Hyundai Motor planeja lançamento comercial de caminhão a hidrogênio




A Hyundai Motor anunciou planos para lançar comercialmente o primeiro caminhão a hidrogênio do planeta, em um esforço para ganhar mercado antes que a Tesla e a Daimler coloquem à venda seus novos veículos não poluentes.

A montadora de automóveis sul-coreana anunciou que no ano que vem colocaria à venda os primeiros mil caminhões movidos por células combustíveis, na Suíça, como parte de uma parceria de cinco anos de duração com a H2 Energy, uma companhia suíça de hidrogênio.

A decisão representa uma aposta da Hyundai na tecnologia do hidrogênio, que zera as emissões de poluentes pelo veículo e opera por meio da conversão do hidrogênio armazenado em eletricidade, para acionar os motores do veículo.

Os proponentes da tecnologia –como a Hyundai e a japonesa Toyota– dizem que o uso do hidrogênio se adapta melhor ao transporte pesado de longa distância, quando comparado aos veículos puramente elétricos, que enfrentam limitações de alcance, tempo de recarga demorado e degradação das baterias.

A Hyundai também diz que a mudança para o hidrogênio preveniria a eliminação de empregos na fabricação de autopeças. Ao contrário do que acontece no caso dos veículos acionados por baterias, muitos dos componentes requeridos podem ser fabricados por fornecedores existentes.

O anúncio feito na quinta-feira prepara o terreno para concorrência com a Tesla, de Elon Musk, e com a montadora alemã de automóveis Daimler, que planejam introduzir caminhões acionados por baterias em 2020 e 2021, respectivamente.

Lee In-cheol, vice-presidente da Hyundai, disse que a decisão marca o início da expansão da Hyundai ao setor de caminhões acionados por baterias.

“Continuaremos a buscar oportunidades de expansão a outros mercados, ao monitorar múltiplos fatores como a infraestrutura de abastecimento e as políticas governamentais”, ele disse.

A empresa –a quinta maior montadora mundial de automóveis– lançou o primeiro carro a hidrogênio produzido em massa, o Tucson Fuel Cell, em 2013, mas vendeu apenas pouco mais de mil unidades do modelo, desde então.

A Toyota, enquanto isso, vendeu quase sete mil unidades do Mirai, seu carro a hidrogênio, lançado em 2014.

Mais ou menos como os veículos acionados por baterias, os caminhões e carros a hidrogênio continuam restritos pela necessidade de infraestrutura.

“Uma economia sustentável para os veículos a hidrogênio requer um ecossistema projetado para o hidrogênio”, disse Rolf Huber, presidente do conselho da H2 Energy.

A Hyundai calcula que seus caminhões a hidrogênio tenham autonomia de 400 km com um tanque de combustível.

O lançamento em momento oportuno e o sucesso dos caminhões serão cruciais para a Hyundai, que ficou para trás de rivais estrangeiros na adoção e lançamento de carros elétricos acionados por baterias.

A empresa anunciou este ano planos para investir mais de US$ 20 bilhões (R$ 81,8 bilhões) em prazo de cinco anos para recuperar seu atraso em tecnologias essenciais que estão em desenvolvimento, como os carros elétricos e os carros autoguiados.

Enquanto isso, a Toyota –rival mais próxima da Hyundai na corrida das células combustíveis – anunciou que planeja colocar mais de 100 ônibus a hidrogênio em circulação na área de Tóquio, nos preparativos para a Olimpíada de 2020.

Trem com hidrogênio

O grupo francês Alstom iniciou na segunda-feira (17) a operação comercial na Alemanha do primeiro trem que funciona com hidrogênio, uma novidade que pretende evitar o uso de diesel na linha ferroviária.

Dois trens iniciaram os percursos entre Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervörde e Buxtehude, uma linha de 100 km da região da Baixa Saxônia por onde circulam trens a diesel.

Os trens de hidrogênio são equipados com células de combustível que produzem eletricidade por meio de uma combinação de hidrogênio e oxigênio, um processo que deixa vapor e água como as únicas emissões.

O hidrogênio é obtido em uma central especial com um processo de eletrólise ao aplicar eletricidade à água, o que separa hidrogênio e oxigênio

A energia da frenagem é armazenada em baterias de ion-lítio para ser reutilizada na aceleração.

Os trens com zero emissões fazem pouco barulho e despejam apenas vapor de água. Além disso, segundo a Alstom, eles têm autonomia de 1.000 km com um tanque, similar a um trem a diesel.

Outros países demonstraram interesse, incluindo Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Noruega, Itália, Canadá e França.

Fonte: Folha de São Paulo




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