EUA: governo volta atrás e não irá liberar caminhões recondicionados




Os “glider trucks” nos EUA, como são chamados os “caminhões planadores”, são veículos pesados recondicionados, daí o verdadeiro significado para sua designação em inglês. Este tipo de veículo não é um caminhão novo, embora pareça visualmente, mas um veículo bem desgastado que é restaurado para ficar como se fosse novo.

É mais ou menos como os ônibus “reencarroçados” no Brasil, geralmente rodoviários (a Itapemirim foi líder nesse aspecto), onde chassi/motor/câmbio são originais, mas a carroceria é trocada por uma nova. No caso dos glider trucks, cabine, peças do chassi e outros componentes são adquiridos novos, mas o conjunto motriz é remanufaturado, sendo essa a diferença para que um “planador” custe até 25% menos que um caminhão novo.

Existem diversas empresas nos EUA que recuperam caminhões usados para transforma-los em novos. Até aí, tudo bem, um custo a menos para o operador, mas o problema é que na realidade são caminhões que se parecem com novos, mas que possuem emissão de poluentes como de usados.

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De acordo com a EPA, agência ambiental americana, os gliders emitem até 450 vezes mais particulados de diesel do que os caminhões novos. A emissão de óxido de nitrogênio é comparável ao da fraude do Dieselgate com até 40 vezes mais que o limite estabelecido. Por conta disso, a economia de alguns vira um prejuízo coletivo.

Nos EUA, o problema foi abordado no governo Obama, onde o rigor com as emissões era maior e os gliders acabaram sendo penalizados por alto nível de poluição, recebendo restrições mais severas. Quando a administração federal passou para as mãos de Trump, este prometeu relaxar as exigências sobre os veículos pesados, mas parece que voltou atrás.

Com indicação presidencial, a EPA agora tem um novo chefe de nome sugestivo, Andrew Wheeler. Antes, Trump queria liberar os planadores das restrições de Obama, mas o executivo da agência ambiental dos EUA decidiu manter as limitações de emissão desses caminhões recondicionados, que agora são restritos a 300 unidades por marca.

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Volvo, Cummins e Navistar foram as únicas montadoras que foram contrárias à decisão de liberar o limite de 300 caminhões por marca, como prometida Trump na campanha de 2017. O temor dessas empresas era que as vendas de recondicionados substituíssem as de veículos novos, impactando no faturamento desses fabricantes. Uma estimativa apontou que se 5% do mercado de caminhões nos EUA fossem de remanufaturados em 2025, o pequeno volume seria responsável por um terço das emissões do segmento no país.

Fonte: Notícias Automotivas




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