Operários cruzam os braços na Mercedes




Trabalhadores da planta são-bernardense da Mercedes-Benz estão de braços cruzados por tempo indeterminado. A greve é motivada pelas negociações da campanha salarial e pela ameaça de demissão de aproximadamente 350 funcionários mensalistas que operam no setor administrativo – nas áreas de vendas, compras e engenharia, por exemplo. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, todos os 7.800 colaboradores aderiram ao movimento, que teve início ontem.

Vale lembrar que, em novembro, a empresa começou a operar com regime de horas extras em dois sábados por mês até abril deste ano, justificado pelo aquecimento no mercado de pesados. Em dezembro, a montadora alemã anunciou contratação de 272 empregados, sendo 130 pelo período de 12 meses, a partir de fevereiro deste ano. Já em março, foi divulgada a admissão de outros 250 voltados para a produção de caminhões e chassis de ônibus. No ano passado, inclusive, a Mercedes revelou investimentos de R$ 2,4 bilhões no Brasil até 2022.

Ângelo Máximo de Oliveira Pinho, o Max, coordenador do comitê sindical, conta que a companhia justifica que as dispensas visam redução de custos. “Não é uma exclusividade daqui (fábrica de São Bernardo), é uma questão estratégica. Estão fazendo estes cortes em todas as plantas (ao redor do mundo) e apenas aqui, no Brasil, ainda não foram efetivadas”, explica.

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“Não há queda nas atividades. Nesta época em 2017, a produção estava em cerca de 35 mil unidades e, neste ano, já está em 46 mil”, destaca Max. Em 2016, por conta da crise, 2.000 perderam seus empregos na montadora.

Em relação à campanha salarial, referente à data base em 1º de maio, o sindicato propõe reajuste salarial, porém, a montadora defende o pagamento de um abono. “Quando o aumento é incorporado no salário, o funcionário recebe quantia a mais todos os meses, além de influenciar nos valores do 13º salário e das férias. Mas a Mercedes deseja pagar uma quantia única, de uma só vez”, explica Max.

Conforme o sindicato, a Mercedes pede exclusão de cláusulas sociais do acordo coletivo, a exemplo da estabilidade aos trabalhadores acidentados e complementação salarial por até 120 dias de afastamento. “Queremos manter todos os itens e acrescentar apenas a cláusula de salvaguarda (que garante mediação do sindicato em qualquer negociação entre empresa e empregados)”, assegura.

Quanto à PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que foi de R$ 8.000 no ano passado, o pleito é que seja reajustado conforme o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que nos 12 meses encerrados em abril acumula 1,69%,. Além disso, os metalúrgicos pedem negociação para que o cálculo do benefício considere a exportação dos itens agregados, como motores, câmbios e eixos. A ideia é que todos os benefícios sejam estendidos àqueles sob contrato temporário.

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Max ressalta que a paralisação irá continuar até a montadora aceitar negociar com os funcionários. “A Mercedes não quer avançar, não está aceitando negociar.” O sindicato realiza hoje, às 7h30, assembleia informativa em frente à portaria principal da empresa.

Fonte: Diário do Grande ABC




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