Caminhoneiro vende quatro caminhões após alta do diesel: ‘a conta não fecha’




O caminhoneiro Nildo Santos, 41 anos, trabalha há 10 anos pelas estradas do Brasil. Conquistou sucesso profissional e chegou a ter cinco caminhões na sua frota particular. Há oito meses começou a se desfazer dos veículos: vendeu quatro e ficou apenas com um para trabalhar. Alguns dos caminhões chegaram a valer um investimento de R$ 200 mil. O preço do diesel e a redução de fretes colaboraram para uma queda de 80% no faturamento do caminhoneiro que é natural de Maraú, no Baixo Sul baiano, mas vive em Lauro de Freitas.

“A situação está cada vez mais difícil. Eu já cheguei a abastercer o caminhão com o litro do diesel de R$ 2. Essa semana o valor estava R$ 4,20 em Ilhéus (Sul do estado). O problema é que o valor do frete não aumenta junto. A conta não fecha. O preço do combustível está cada vez mais alto e os fretes não acompanham. Com o diesel nesse valor, não tem como continuar com o caminhão na estrada”, explica Nildo.

E ele não está sozinho. Há 30 anos o motorista Wellington Santos, 60, trabalha como caminhoneiro pelas estradas do país. Conseguiu, no auge do trabalho, ter três caminhões com dois funcionários. Hoje, trabalha sozinho e tem apenas um dos três veículos.

“A alta do valor do diesel e a redução no número de fretes colaboraram para essa situação. O preço do diesel está quase o mesmo da gasolina. Não temos condição de manter os carros na estrada desse jeito. Tive que vender dois caminhões para pagar dívidas com os bancos”, afirma Wellington.

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Os caminhoneiros nesta segunda-feira (21) participam de ato nacional contra o novo aumento do diesel de 0,97% a partir de terça (22). Na semana passada, foram cinco reajustes diários seguidos. A escalada nos preços acontece em meio à disparada nos preços internacionais do petróleo.

A Petrobras diz que as revisões podem ou não refletir para o consumidor final – isso depende dos postos. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada no ano, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No início da manhã havia atos em pelo menos 13 estados: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Wellington foi um dos motoristas que realizaram protesto no Km 18 da BA-526. A Concessionária Bahia Norte informou que por volta das 9h30 os dois sentidos da via foram liberados. “Populares já liberaram duas faixas da rodovia, sentido Simões Filho, onde apresenta fluxo intenso na região. Já no sentido Lauro de Freitas, o tráfego flui normalmente. Informações dão conta que a manifestação é em virtude do valor do combustível. Equipes da Bahia Norte e da Polícia Militar estão no local”, afirmou a concessionária, em nota.

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“O preço do diesel aumenta, e muito, os custos do caminhoneiro. Só esse mês subiu quase R$ 1 o preço do litro. Um frete que há três anos custava R$ 500 e hoje não conseguimos por mais de R$ 300. O problema maior é que, só de combustível, gastamos uns R$ 200. Sobra só R$ 100, mas quando tem alguma coisa no caminhão é um prejuízo grande. Só um pneu custa R$ 1,7 mil. A conta não fecha”, comenta Wellington.

Fonte: Correio




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