ENCARANDO A ESTRADA – Mercedes-Benz 2013 6×2




Para carregar, estou na espera.
Qualquer carga eu aceito.
Mercedes-Benz 20-13, uma fera
na estrada impõe respeito.

Quinze mil quilos na carroceria
levando soja a granel.
Quando o dirijo pela rodovia,
juro que me sinto no céu.

Me sentindo nas alturas
a bordo da cabine elevada.
Enfrento situações mais duras
Cortando qualquer estrada.

Para um grande fazendeiro
de soja fiz o transporte.
De meu caminhão graneleiro
explorava seu motor forte.

Era o ultimo frete a ser feito.
Retornaria para receber pagamento.
Acordo por mim e o fazendeiro aceito.
Levaria o derradeiro carregamento.




Quando parei para almoçar
Alguém fez sabotagem.
Queriam acidente causar
e interromper minha viagem.

Voltei para a estrada
e pela frente uma serra havia.
O bruto em marcha moderada,
e eu com prudência conduzia.

Quando pisei no pedal
não funcionaram os freios.
Queriam me fazer mal.
Passei momentos bem feios.

Mesmo estando engatado
o bruto pegou embalo.
O trânsito bem movimentado.
Como conseguiria pará-lo?

Dando sinal de luz
de alguns carros desviei.
Minha vida nas mãos de Jesus.
Curva fechada contornei.

Vários carros a minha frente
e o bruto mais embalado.
Contava com Deus somente
para desse perigo ter me livrado.

No rosto ganharia mais uma ruga
por este sufoco que passei.
De repente uma área de fuga
logo à frente avistei.

Aquele local fora preparado
para evitar de veículos acidente.
Entrei com meu trucado.
O bruto parou rapidamente.

Nos pedriscos e areia, atolado.
Abri a porta e desci.
Respirei bastante aliviado.
Por pouco, minha vida não perdi.

Quando de lá fui retirado
um mecânico fez o conserto.
Freio estava danificado
e por isso passei aperto.

Mas qual seria o motivo
para alguém fazer isso.
De fazer amigos não me privo.
Na estrada nunca fui omisso.

Perdi aquele dia
para arrumar o caminhão.
No dia seguinte na rodovia
seguia cumprindo a missão.

Tocou meu telefone celular.
Era o número do fazendeiro
onde eu acabara de carregar.
Parei no acostamento o estradeiro.

Quando “Alô”, eu falei
do outro lado silêncio completo.
Quem era ao telefone, perguntei.
Do outro lado manteve-se quieto.

Quando enfim deu resposta
na voz demonstrava surpresa.
Fazendeiro tinha culpa era minha aposta.
Depois da ligação tinha certeza.

Ele perguntou se estava tudo bem?
Eu contei o que havia ocorrido.
Sofrera com a maldade de alguém.
Mas escapar havia conseguido.

Engasgando com o que dizia
o fazendeiro desligou em um instante.
Minha desconfiança persistia.
Mantive mais atenção ao volante.

No Mercedão andando bem
rodando com desenvoltura.
No velocímetro na marca de cem.
Quase chegando àquela altura.

Em um trecho isolado
tive de parar o caminhão
Por árvore o caminho bloqueado.
Aquilo era coisa de ladrão.

Rapidamente engatei marcha-a-ré
e mesmo com o caminhão pesado,
no acelerador apertei o pé.
Meu bruto não seria roubado.

A trezentos metros do bloqueio
homens saíram do matagal.
Na pista andava pelo meio.
Fiz manobra radical.

Estercei o volante queixo duro.
O Mercedes ficou atravessado.
Tentaria escapar daquele apuro.
Fiz o retorno com meu trucado.

Homens corriam a pé pela pista
e com revólveres faziam disparos.
Aproximação por mim era vista.
De mais ninguém teria amparo.

Até o caminhão retomar velocidade
os bandidos conseguiam se aproximar.
Mas o Mercedes demonstrou agilidade
e começou a se distanciar.

De repente um carro chegou,
veio dar auxílio aos bandidos.
A quadrilha ali adentrou.
Passaria por novos perigos.

Quando o carro tentou passar
dei nele uma fechada.
Isso só serviu para irritar
toda aquela bandidada.

Percebi que estaria perdido
se não encontrasse alguma solução.
Se fosse pego pelo grupo bandido
certamente fariam minha execução.

Um cavalo mecânico em minha direção.
Dei sinal de luz e acenei em desespero.
Queria que soubesse da minha perseguição.
Esperava que fosse homem ordeiro

Passou por mim e pelos criminosos.
Seguiu em frente até sumir de vista.
Era só eu contra homens maldosos.
Estava de novo sozinho na pista.

O carro tentando ultrapassar
e eu fechando a porta.
Não sabia até quando iria aguentar.
Em minha mente via uma pessoa morta.

