e sem ter de onde tirar capital para fazer o negócio girar, optou por fechar as portas.

Segundo o presidente do Sintropar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Oeste Paraná), o economista e empresário do setor de transportes Wagner Adriani de Souza Pinto, tratavam-se de transportadoras de pequeno porte que tinham de cinco a 20 caminhões e, com isso, cerca de 10 mil deles simplesmente saíram da rota.

Então a pergunta quase retórica que vem à cabeça é: se há menos empresas no mercado, menos caminhões rodando, o preço do frete aumentou?

Segundo o presidente do sindicato, ainda não, ao menos não nos patamares que os transportadores julgam necessários para equilibrar as contas, reinvestir e investir em novas tecnologias. Apesar dessa retração, o número de caminhões ainda rodando por transportadoras na região também não é considerado baixo e pela avaliação do próprio sindicato há pelo menos uns 7,5 mil “sobrando”. “As transportadoras maiores que sobreviveram no mercado têm cerca de 75 mil caminhões na região e uns 10% disso ainda está sobrando. Assim, vale a lei da oferta e da procura. Com mais caminhões, o preço do frete não sobe”, considerou.

Além da frota maior que a demanda, outro fator causa muita preocupação. O aumento desenfreado do óleo diesel nos últimos meses. “Somente de julho do ano passado até o início deste ano o reajuste foi de 39,8% e o frete não acompanhou isso, quem está pagando a conta são as transportadoras, tirando do capital, fazendo empréstimos e aguardando uma recuperação”, seguiu o presidente.

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Recuperação pode estar a caminho

A recuperação tão esperada promete começar a evoluir no setor neste ano, mas ainda de forma tímida. “É um processo lento, mas gradativo porque ainda vivemos uma bolha, mas, ao contrário com preços estacionados lá em baixo para alguns setores, o pior já passou. O momento de desespero já foi, agora é respirar, planejar e agir”, destacou o presidente do Sintropar, Wagner Adriani de Souza Pinto, ao lembrar que a tendência é para que o preço médio do frete inicie recuperação nos próximos três meses quando haverá a intensificação do escoamento da safra em curso, hoje basicamente estocada em silos e armazéns de indústrias e cooperativas.

Outro aspecto que promete ser benéfico ao setor diz respeito às novas leis, como o marco regulatório dos transportes, o canal verde e o E-Social, por exemplo. Todos tidos como mecanismos importantes para a profissionalização do setor.

“Se me perguntasse isso há dois anos, eu não saberia responder, mas hoje já enxergamos um horizonte. Observamos que obras paradas estão voltando, tem mais caminhão rodando, tem mais contato para cotações, mas entendemos que uma virada mesmo só deva correr em mais uns quatro anos”, considera.

Wagner não acredita que as empresas que fecharam as portas vão reabri-las e defende um aprimoramento daquelas que permaneceram. “Este não é momento de desespero. É de gestão, de profissionalismo e de muita sabedoria. O desespero já foi e a hora agora é de negociar tudo e naturalmente fazer esse rearranjo. É um processo natural que já está dando sinais de melhora”, destacou.

Frete estagnado faz 70% dos autônomos desistirem de Paranaguá

Pelo menos 21 mil dos 30 mil caminhoneiros autônomos da região não estão mais descendo a serra sentido a Paranaguá para o transporte de grãos, mesmo agora, com o escoamento da safra de soja. O diagnóstico é do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos.

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Segundo o presidente da entidade, Jeová Pereira, os profissionais estão pagando para trabalhar depois do aumento desenfreado do diesel, chegando à casa dos R$ 3,20 o litro (40% em oito meses), além do pedágio mais caro ano após ano. “A lei diz que o pedágio deve ser pago por quem está contratando o transporte, mas não é isso o que está acontecendo, mas quem deveria fiscalizar, que é a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres], não fiscaliza. Tem quem determina que o pedágio deva ser pago pelo motorista. Então não compensa ir para Paranaguá. Muitos desistiram desse trajeto na região, estão indo para outros lugares com menos pedágio ou carregando pela região mesmo, para a Ferroeste, por exemplo”, reforça Jeová.

O presidente lembra que não tem sido incomum encontrar caminhões parados por iniciativa do próprio caminhoneiro autônomo. “Se ele usar a cabeça, dependendo do frete, compensa ficar parado”, reforça.

O sindicato calcula que, em vez de R$ 100 a tonelada para o transporte de cargas pago hoje, o ideal seria R$ 180 a tonelada. “Se colocar tudo na ponta do lápis, para ir ao porto [de Paranaguá] são R$ 1.750 só de combustível, aí tem desgaste mecânico do caminhão, dos pneus, tem quem peça que até o seguro seja pago pelo caminhoneiro, Além disso, o motorista deveria tirar 15% do faturamento para se manter e manter a família, se for calcular tudo, não sobra nada, nem para comer”, considerou.

Um caminhão que sai da região, em média, carregado com 37,5 toneladas de grãos, recebe para o frete R$ 3.750. “Mas aí acontece outra coisa que não poderia que é o frete casado. Para não voltar vazio tem sido comum o caminhoneiro trazer algo de lá para cá por R$ 50 a tonelada. Ele se obriga para não voltar vazio e aumentar ainda mais as despesas”, alertou.

Fonte: O Paraná




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