Fim do “frete de retorno” paralisa venda de fertilizantes e provoca fila de navios




O tabelamento do frete está atrasando a entrega de fertilizantes para produtores rurais e o setor já prevê menor rentabilidade com a alta nos preços do produto. Como menos caminhões estão indo até os portos, o insumo importado que seria a carga na viagem de volta está parado nos navios. Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), dos 60 navios parados nos portos brasileiros, 35 estão com fertilizantes.

O diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil (AMA Brasil), Carlos Eduardo Florence, calcula que 60% das entregas previstas para este período do ano estão represadas – a maior parte do fertilizante consumido no País é importada. “Não há mais capacidade de armazenagem de fertilizantes nos portos. O volume que sai é insignificante. Com isso, vários navios estão parados e carregados de adubos”, afirmou. “E ainda tem muito navio com fertilizante vindo para o Brasil.”

De acordo com a agência marítima Williams Brazil, de 1.º de junho até o dia 18, a quantidade de adubo prevista para ser descarregada nos portos brasileiros chegava a 5,143 milhões de toneladas – 36% para Paranaguá (PR), 22%, para Santos (SP) e 12,3% para Rio Grande (RS).

Segundo Florence, além de não estarem faturando com o insumo que deveria ser entregue, as empresas de defensivos estão arcando com prejuízos decorrentes da multa diária paga quando o embarque demora mais que o combinado.

Custo

No norte do Paraná, a demora na entrega de fertilizantes preocupa os produtores, já que o plantio da soja da safra 2018/2019 começa em outubro. Além desse atraso, a perspectiva é de que, mantido o atual patamar de valores do transporte, o preço dos insumos suba mais.

O gerente de logística da cooperativa Integrada, Celso Otani, diz que o frete para fertilizantes, que era de R$ 75 a tonelada antes do tabelamento, está entre R$ 100 e R$ 105 a tonelada. Ele explica que, em geral, o custo para transporte do insumo leva em consideração o fato de que ele é levado por caminhões que descarregaram grãos no porto e, para não voltar vazios, são carregados com adubo. A nova tabela de frete retirou essa vantagem, diz Otani.

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O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, confirmou essa situação. “Os fertilizantes eram frete de retorno, mas agora viraram frete principal e tabelado”, afirmou o ministro.

A cooperativa do norte do Paraná recebeu até agora 40% do volume que precisará de fertilizante para atender os cooperados de setembro e outubro, quando o ideal seria já contar com 50% do total. Segundo Otani, novos pedidos de adubo, que custam, em média, R$ 1.400 por tonelada, já estão sendo feitos com preços reajustados. Os custos da cooperativa com o transporte de grãos até o porto já aumentaram 20%.

Safra mais cara

O produtor rural Emilio Kenji Okamura, de Capão Bonito, no interior de São Paulo, teve de pagar R$ 4,8 mil a mais por uma carga de 100 toneladas de adubo que despachou do Porto de Santos para sua fazenda em Cristalina, no leste de Goiás. O aumento é decorrente da tabela do frete para o transporte rodoviário de cargas, estabelecido por medida provisória pelo presidente Michel Temer após a greve dos caminhoneiros que paralisou o País durante 11 dias.

Desde que a tabela entrou em vigor, no fim de maio, acabou a margem de negociação entre o produtor e o dono do caminhão para o transporte de grãos e insumos agrícolas. O produtor conta que o adubo sempre foi considerado carga de retorno, por isso o custo da tonelada para o transporte ficava muito abaixo do valor pago pelo frete do grão.

“A carreta seguia para o porto com a soja, recebendo o preço cheio, e voltava com o adubo, pelo qual pagávamos preço reduzido, por se tratar de carga de retorno. Agora, isso acabou, ida e volta têm preço cheio”, disse.

O produtor não concorda em pagar a conta do acordo do governo com os caminhoneiros, mas não vê saída. “Acho errada essa intervenção do governo. Se deixar o produtor fazer negócio com o transportador, fica bom para ele e para nós. Agora, o governo sobe o combustível, sobe o pedágio e não deixa o produtor negociar o frete. Aí não fica bom para ninguém.” Okamura aceitou pagar o frete mais alto porque depende do adubo para o cultivo de batatas na fazenda do município goiano.

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Sem acordo

O agricultor Frederico d’Avila, está com 1.600 toneladas de soja e milho encalhadas na fazenda Jequitibá do Alto, em Buri, sudoeste paulista, porque o comprador dos grãos não chegou a um acordo com o transportador. Ele vendeu a produção para ser retirada na fazenda, o que não está acontecendo. “Essa produção já devia ter saído, mas eles estão carregando a passo de tartaruga por conta do aumento no frete. Inicio a colheita do trigo daqui a dois meses e tenho receio de chegar até lá com os silos ocupados com soja e milho”, disse.

D’Ávila já projetou um custo mais alto para a próxima safra de grãos. “O frete da soja até o porto subiu de R$ 6 a saca para R$ 7,20, um aumento de 20%. O frete do adubo, no retorno, passou de R$ 60 para R$ 82 a tonelada, subindo 36%. Isso acaba sendo repassado ao consumidor final. O governo lavou as mãos e jogou a batata quente no colo do produtor”, disse. No sudoeste paulista, há relatos de produtores que tentaram “furar” a tabela, mas não tiveram sucesso.

