O CARRETEIRO MARÍLSON (SPIRRO)




Marilson é um carreteiro raiz.
Apaixonado pela estrada, ele assume.
A bordo do Volvo FH 460 é feliz.
De seu bruto tem muito ciúme.

Entre os amigos e companheiros,
Como Spirro é bem conhecido.
Admirado pelos amigos caminhoneiros.
Em alta estima por todos é tido.

Cavalo mecânico Volvo trucado.
Seu bruto de cor azul, lava e dá polimento.
Pela estrada e pela família, apaixonado.
Fica realizado, andando pela pista de rolamento.

Spirro, exemplo de pai e marido.
À família sempre teve dedicação.
Dirigir, para ele era muito divertido.
Tinha pelo trabalho verdadeira paixão.

Seu patrão tinha nele toda confiança.
A faculdade da vida o tornara culto.
Marilson, a bordo virava uma criança.
Ao volante, responsabilidade de um adulto.




Levava qualquer coisa para não ir vazio.
Seu destino, as terras de Mato Grosso.
Nessa viagem formavam um trio.
Seu melhor amigo Tchuk, um bom moço.

Ajudando amigos da estrada
Livrando muitos de grandes dificuldades.
Marilson não se preocupava com nada.
Viajando conhecia muitas cidades.

Na estrada prezava a amizade verdadeira.
Spirro, homem de paz, com ninguém era rude.
Indo para Mato Grosso buscar carga de madeira.
Não ia ao médico para cuidar da saúde.

Com os dois amigos da estrada
Pararam no posto para dormir.
De manhã iniciariam de novo a jornada.
Com suas carretas bem cedo iriam partir.

O dia amanheceu e nada do Marilson.
Amigos bateram na porta do cavalo.
Chamaram em alto e bom tom.
Fizeram barulho para acorda-lo.

Um deles chamou e gritou como louco.
Amigos ligaram para seu patrão.
Que o deixassem dormir mais um pouco.
O chefe deu a eles essa recomendação.

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Aquele calor de grande intensidade.
Após uma hora, dele nenhum sinal.
Chamaram um chaveiro que com habilidade
Abriu a porta do cavalo Volvo afinal.

Quando o viram, levaram um susto.
Spirro deixara para sempre os amigos seus.
Dormia o sono eterno de um justo.
Frete agora, só faria para Deus.

O caminhão ali foi deixado.
Aguardando que viessem buscá-lo.
Era uma máquina mas parecia indignado.
O motorista Marilson não dirigiria mais o cavalo.

Próximo ao Volvo azul, caiu um raio.
Quando tentaram liga-lo, nada de funcionar.
É como se ele dissesse: “Daqui eu não saio”.
“Só vou se o Spirro vier me buscar”.

O módulo queimou com a descarga.
Trouxeram outro para a substituição.
Aquele Volvo tinha uma grande carga.
Entrega-la era necessidade e obrigação.

Os amigos do Marilson lá ficaram.
Tchuk, Bicudo e o Fortunato.
Beberam e de suas aventuras falaram.
Spirro faria muita falta isso era fato.

Em meio ao choro brotava uma risada.
Alguém lembrava alguma peripécia do Marilson.
Tinha tanta história vivida na estrada.
Spirro era amigo leal e bom.

Naquele posto de combustíveis
Havia uma árvore perto do caminhão.
Os amigos lembravam momentos inesquecíveis.
As viagens deles não teriam mais a mesma emoção.

Naquela árvore de tronco grosso
O nome de um herói seria eternizado.
Quem visse, se lembraria daquele moço.
“VALEU SPIRRO’, nele foi gravado.

Mesmo depois de trocar a peça,
O Volvo não pegou e nem se moveu.
Que situação estranha era essa.
Parecia de luto pelo amigo que morreu.

Bicudo, o amigo de Marilson
Para buscar o Volvo, foi até o local
Ao dar partida, do motor se ouviu som.
Parecia que do além era um sinal.

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Como Marilson tinha ciúmes do bruto
A dirigi-lo só permitiria a seu amigo.
A alegria e irreverência dele não permitiam luto.
Ele tinha a sensação que Spirro ia a bordo consigo.

O rádio amador não funcionava.
Para que os carreteiros pudessem conversar
O amigo ao volante com Spirro conversava:
“Amigo, o rádio amador, dá para liberar.

Para eles, Spirro bem vivo continuava.
A tristeza entre eles não teria lugar.
Com seu jeito alegre, sabiam, ali estava
Junto aos amigos seguia a viajar.

Na viagem de volta, falando pelo rádio amador,
A tristeza não fez nenhum deles cativo.
Parecia que Spirro e seu jeito gozador
Estava entre eles muito bem vivo.

Dirigindo durante a noite, o céu estrelado,
Bicudo, o amigo de Spirro, não sentia tristeza.
Sentindo que Marilson estava ali a seu lado.
Disso tinha total certeza.

Em contato com a pista, som dos pneus.
Viu imenso brilho que rasgava o espaço.
Era Marilson, fazendo um frete para Deus,
Ao volante de um celestial cavalo de aço.

Enquanto aquele brilho cruzava a escuridão
Bicudo acenou em ato involuntário.
O facho de luz tal farol de um celestial caminhão.
Dirigido por um caminhoneiro extraordinário.

Texto de Roberto Dias Álvares




Um comentário em “O CARRETEIRO MARÍLSON (SPIRRO)

  • 14/12/2018 em 12:37
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    Uma bela e justa homenagem a um grande carreteiro

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