Setor de transportes cresce e sai da recessão




O setor de transportes saiu da recessão, mas a recuperação está ocorrendo de forma lenta, de acordo com dados consolidados de 2017, que serão divulgados nesta segunda-feira pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). No ano passado, o segmento cresceu 0,9% na comparação com 2016, abaixo do Produto Interno Bruto (PIB). Condições ruins da infraestrutura, baixo investimento público, além da atividade econômica fraca, ajudam a explicar o desempenho do setor como um todo, que reúne aviação comercial, metrôs, movimento de cargas nas estradas, ferrovias e portos. Em 2017, a União investiu R$ 10,4 bilhões em infraestrutura. Mantido esse ritmo, avalia a entidade, levaria um século para a solução de todos os gargalos, o que reforça a necessidade de participação do setor privado.

No caso do setor aéreo, o levantamento afirma que a tarifa média das passagens caiu 0,6% em 2017 – 52,9% dos bilhetes vendidos ficaram abaixo de R$ 300. O número de decolagens caiu 2,3% em relação ao ano anterior, acompanhado de queda de 1,6% no com consumo de combustível. Contudo, a distância voada aumentou 1,4%, e o número de passageiros transportados subiu 2,3%, com alta na taxa de ocupação das aeronaves. “Os dados sugerem ganhos de eficiência e produtividade no setor”, diz o estudo da CNT.

Violência

De acordo com o balanço, o transporte rodoviário, depois de sucessivas quedas em 2014 e 2016, registrou aumento do fluxo de veículos nas rodovias de 1,9% no ano passado, sendo de 2,2%, no caso de veículos leves e pesados, e 1,1%, no de pesados. Foi a primeira vez, desde 2013, em que houve aumento no movimento de caminhões nas estradas. Isso, segundo a CNT, reflete “uma pequena recuperação do setor rodoviário de cargas, principal meio de transporte de mercadorias do Brasil”. Um dado negativo em destaque é a violência no Rio de Janeiro: o roubo de cargas reduziu o fluxo de caminhões no estado em 1,5%. Em outros estados, como São Paulo, o indicador voltou a ficar positivo no ano passado.

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Em relação ao transporte ferroviário (metrôs e ferrovias), o resultado também é positivo: o volume de passageiros nos metrôs atingiu 2,93 bilhões no ano passado, alta de 0,7% em relação a 2016. Devido ao desempenho do comércio exterior, o volume de cargas transportadas pelas ferrovias aumentou 10%., sobretudo minério de ferro, soja e milho. Já a venda de vagões continua em queda.

Ainda com ajuda das exportações, o volume de cargas no transporte aquaviário alcançou 1,09 bilhão de toneladas (embarque e desembarque), volume 8,4% superior ao registrado em 2016. Os terminais de uso privado nos portos movimentaram 721,6 milhões de toneladas, aumento de 9,3% na comparação com o ano passado, enquanto nos portos públicos foram 364,5 milhões de toneladas, alta de 6,3%.

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Emprego

O levantamento da CNT revela ainda que as empresas de transporte aumentaram ligeiramente o ritmo de aquisição de veículos de transporte de carga e de passageiros. Foram registrados 88,6 mil licenciamentos de caminhões, ônibus e implementos rodoviários em 2017 – alta de 4,4% na comparação com o ano anterior. Mas os números ainda estão muito distantes de 2013, quando foram registrados 154,5 mil licenciamentos. Como resultado dessa queda, a idade da frota nacional aumentou. No ano passado, o número de veículos em circulação cresceu 1,2% em relação ao 2016. Contudo, a idade média dos caminhões passou de dez anos e três meses para dez anos e oito meses; de ônibus, de nove anos e 11 meses para dez anos e dois meses.

A entidade faz ainda um balanço dos empregos no setor, em queda desde 2014. No passado, o estoque de assalariados dos transportes ficou em 2,33 milhões de vagas, considerando armazenagem e correio, sendo que 67,5% das vagas estão no subsetor de rodovias. De acordo com CNT, o nível de ociosidade continua elevado, o que só será revertido quando a atividade econômica atingir um ritmo mais intenso.

Fonte: O Globo




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