A Cooperativa Agrícola de Capão Bonito já avisou os associados que o transporte está mais caro. “Por ora, a variação no frete da soja e do milho é pequena, porque já trabalhávamos com preço muito próximo do que foi tabelado, mas o frete do gesso agrícola, que o agricultor usa muito, passou de R$ 45 para R$ 77 a tonelada. Também já repassamos um aumento de R$ 22 no frete da tonelada de adubo. Esse custo está sendo absorvido pelo produtor. Eles concordaram em pagar, porque entendem que a culpa do aumento não é nossa, é do governo”, disse o gerente Luiz Carlos Mariotto

Fonte: Gazeta do Povo




13 comentários em “Fim do “frete de retorno” paralisa venda de fertilizantes e provoca fila de navios

  • 08/07/2018 em 18:32
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    No frete de retorno o valor do pedágio e do diesel também tem descontos nos postos e nas praças de pedágio? As horas gastas no trajeto é menor? Então por que o frete de retorno tem que ser menor ????

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  • 28/06/2018 em 16:48
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    apoio tão apoiando querendo fura o olho dos caminhoneiros tamo nen ai se tiver que fo… a se fo….a voces e nois com isso seus coroneis do tempo da escravidão nunca mais ou voces pagam ou ficam com a mercadoria parada pimenta no c..
    é refresco

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  • 27/06/2018 em 09:23
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    São muito idiotas. Talvez na próxima paralisação não recebam tanto apoio, que receberam também dos agricultores apoiando o tabelamento. Até parece que é o agricultor que compra direto do porto, bando de burros….o certo é deixar vocês se foderem sem apoio.

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  • 26/06/2018 em 21:26
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    Boa noite pagam horrores nas estadias dos navios, mais não querem pagar o piso mínimo para os caminhoneiros apenas poderem sobreviver, a grande maioria das produções agrícolas tem apoio do governo, como quebra de safra, as intempéries que pode acontecer, ficam sem pagar financiamentos porque tem uma bancada ruralista agora o mínimo para os caminhoneiros sobreviver não da?

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  • 26/06/2018 em 17:53
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    Coitado dos agricultores gente, perderam os escravos que levavam adudo de graça para eles terem lucros exorbitantes. Dá até dó desta cambada de filho das putas exploradores.

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  • 26/06/2018 em 16:10
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    Retorno porque, se a tabela é mínima tem que negociar pra acima do mínimo conforme o local da entrega ou conforme a estrada se é tudo asfalto o tem chão ,isso é negociar pra cima não pra baixo, os agricultores andam só de camionetes duplas e zero km, eu tive que vender um UNINHO Velho pra pagar um pouco das contas caminhão já velho e eles carro e máquinas novas muito dinheiro no bolso, agora não que pagar nem mínimo, têm e que mais o frete tabela é só mínimo, comprem caminhão e ainda vão ter que fazer motoristas por que estão todos desistindo acabou o amor pela profissão isso é o real e Maggi que venda Sonora no MT e deixe nós trabalhar com pouco de diguinidade.abraços

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  • 26/06/2018 em 08:46
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    frete de retorno isso é uma vergonha quem carrega pela metade do preço como se de volta o diesel foce mais barato os pedagio nao foce pago a comida foce de graça o caminhão tivece aza pra não gasta os peneus retorno isso quem inventou deve ter cido aqueles que compravam escravos para trabalhar de graça e apanhar em ves de jantar e carregar o dono da fazenda nas costas só que melhorou um pouco porque em ves de levar o dono das riquezas leva leva as riquezas ai meu deus que pais é esse que o rico tem que leva vantage em tudo é falta de um governo humano

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  • 25/06/2018 em 20:25
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    Frete de retorno nunca deveria ter existido, e caminhão só gasta óleo diesel é ? Se trabalha com frete de retorno, saiba que os custos a mais sao abatidos do lucro do frete cheio, ou seja, negócio de corno, nem ganha, e ainda tem menos lucro no frete normal. Parem de aceita frete retorno, não sejam babacas

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  • 25/06/2018 em 19:42
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    Frete de retorno é a cabeça da minha pica! Não existe combustível de retorno, pneus de retorno, pedágio de retorno, como é que querem ter carga de retorno???

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  • 25/06/2018 em 19:14
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    Não existe fretes de retorno! Não sei de onde inventaram essa maluquice. Se o caminhão roda 3.000 km pra levar uma carga, pra voltar é a mesma distância! Esse negócio de retorno não cobre nem a dispesa com combustível! Isso não deveria ter existido nunca. Nós caminhoneiro não podemos mais aceitar esse absurdo jamais…

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  • 25/06/2018 em 12:11
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    Frete retorno não é e nunca foi acordo de transportadora ou produtor com motorista e sim um ROUBO E HUMILHAÇÃO ao transportador .
    Se tem o mesmo km porque querem pagar 60% a menos. Isso é um roubo .
    Tem que apodrecer toda produção de não quiser pagar o justo , ou compre frita de. Aminhao para transportar seus produtos

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    • 25/06/2018 em 12:43
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      FRETE RETORNO JÁ ERA MEU AMIGO!… OU PAGA O JUSTO OU SUA PRODUÇAO VAI ABODRECER.
      PRGA SUA CAMINHONETE DE LUXO E VAO CARREGAR SUA PRODUÇÃO. OU COMPRE UM CAMINHÃO E SINTA NA PELE O QUE VAI SOBRAR P VC QUANDO CARREGAR FRETE RETORNO

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  • 25/06/2018 em 11:54
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    se as transportadoras que tem frota própria queren puxa frete de graça poden puxar contanto que recolham o iss que é a fatia do governo o governo agradece mas nós caminhoneiros ja ta tudo sertinho se derrubar o preço minimo do frete imo para tudo de novo ai que voces vão ver o que é greve ja tamo quebrado mesmo paramo um mes ou dois ai nen banco vai receber parcela mais que os banco tome todos os caminhão que ten divida e puxe frete de graça se imo passa fome imo mas não vai ser só nos que ja tamo comendo só pão com ovo para continuar dando lucro pra rico se liga cara qual é a tua

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