Falha no sistema da ANTT impede que caminhoneiros registrem documentos necessários para trabalhar




Uma mudança na plataforma de registros da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) tem causado transtornos aos profissionais que ganham a vida rodando estradas. De acordo com a Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (Fecam-RS), o problema começou há cerca de 20 dias e, até agora, não foi solucionado.

A situação ocorre porque está havendo lentidão e instabilidade para fazer ou atualizar documentos como o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). Este registro é imprescindível para os veículos circularem pelas rodovias do país dentro da lei. A ANTT afirma, por meio de sua assessoria oficial em Brasília que, nesta quinta-feira (9), o sistema estava funcionando. Contudo, uma fonte do órgão no Rio Grande do Sul confirma que há uma “questão nacional em razão da migração de sistema.”

Conforme o presidente da Fecam-RS, André Costa, a inclusão de novas informações no sistema e a emissão de documentos — atividades previstas no convênio entre a federação e a agência nacional — estavam sendo feitas normalmente até 19 de julho. Mas, desde então, está praticamente impossível prosseguir.

— Além de o novo sistema não ser estável, há uma margem de erro grande nas operações que são realizadas. Não é confiável. Estamos desde 20 de julho tentando ajudar a ANTT. Quem está sendo punido são nossos pontos de atendimento — afirma Costa.

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Ele exemplifica com um relato:

— Chegou ao ponto de ficarmos monitorando o sistema de hora em hora para listar os erros e encaminhar à ANTT. Fizemos um relatório apontando 184 erros, e nos disseram que 166 teriam sido resolvidos. Além disso, falaram que só oito estariam pendentes. Teve um dia em que uma funcionária começou uma operação, foi almoçar, fez horário de intervalo, e, quando voltou, ainda não tinha acabado. Levou cerca de 1h40min só para fazer a inclusão da placa com as características do veículo.

Sem conseguir regulamentar a documentação, motoristas estão com receio de trafegar. Os que, mesmo assim, pegam a estrada, correm o risco de serem autuados e terem seus veículos retidos.

Luiz Auri Rodrigues, 47 anos, que trabalha com cargas perecíveis, teve seu caminhão apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-386. Desde o último domingo (5), o veículo está parado em um depósito para automóveis guinchados. Ele alega que está com a documentação paga, mas que como o sistema da ANTT não está sendo atualizado, ainda consta como inadimplente.

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— Eu fico sem receber porque não posso trabalhar, e ainda tenho de gastar R$ 60 por dia com a diária do guincho. O governo está nos cobrando por um serviço que não funciona — desabafa.

Conforme a PRF, não foi repassada nenhuma informação da ANTT sobre o problema.

Contraponto

Por meio de sua assessoria, a ANTT se restringiu a dizer que “o sistema está em funcionamento. Somente no dia de hoje, já foram registradas mais de 2500 solicitações de movimentação de frota e cadastro de transportadores, além de ter havido emissão de cerca de 50000 autorizações de viagem. É importante frisar que intermitências podem ocorrer por conta do link de internet do solicitante.”

Fonte: Zero Hora




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