Quando o carro se pôs ao meu lado
me vi na mira de revólveres e fuzil.
De repente aquele cavalo embalado
a traseira do carro atingiu.

O carro saiu da pista e capotou.
Contra árvores teve impactos.
Já ia longe o bruto que os acertou.
Cavalo Mecânico Mercedes Actros.

O carro pegou fogo e explodiu.
Parei meu caminhão e ele também.
Massa informe em chamas se viu.
Devia minha vida àquele homem de bem.

Aproximei-me e em agradecimento
estendi-lhe a minha mão.
Ele nem esboçou movimento.
Não entendi a sua intenção.

Ele disse não ser merecedor
de apertar as mãos de homem honesto.
Já fora uma pessoa sem valor.
Disse-me: “Hoje sou um homem que presto”.

Ele disse que já fora bandido.
mas que mudara de vida.
Confesso que me senti comovido
vendo aquela alma arrependida.

Júlio chamava-se aquele caminhoneiro.
Pelo seu passado ainda sentia vergonha.
Tornara-se honesto carreteiro.
Mas não esquecera que fora pessoa medonha.

Procurava fazer boas ações
para compensar erros do passado.
Por isso salvara-me dos ladrões.
Agradeci a ele emocionado.

Disse-lhe: “O que fez no passado
tinha ficado para trás”.
“Deus certamente o havia perdoado”.
Mostrara ter se regenerado o rapaz.

Assim segui meu caminho
e aquele rapaz seguiu o dele também.
Dirigindo o 20-13 com carinho.
Conduzindo-o como convém.

Entreguei aquela carga no destino.
Sei que o fazendeiro ficou contrariado.
Na estrada segui meu destino
e me considero caminhoneiro honrado.

Sabia que não poderia provar
do fazendeiro a má intenção.
Mas por isso mesmo não ia deixar.
Ele merecia uma lição.

Voltei até a sua propriedade
e fazer outro frete iria.
Mas denunciei a desonestidade.
Com a polícia eu falaria.

Contei ao delegado local
dizendo ser pessoa direita.
Relatei o ocorrido afinal
e qual era a minha suspeita.

Quando retornei à fazenda
O fazendeiro atendeu-me contrariado.
Disse ter aberto espaço na agenda.
Não me agradeceu o trabalho realizado.

Disse que voltara para receber
pelo trabalho que realizei.
O fazendeiro disse que eu iria ter
o meu dinheiro conforme a lei.

Abriu uma pequena gaveta
e tirou um talão de cheque.
Com o dinheiro compraria uma carreta.
O caminhão ficaria com meu moleque.

Com vinte anos de idade
meu filho sonhava ir para estrada.
Em breve sonho seria realidade.
Na minha carreta daria entrada.

Sai com meu caminhão
levando cheque polpudo.
Do fazendeiro esperava armação,
mas tinha em Deus meu escudo.

Rodei aproximadamente uma milha
peguei trecho de pista asfaltada.
Á minha frente, armada quadrilha.
Pelo fazendeiro fora mandada.

Meu Mercedes 20-13 estaquei.
Os bandidos se aproximaram.
Quando apontaram armas, gelei.
A poucos metros do bruto pararam.

Apontaram armamento pesado,
revólveres, fuzis, carabina.
Ouvi um tiro disparado.
Pensei ser da gangue assassina.

Agachei-me debaixo do painel
pressentindo o tiroteio contra mim.
Estava só, abandonado ao léu.
Certamente seria meu fim.

O tiroteio aumentou de intensidade.
Nenhum disparo atingiu meu caminhão.
Eu ouvia gritos de feridos com gravidade.
O que estaria acontecendo então?

Quando cessou aquela artilharia
levantei para dar uma olhada
Carros da polícia a frente eu via.
Aquela quadrilha fora dizimada.

Quando desci do caminhão
delegado veio comigo conversar.
explicou-me que tomara decisão
de vir até a fazenda para vigiar.

Quando estava a meio caminho
viu bandidos fazendo emboscada.
O delegado não estava sozinho.
Equipe policial muito bem armada.

Quando percebeu que iam atirar
Deu ordem de atirar nos bandidos.
Assim conseguiu me salvar.
Criminosos foram sepultados ou detidos.

No momento do interrogatório
Bandidos contaram que receberam dinheiro
de um homem chamado Osório.
Esse era o nome do fazendeiro.

Com tantas provas de acusação
O fazendeiro foi interrogado e detido.
Chegou fazendo do ato negação.
Mas foi reconhecido por bandido.

Para não pagar meu trabalho
mandou matar este caminhoneiro.
Eu sei o quanto valho.
E é mais que qualquer dinheiro.

Autor: Roberto Dias Alvares