Após câncer, operadora de caminhão bate recorde de 10 mil carregamentos de contêineres




Mais de 10 mil carregamentos de contêineres feitos no ano, média de 50 por dia. O empenho se tornou recorde e a recompensa veio em forma de um final de semana com tudo pago junto com a família no Complexo Costa de Sauipe. A responsável pelo feito é a única mulher operadora de caminhão de pátio da equipe do turno da tarde que trabalha no Terminal de Contêineres de Salvador (Tecon).

Prova de que trabalhador motivado rende muito mais para a empresa, Mônica Tapioca, 49 anos, virou exemplo de motivação até mesmo para os colegas motoristas: “Quando viram que eu ganhei, tinha colega que corria pra passar na frente. Deixaram de parar pra beber água, ir ao banheiro… Ego masculino, você sabe, né?”, conta.

A funcionária foi premiada em um dos programas de motivação implantados pelo Tecon, o Reconhecimento aos Operadores por Produtividade (Rope). No ano passado, das seis edições, ela levou o primeiro lugar quatro vezes e cada uma rendeu, ainda, R$ 300 extras. “Independente da meta, eu quero correr atrás e resolver. Mas claro que o incentivo é muito bem vindo e o reconhecimento não deixa de ser uma consequência do seu trabalho”, afirma.

O recorde veio logo que Monica voltou às atividades, depois que se afastou para tratar um câncer de mama. “Fiquei dois anos afastada, por conta da doença, mas já voltei concorrendo. Eu sempre procuro fazer o meu melhor”, garante.

O programa vai completar três anos e conseguiu aumentar em 50% a produtividade do terminal, sem registro de acidentes de trabalho, como destaca o gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional do Tecon, Ronilson Souza. “Mônica é um exemplo. E nós estamos falando de uma mulher que trabalha em um setor historicamente com predominância masculina”, diz. “Há cinco anos, o nosso MPH (Movimentos por Hora) era de 40 e, depois do programa, cresceu para 60. É o tipo de iniciativa ganha-ganha, tanto para a empresa como para o colaborador”, completa.

O Tecon investiu em torno de R$ 30 mil no Rope, segundo o gerente. “Gastamos somente com o valor dos prêmios. Mas o retorno é extremamente superior, tanto em termos financeiros como em motivação, engajamento e produtividade. Você torna o terminal mais competitivo e mais atrativo para os armadores”, destaca.

Incentivo

Assim com o Tecon, outras empresas investem em programas de motivação para seus trabalhadores. Para a especialista em orientação pessoal e empresarial Wanessa Moreira, a maior dificuldade das empresas em motivar os funcionários é tirá-los do automático e da rotina de problemas que engolem o tempo deles dentro das empresas. “É importante que o trabalhador saiba que a presença dele faz a diferença, se ele não sentir isso, ele não se motiva (para o trabalho)”.

A especialista criou o Método Motivarte, que objetiva desenvolver o senso de pertencimento e a autorresponsabilidade nos trabalhadores. Ela afirma que, para ter sucesso, um programa de motivação precisa ser prático e de simples aplicação. “Ele precisa contribuir com o time da empresa, fazer com que a equipe comece a pensar, trazendo soluções práticas e imediatas. Uma dica interessante é abrir espaço para que os colaboradores explorem sua visão da empresa em eventos internos e workshops, por exemplo”, ressalta a especialista.

Por outro lado, a automotivação para fazer o melhor não deve ser esquecida pelo indivíduo, seja no ambiente de trabalho, na rotina de preparação para um concurso ou até mesmo na vida pessoal, o profissional pode alcançar as metas quando descobre o que o estimula a fazer o melhor. “O segredo é entendermos o que está em nossas mãos. Quando entramos em contato com o nosso melhor – nosso entusiasmo – podemos oferecer mais e, com certeza, transbordamos isso, fazendo a diferença e influenciando o ambiente a nossa volta”.

Fonte: Correio




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